Miguel Falabella acredita que o Sai de Baixo (1996-2002/2013) teria dificuldades para existir da mesma forma na TV atual. Durante participação no Roda
Viva na segunda-feira (15), o ator e autor avaliou que a televisão passou a agir com receio da repercussão nas redes sociais e acabou perdendo espaço para um humor mais irreverente.
- Entenda a notícia:
- Humor sob julgamento: Miguel Falabella afirmou que o Sai de Baixo teria dificuldades hoje porque a TV atual virou refém do "tribunal da internet" e tem medo de desagradar o público.
- Caco Antibes atual: O ator pontuou que os preconceitos de seu icônico personagem eram uma crítica social e assegurou que o Brasil continua cheio de pessoas iguais a Caco.
- Posicionamento político: No Roda Viva, Falabella se declarou de esquerda e preocupado com a justiça social, mas ressaltou que isso não o impede de criticar o próprio campo ideológico.
Ao comentar as mudanças na relação entre televisão e público, Falabella afirmou que as emissoras se tornaram muito dependentes da reação das pessoas nas redes sociais. "A TV de hoje fica muito refém da internet, da coisa opinativa da internet, do tribunal da internet. Tudo é um problema", declarou.
O artista usou como exemplo um dos personagens mais marcantes de sua carreira: Caco Antibes, figura preconceituosa e elitista interpretada por ele no humorístico exibido pela Globo entre 1996 e 2002, com uma temporada especial exibida em 2013.
"O Caco Antibes falar que tem horror a pobre, hoje em dia, seria uma confusão. Mas as pessoas assistem até hoje e entendem que aquilo é uma crítica, um personagem alucinado. O Brasil está cheio de Cacos Antibes", afirmou.
Na avaliação do autor, o medo de gerar descontentamento tem afetado diretamente a produção de humor na televisão. Para ele, a tentativa constante de evitar controvérsias pode acabar afastando o público.
DIVULGAÇÃO/TV GLOBO
Cena de Sai de Baixo em 2013
"Não sei se há mais espaço porque a televisão está com muito medo de desagradar, e acho que o medo de desagradar acaba até afastando as pessoas, porque as pessoas falam: 'não tem mais humor, não tem mais programa de humor'", analisou.
Questionado sobre a possibilidade de uma nova versão do Sai de Baixo, Falabella foi direto ao responder que o contexto atual é muito diferente daquele vivido pelo programa durante os anos 1990 e início dos anos 2000. "Tentar refazer o Sai de Baixo em outros moldes, mas não cabe mais...", resumiu.
O ator também comentou um dos elementos mais lembrados da série: o bordão "Cala a boca, Magda!", dirigido por Caco Antibes à personagem interpretada por Marisa Orth.
"Mandar uma mulher calar a boca? É porque a Marisa fazia aquela mulher que tinha dois neurônios com um brilhantismo absoluto. Mas era um terror", brincou.
Influências políticas
No Roda Viva, Falabella também falou sobre seu posicionamento político. O artista afirmou que nunca teve receio de expor suas opiniões e disse não se preocupar com eventuais críticas. "Sou de esquerda, nunca escondi isso de ninguém. Não estou preocupado com isso a essa altura da vida", declarou.
O ator ponderou, porém, que ter uma posição política definida não impede que alguém faça críticas ao próprio campo ideológico. "Você ser uma pessoa de esquerda não quer dizer que você não possa criticar a esquerda. Você tem que ter uma visão abrangente de mundo", afirmou.
Falabella explicou que se identifica com pautas ligadas à justiça social e à redução das desigualdades. "Eu sou uma pessoa de esquerda na medida em que eu me preocupo com o outro, com a injustiça social, com a má distribuição de renda do país", disse.
Ele também destacou que procurou refletir essas questões em seus trabalhos ao longo da carreira. "Sempre usei meu trabalho para dizer as coisas. Eu nunca fui ativista de nada, mas é só olhar meus personagens, a maneira como eu conduzia as coisas", concluiu.













