AFrança perdeu a chance de chegar à final da Copa do Mundo de 2026, mas uma de suas maiores estrelas segue ganhando cada vez mais espaço (e ela nem estava
em campo). Nos últimos dias, Aya Nakamura tomou conta das timelines com músicas lançadas há quase uma década, expressões inventadas pelos fãs e uma onda de memes que já ganhou até nome próprio: Nakamuramania.
O movimento começou a crescer durante a campanha francesa no Mundial, principalmente depois da eliminação do Brasil. Djadja e Copines, dois dos maiores sucessos da cantora franco-maliana, passaram a acompanhar montagens com jogadores, vídeos sobre a seleção e piadas que misturavam referências francesas com situações completamente brasileiras.
Entre um vídeo e outro, o público começou a criar um vocabulário próprio. “Tô Djadja”, “passadja”, “trabalhadja” e “tô Copines com isso” são algumas das expressões que apareceram nas redes. Não existe exatamente um significado oficial para cada uma delas: a graça está em adaptar palavras do português ao som dos títulos e refrões de Aya.
Mas quem é Aya Nakamura?
Apesar de muita gente estar descobrindo a artista agora, Aya está longe de ser uma novidade na música. Nascida em Bamako, capital do Mali, ela se mudou ainda bebê para a França e cresceu em Aulnay-sous-Bois, nos arredores de Paris. Seu nome verdadeiro é Aya Danioko, e sua família pertence a uma tradição de griôs, contadores de histórias e músicos da África Ocidental.
Antes de seguir profissionalmente na música, ela chegou a estudar moda. Em 2014, começou a publicar suas primeiras faixas na internet e escolheu o sobrenome Nakamura como homenagem a Hiro Nakamura, personagem da série de ficção científica Heroes.
Os primeiros lançamentos, como Karma, J’ai mal e Brisé, ajudaram Aya a construir uma base de fãs nas redes. Em 2017, ela apresentou seu primeiro álbum, Journal Intime, mas foi no ano seguinte que sua carreira ganhou uma dimensão internacional.
Não é a primeira vez que Djadja viraliza
Lançada em abril de 2018, Djadja apresenta Aya confrontando um homem que espalha mentiras sobre a relação dos dois. A faixa chegou ao primeiro lugar na França e em outros mercados europeus, transformando a cantora em um dos principais nomes do pop francófono.
No mesmo ano, Copines também alcançou o topo das paradas francesas. Depois vieram sucessos como Pookie, Jolie nana, Bobo e Dégaine, além de parcerias com nomes como Stormzy, Major Lazer, Swae Lee e Maluma, que participou de uma versão de Djadja lançada em 2020.
A música de Aya mistura pop, R&B, afrobeats, zouk, dancehall e elementos da música urbana francesa. Não é a primeira vez, portanto, que Djadja ou Copines viralizam. As duas faixas já acompanharam desafios de dança, vídeos de moda, coreografias e montagens em diferentes momentos desde o lançamento.
Das Olimpíadas ao Stade de France
Em 2024, Aya ganhou ainda mais projeção ao participar da cerimônia de abertura das Olimpíadas de Paris. Ao lado da Guarda Republicana Francesa, ela apresentou um medley que misturava Pookie, Djadja e For Me Formidable, de Charles Aznavour.
A apresentação ocorreu após meses de ataques racistas e críticas de grupos da extrema direita francesa, que questionavam a presença da cantora no evento. Mesmo antes de sua participação ser confirmada, autoridades e artistas saíram em sua defesa, destacando sua importância para a música produzida no país.
Já em maio de 2026, Aya realizou três apresentações consecutivas no Stade de France, nos dias 29, 30 e 31. Na primeira noite, cerca de 70 mil pessoas acompanharam um espetáculo de quase três horas, com 34 músicas e uma entrada cinematográfica que simulava a chegada da cantora de helicóptero.
Durante o show, a artista também exibiu manchetes e mensagens racistas recebidas ao longo de sua carreira. As imagens foram simbolicamente destruídas por efeitos de fogo no palco, em uma resposta aos ataques enfrentados especialmente durante o período das Olimpíadas.
As apresentações celebraram ainda Destinée, quinto álbum de estúdio da cantora, lançado em novembro de 2025. O projeto marcou uma nova fase da carreira de Aya, que já soma bilhões de reproduções e aparece entre os nomes francófonos mais ouvidos internacionalmente.
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