As reclamações de Carlos Alcaraz sobre as condições de jogo em Xangai provocaram críticas de Fernando Meligeni. O ex-tenista brasileiro comentou a postura do espanhol após a derrota para Zizou Bergs, na segunda-feira,
12, pelo Masters 1000 chinês, e publicou um texto questionando o comportamento das principais estrelas do circuito.
Ao abordar as queixas de Alcaraz sobre a quadra e as bolas utilizadas no torneio, Meligeni ampliou a discussão para outras reclamações frequentes entre os jogadores, como calendário, premiação e tempo entre os saques.
“O poder dado ao atleta é, na maioria das vezes, mais do que justo. Mas esse poder pode afetar a percepção que ele tem da realidade. A quantidade de dinheiro que entra pode fazer com que você perca a verdadeira noção do que tem”, escreveu o brasileiro.
Na sequência, o ex-tenista criticou a postura de atletas que, segundo ele, deixam de considerar as pessoas envolvidas na organização das competições. “A maioria é tão egoísta e mimada que não enxerga o mundo ao redor nem os esforços de quem faz tudo isso acontecer”, afirmou.
Meligeni também citou comportamentos que considera prejudiciais ao esporte, como a pressão por menos partidas no circuito tradicional para disputar torneios de exibição. “Atletas xingando árbitros, querendo jogar menos para poder disputar exibições, querendo ganhar mais e jogar menos. Atletas fazendo quase nada fora das quadras e apontando o dedo. Ah, e atletas dizendo como os torneios têm que ser. Como se fossem os donos”, publicou.
Apesar das críticas, Meligeni reconheceu a importância dos principais jogadores para o tênis e destacou que sua manifestação não era direcionada exclusivamente ao espanhol. “Aqui, não se trata de uma crítica a este ou àquele jogador. Até porque Alcaraz é um baita garoto e tem sua importância; Medvedev é maluco, mas também é importante; Zverev é um baita jogador; e Demon é incrível também”, escreveu, referindo-se também a Daniil Medvedev, Alexander Zverev e Alex de Minaur.
“O tênis não” vai acabar com as estrelas, diz Meligeni
Ao concluir a publicação, Meligeni defendeu que os atletas reconheçam a dependência que têm de outras partes do esporte, incluindo público, fornecedores, funcionários e organizadores. “Mas acredito que eles, assim como os demais, precisam entender que são uma empresa, mas que essa empresa não está sozinha no mundo. Precisa das outras, precisa do público, dos fornecedores e dos funcionários. Sozinha, ela quebra. Não tem valor. Não para em pé”, escreveu.
O ex-tenista encerrou o texto com um apelo. “Antes de passar o tempo todo reclamando, que tal olhar além do próprio umbigo e ajudar o esporte para além dos grandes resultados que se conquista dentro da quadra? Quando começamos a jogar não é só pelo dinheiro, certo? O esporte tênis é mais importante que o atleta, certo? É assim ou só quando me convém?”
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