Manter uma rotina de treinos exige mais do que disciplina na academia; é preciso planejar as refeições para garantir energia durante o exercício e fornecer
nutrientes que ajudam o corpo a se recuperar. Apesar de muitas dietas milagrosas circularem na internet, a base de uma alimentação esportiva é simples: priorize alimentos naturais, combine carboidratos e proteínas de forma equilibrada e ajuste o consumo ao tipo e à duração da atividade. A seguir, confira por que comer antes do treino, o que ingerir durante e depois e quais escolhas devem ser evitadas.
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Por que se alimentar antes do treino?
O organismo precisa de energia para sustentar o esforço muscular. Quando você treina em jejum ou com reservas baixas de glicogênio (o estoque de carboidrato nos músculos), o corpo tende a quebrar proteínas musculares para obter energia, o que dificulta o ganho de força e resistência. É recomendado ingerir uma refeição com carboidratos moderados e proteínas entre duas e três horas antes de um treino de força. Esse intervalo permite a digestão sem provocar desconforto durante o exercício. Outra vantagem da refeição pré‑treino é estabilizar os níveis de glicemia, prevenindo quedas bruscas de energia e melhorando a concentração.
Para treinos de alta intensidade (como HIIT) ou sessões longas de cardio, o aporte de carboidratos também é fundamental. Eles são o combustível rápido do corpo e ajudam a preservar a massa magra. Já as proteínas fornecem aminoácidos que participam da reparação muscular. Para quem dispõe de pouco tempo entre a refeição e o treino, shakes de proteína ou frutas com aveia são opções práticas, pois exigem menos digestão e podem ser consumidos até uma hora antes da atividade.
Sugestões de lanches pré‑treino
O ideal é adaptar o lanche ao horário e ao tipo de treino. Para sessões de força ou musculação realizadas no meio da manhã ou da tarde, um prato como frango desfiado com quinoa e legumes ou ovos mexidos com pão integral e uma fatia de queijo fornece energia de liberação lenta e proteína de qualidade. Se faltar tempo, um shake de whey protein com banana ou um iogurte natural com fruta e aveia também são opções equilibradas. Batatas e bananas são boas alternativas quando restam menos de 30 minutos até o início do treino; fornecem carboidratos de rápida absorção e pequenas doses de fibras.
Para quem pratica exercícios de resistência ou treinos longos, como corrida ou ciclismo, lanches que combinam carboidratos complexos e alguma gordura saudável são recomendados. Um sanduíche de pão integral com pasta de amendoim e geleia, panqueca de aveia com mel ou uma pequena porção de aveia com frutas secas cumprem esse papel, fornecendo energia de longa duração e mantendo os níveis de açúcar no sangue estáveis. Lembre‑se de que cada pessoa reage de forma diferente aos alimentos; experimente diversas combinações e observe como seu corpo responde.
E durante o treino: hidratação é essencial
Em treinos de até uma hora, você não precisa consumir alimentos enquanto se exercita. Manter‑se hidratado é o mais importante. A literatura esportiva recomenda beber cerca de 400 mL de uma bebida com 25 g de carboidratos a cada 30 minutos durante exercícios de resistência prolongados, como corridas ou treinos de mais de uma hora de duração. Essa reposição ajuda a manter as reservas de glicogênio e a concentração de açúcar no sangue, evitando fadiga precoce e diminuindo o risco de degradação muscular. Para treinos de força ou HIIT com duração inferior a 45 minutos, a hidratação com água ou bebidas isotônicas já é suficiente. Ajuste a ingestão de líquido conforme a intensidade, a temperatura e o suor; em dias quentes, a perda de água e sais minerais aumenta.
O que comer depois do treino?
Logo após o exercício, o corpo entra em modo de recuperação, usando nutrientes para reparar microlesões e repor o glicogênio. Por isso, é recomendável ingerir carboidratos complexos e proteínas de alta qualidade dentro de duas horas após o treino. Sanduíche de manteiga de amendoim em pão integral, frango com arroz integral e legumes cozidos ou iogurte grego com fruta e granola são exemplos de alimentos pós-treino. A proporção costuma variar conforme o objetivo; após treinos de alta intensidade, uma relação de três partes de carboidratos para uma de proteína ajuda a acelerar a recuperação. Para quem se exercita à noite, opções como sopa de legumes com frango ou quinoa e batata‑doce assada acompanham bem esse momento.
Se o treino for mais leve, como uma caminhada rápida ou uma sessão de mobilidade, não há urgência em comer imediatamente, mas manter uma alimentação balanceada ao longo do dia continua essencial. Inclua frutas, legumes, grãos integrais e fontes magras de proteína nas refeições principais. Hidratar‑se bem após o exercício auxilia na eliminação de toxinas e no transporte de nutrientes para as células.
Alimentos a evitar e cuidados
Nem todo alimento é adequado para ingerir antes do exercício. Frituras, doces e refeições muito gordurosas podem provocar desconforto gastrointestinal, prejudicar a performance e deixar a digestão lenta. Alimentos ricos em açúcar ou gordura, como doces, biscoitos, bolos, fast food e pizzas, devem ser evitados antes do treino. Eles fornecem energia rápida, mas provocam picos e quedas de açúcar no sangue, levando a cansaço e irritabilidade. Bebidas alcoólicas também não combinam com atividade física, pois desidratam e alteram o metabolismo.
Outro cuidado é evitar treinos em jejum prolongado com o intuito de “queimar mais gordura”. Esse hábito pode aumentar a quebra de proteínas musculares e diminuir o rendimento. Caso esteja seguindo um protocolo específico, como jejum intermitente, procure um nutricionista para ajustar a estratégia. Da mesma forma, diabéticos, hipertensos, gestantes e pessoas com doenças crônicas devem individualizar a alimentação com acompanhamento médico.
Conclusão: ajuste ao seu corpo e procure orientação
A escolha do que comer antes e depois do treino depende do tipo de atividade, da intensidade e das características de cada pessoa. Lanches equilibrados, que combinam carboidratos complexos e proteínas de qualidade, ajudam a manter a energia, melhorar a performance e acelerar a recuperação. Hidratação adequada, principalmente em treinos longos, é indispensável. Evitar alimentos ultraprocessados e ricos em gordura perto do horário de treinar previne desconfortos e mantém o foco. Acima de tudo, observe como seu corpo reage e adapte o cardápio. Consultar um nutricionista ou médico é a melhor forma de garantir que sua dieta apoie seus objetivos esportivos com segurança.















