A Austrália é conhecida por sua diversidade de animais, entre eles cangurus, ornitorrincos, diabos-da-tasmânia e, é claro, os coalas. Esses marsupiais herbívoros se tornaram um verdadeiro símbolo nacional
e estampam cadernos, roupas, embalagens e souvenirs.
Eles são conhecidos pelo estilo de vida sedentário: passam a maior parte do tempo em árvores de eucalipto, dormindo até 20 horas por dia e usando as poucas horas restantes para se alimentar das folhas.
Mas a realidade desses animais não tem sido nada fácil nos últimos anos. Em meio ao desmatamento, aos incêndios que destroem seu habitat e até a surtos de doenças, os coalas correm risco de extinção em algumas partes da Austrália, como Queensland e Nova Gales do Sul. Em outras regiões, porém, eles são tão abundantes que o ambiente já não consegue sustentar populações tão grandes.
Um outro problema é a clamídia (Chlamydia pecorum), uma infecção bacteriana que afeta esses animais há décadas. A doença pode causar infertilidade, cegueira, inflamação da bexiga e até a morte. Ao mesmo tempo, ela não pode ser tratada amplamente com antibióticos, que desequilibram a microbiota intestinal dos coalas.
"Todos os anos, muitos coalas são internados em hospitais de animais selvagens devido a doenças ou ferimentos e, infelizmente, nem todos sobrevivem", afirma o biólogo especialista em reprodução Dr. Gambini, em comunicado da Universidade de Queensland.
A redução da população de coalas vem com um outro problema: a perda de diversidade genética. Com menos indivíduos, cada vez mais separados, eles perdem, pouco a pouco, características genéticas essenciais para a sobrevivência, como a resistência a doenças.
Diante desse cenário, pesquisadores australianos vêm reunindo esforços para preservar a espécie. No dia 2 de julho, a Universidade de Queensland, uma das mais renomadas do país, anunciou uma nova iniciativa: congelamento de óvulos e espermatozoides de coalas. O Dr. Gambini faz parte da equipe responsável pelo projeto.
A ideia é criar um banco genético desses animais. No futuro, esse material poderá ser utilizado em situações de emergência para aumentar a diversidade genética de populações selvagens, por meio de técnicas como a inseminação artificial de espermatozoides com alto valor genético.
O processo funciona da seguinte forma: os pesquisadores coletam células reprodutivas de coalas que chegaram a hospitais veterinários, mas morreram ou não podem mais se reproduzir. Em seguida, esse material é transportado em caixas com temperatura controlada até os laboratórios da universidade.
Lá, as amostras passam por análises genéticas (o objetivo é reunir indivíduos com a maior diversidade genética possível) e também são testadas para clamídia. Caso necessário, a universidade pode empregar técnicas capazes de eliminar a infecção das amostras. Depois disso, o material é congelado em cilindros de nitrogênio líquido, em que pode durar mais de uma década. Confira:
Os pesquisadores ressaltam, porém, que a medida não resolve sozinha o problema da conservação dos coalas. A proteção da espécie depende também de ações amplas e conjuntas, como a preservação do habitat, o monitoramento das populações e o controle das doenças, para que, idealmente, nunca seja necessário recorrer a essa reserva genética.











