Um relatório publicado nesta terça-feira, pela Sport & Rights Alliance acusa a Fifa de priorizar receitas em detrimento dos direitos humanos durante a Copa do Mundo de 2026. Segundo a organização, a entidade
não assumiu responsabilidades suficientes diante de casos de tratamento discriminatório e de barreiras enfrentadas por torcedores e jornalistas.
O documento aponta que a Fifa dependeu de governos dos países-sede, autoridades locais e outras organizações para lidar com possíveis violações. Na avaliação da Sport & Rights Alliance, faltaram diretrizes, fiscalização e financiamento adequados, além de consequências para os envolvidos em casos de descumprimento das regras.
A Copa de 2026 foi disputada por 48 seleções pela primeira vez, com partidas no México, no Canadá e nos Estados Unidos. De acordo com o relatório, o torneio foi marcado por restrições de vistos, exigências de entrada e interrogatórios prolongados nas fronteiras.
Copa de 2026 teve restrições migratórias
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Segundo o levantamento, as barreiras de deslocamento afetaram torcedores, atletas, integrantes das comissões técnicas, árbitros e jornalistas. As dificuldades estavam relacionadas, entre outros fatores, às nacionalidades dos viajantes e às regras migratórias mais rígidas aplicadas a cidadãos de determinados países, incluindo algumas nações participantes do Mundial.
A organização também criticou a decisão da Fifa de conceder seu primeiro Prêmio da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em entrevista à Reuters na segunda-feira, 12, Andrea Florence, diretora-executiva da Sport & Rights Alliance, afirmou que as organizações de direitos humanos esperavam mudanças concretas na competição. Segundo ela, a expectativa estava relacionada à Política de Direitos Humanos da Fifa, adotada em 2017, e aos compromissos específicos assumidos pela entidade para o torneio.
"De acordo com nosso relatório, a falta de compromisso da direção da Fifa com esses princípios levou a um torneio que colocou o lucro acima das pessoas", declarou Florence.
Fifa promete apresentar relatório próprio
O documento da Sport & Rights Alliance reúne recomendações para a entidade e aponta a proximidade da próxima eleição presidencial da Fifa e da Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, como oportunidades para ampliar a atenção aos direitos humanos no futebol.
Em resposta por escrito à organização, em documento obtido pela Reuters, o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, reconheceu que o relatório "levanta preocupações importantes e identifica áreas em que novos avanços podem ser feitos".
Grafström afirmou que o relatório da própria Fifa sobre direitos humanos e sustentabilidade na Copa do Mundo de 2026 apresentará um relato abrangente, com evidências e informações adicionais. Segundo ele, o documento também terá uma abordagem mais equilibrada.
Em nota, um porta-voz da entidade declarou que a Fifa tem orgulho dos resultados alcançados com a competição, que reuniu pessoas de diferentes partes do mundo em uma celebração do futebol e da união.
"A Fifa continuará a construir esse legado, trabalhando de forma aberta e construtiva com as partes interessadas para fortalecer ainda mais sua governança, seus compromissos com os direitos humanos e o impacto positivo do futebol em todo o mundo", afirmou o porta-voz.











