De um lado, um colchonete e alguns acessórios. Do outro, aparelhos grandes, plataformas móveis, barras e molas. A aparência pode levar à conclusão de que
o Pilates no solo é mais simples e que o realizado nos equipamentos é sempre mais avançado. Na prática, a dificuldade depende da posição, da amplitude, da resistência e do controle exigido em cada exercício.
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No Pilates solo, também chamado de Mat Pilates, o peso do próprio corpo representa a principal resistência. Bolas, faixas elásticas, círculos e rolos podem ser acrescentados para facilitar ou dificultar os movimentos. Já os aparelhos utilizam estruturas móveis, molas, barras e alças para oferecer resistência ou assistência.
Por isso, não existe um formato automaticamente melhor para iniciantes. O equipamento pode ajudar a sustentar parte do peso em um exercício e tornar o movimento mais acessível. Em outra configuração, o mesmo aparelho pode aumentar a instabilidade e exigir mais força e coordenação.
[otd_relacionadas tag="treino" quantidade="4" titulo="Mais sobre treino"]Como funciona o Pilates no solo?
As aulas no solo reúnem exercícios realizados em posições deitada, sentada, ajoelhada ou em apoio sobre mãos e pés. O praticante precisa movimentar ou sustentar o próprio corpo enquanto controla a respiração, a postura e a trajetória.
A carga pode ser modificada sem acrescentar pesos. Alongar braços e pernas, reduzir os pontos de apoio, aumentar a amplitude ou manter uma posição por mais tempo eleva a dificuldade. Dobrar os joelhos, diminuir a amplitude ou utilizar acessórios pode facilitar o movimento.
Uma vantagem prática é a necessidade de pouco equipamento. Isso permite aulas coletivas e a realização de exercícios em diferentes espaços. No entanto, essa simplicidade não torna o Mat Pilates fácil. Sustentar as pernas no ar ou movimentar o tronco sem auxílio externo pode exigir força e controle consideráveis.
Uma revisão sobre condicionamento físico encontrou melhora da resistência muscular abdominal em programas de Pilates realizados tanto no solo quanto nos aparelhos, quando comparados à ausência de exercício. Os estudos, porém, apresentaram diferenças de duração, exercícios e características dos participantes.
O que as molas dos aparelhos fazem?
O Reformer é o aparelho mais conhecido. Ele possui uma plataforma que desliza sobre trilhos e permanece ligada a molas. Também existem equipamentos como Cadillac, Chair e Barrel, com formatos e possibilidades diferentes.
As molas não funcionam apenas como pesos. Dependendo da posição e da direção do movimento, elas podem oferecer resistência, ajudar a conduzir o corpo ou contribuir para a estabilidade.
Mais resistência na mola também não significa necessariamente um exercício mais difícil. Em alguns movimentos do Reformer, molas mais leves deixam a plataforma menos estável e obrigam o praticante a controlar melhor o deslocamento.
Um estudo com 18 mulheres saudáveis analisou exercícios básicos no Reformer e encontrou maior atividade de alguns músculos do tronco em determinadas condições de baixa resistência, justamente porque a plataforma se tornou mais instável. O resultado vale para os exercícios e participantes avaliados e não cria uma regra para toda aula.
Pilates no aparelho é mais fácil?
Pode ser mais fácil em um exercício e mais difícil em outro. Uma pessoa com dificuldade para sustentar as pernas, por exemplo, pode utilizar alças e molas como assistência. Depois, o profissional pode alterar a posição ou a resistência para aumentar o esforço.
No solo, o praticante não conta com a mesma estrutura para orientar a trajetória. Isso pode exigir mais controle do peso corporal. Por outro lado, o chão oferece uma base fixa, enquanto a plataforma móvel do Reformer pode aumentar o desafio de equilíbrio e estabilização.
Portanto, não é possível classificar uma aula inteira apenas pelo equipamento. Um exercício básico no Reformer pode ser mais acessível do que uma sequência avançada no colchonete, e o contrário também acontece.
Qual modalidade produz mais resultados?
As pesquisas não estabelecem uma superioridade geral do solo ou dos aparelhos para todas as pessoas e objetivos.
Um estudo com mulheres idosas fisicamente ativas comparou os dois formatos e encontrou melhorias significativas e semelhantes na capacidade funcional. Os resultados não permitem afirmar que um deles seja sempre melhor para força, equilíbrio ou atividades cotidianas.
Em pessoas com dor lombar crônica, um ensaio clínico encontrou melhora após programas de Mat Pilates e de Pilates com equipamentos. O grupo dos aparelhos apresentou evolução mais rápida em alguns resultados, possivelmente pelo retorno oferecido pelas estruturas durante os movimentos. Essa conclusão, porém, veio de uma população clínica específica e não deve ser transferida automaticamente para adultos saudáveis.
A frequência, a progressão, a qualidade da orientação e a continuidade do treinamento podem ser mais importantes do que a simples presença de um aparelho.
Como escolher para começar?
O Pilates no solo pode fazer sentido para quem busca uma opção com estrutura simples, aulas coletivas e exercícios que também possam ser reproduzidos fora do estúdio.
Os aparelhos podem ajudar quem prefere referências visuais e táteis durante o movimento ou precisa de adaptações mais graduais. Isso não significa que todo trabalho com equipamento seja individualizado nem que o Mat Pilates não possa ser adaptado.
Antes de escolher, vale observar:
- se a aula considera o nível dos participantes;
- se o profissional explica respiração e posicionamento;
- se existem progressões para o mesmo exercício;
- se o número de alunos permite correções;
- se a pessoa consegue executar os movimentos sem dor crescente;
- se o formato cabe na rotina e pode ser mantido.
Quem apresenta dor persistente, recuperação de lesão, cirurgia recente ou limitação importante deve procurar avaliação profissional. Nesses casos, a escolha não depende apenas de solo ou aparelho, mas dos exercícios, das cargas e das adaptações utilizadas.
O melhor formato para começar é aquele que oferece uma dificuldade adequada, orientação e possibilidade de progressão. As molas podem ajudar ou resistir; o colchonete pode simplificar a estrutura, mas não necessariamente o exercício.











