O iogurte grego costuma ser associado a uma textura mais cremosa e a uma quantidade maior de proteína. Isso pode acontecer quando o produto passa por uma concentração
que retira parte do soro do leite. No entanto, o nome na embalagem não garante que ele seja mais proteico, tenha menos açúcar ou seja uma escolha melhor do que o iogurte natural.
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Existem diferentes maneiras de produzir um iogurte mais espesso. Além da retirada do soro, a indústria pode aumentar os sólidos antes da fermentação, acrescentar leite em pó, proteínas lácteas ou outros ingredientes que modificam a textura. Uma revisão sobre iogurtes com alta proteína encontrou grande variação entre produtos comercializados como gregos ou de estilo grego.
Por isso, a comparação deve começar pela tabela nutricional, de preferência usando os valores por 100 gramas.
[otd_relacionadas tag="alimentacao" quantidade="4" titulo="Mais sobre alimentação"]O que muda no iogurte grego?
O iogurte é produzido pela fermentação do leite por culturas específicas de bactérias. No método tradicional do iogurte grego ou coado, parte do soro é retirada depois da fermentação, concentrando a parte sólida.
Essa concentração normalmente deixa o produto mais firme e pode elevar a quantidade de proteína por 100 gramas. Iogurtes coados tradicionais frequentemente apresentam cerca de 8% a 10% de proteína, enquanto o padrão internacional para o iogurte comum estabelece um mínimo de 2,7%. Isso não significa, porém, que todos os produtos encontrados no mercado tenham essa diferença.
Algumas fórmulas chamadas de gregas apresentam menos proteína do que o esperado, enquanto certos iogurtes naturais enriquecidos com leite em pó ou proteína podem ter valores próximos. A palavra “grego” descreve uma proposta de produto, mas a quantidade efetiva precisa aparecer no rótulo.
Compare a proteína por 100 gramas
A embalagem maior pode dar a impressão de oferecer mais proteína, mesmo quando a concentração é semelhante à de outro produto.
Imagine dois iogurtes:
- um pote de 100 g com 6 g de proteína;
- um pote de 170 g com 8 g de proteína.
O segundo fornece mais proteína na embalagem inteira, mas o primeiro possui maior concentração por 100 g. A melhor referência depende de quanto a pessoa pretende comer, mas a coluna por 100 g facilita a comparação entre embalagens de tamanhos diferentes.
Também não é necessário escolher automaticamente o produto com o maior número. Um iogurte pode fazer parte de um lanche com frutas, aveia, castanhas ou outros alimentos. A quantidade adequada depende do conjunto da alimentação e do objetivo da refeição.
Açúcar total não é igual a açúcar adicionado
O leite contém lactose, um açúcar naturalmente presente. Por isso, até um iogurte natural sem açúcar acrescentado apresenta algum valor na linha de açúcares totais.
As regras brasileiras exigem que a tabela nutricional separe açúcares totais e adicionados. A lactose naturalmente presente no leite entra no total, mas não deve ser contabilizada como açúcar adicionado. Açúcar, mel, xaropes ou outros açúcares incluídos durante a fabricação aparecem na linha específica.
Essa diferença é importante porque versões gregas saborizadas podem conter açúcar adicionado para equilibrar a acidez ou acompanhar preparações de frutas, caldas e sobremesas.
Um iogurte natural pode ter, por exemplo, 4 ou 5 g de açúcares totais provenientes principalmente da lactose, sem ter açúcar adicionado. Já outro produto pode apresentar valor semelhante de lactose e uma quantidade adicional incluída na receita.
Alimentos sólidos ou semissólidos devem apresentar a lupa frontal de alto conteúdo de açúcar adicionado quando atingem 15 g ou mais por 100 g. A ausência da lupa não significa que o produto seja livre de açúcar; apenas indica que ele ficou abaixo do limite definido para o alerta frontal.
O iogurte grego tem mais gordura?
Depende da fórmula. A textura cremosa pode vir da concentração do leite, mas também do uso de creme, leite integral ou outros ingredientes.
Existem iogurtes gregos integrais, desnatados, com creme, sem gordura e com diferentes teores de gordura saturada. Um iogurte natural integral também pode ter mais gordura do que uma versão grega desnatada.
Por isso, não é adequado concluir que todo iogurte grego é mais gorduroso ou que todo natural é mais leve. Vale comparar:
- gorduras totais;
- gordura saturada;
- valor energético;
- tamanho da porção;
- presença de creme na lista de ingredientes.
A rotulagem frontal brasileira também prevê lupa para produtos semissólidos com 6 g ou mais de gordura saturada por 100 g.
E a quantidade de cálcio?
Iogurtes são fontes de proteína e cálcio, mas o processo de concentração pode modificar a relação entre esses nutrientes. Parte do cálcio e de outros minerais pode ser perdida junto com o soro durante o método tradicional de coagem.
Ao mesmo tempo, produtos feitos com leite em pó, proteínas lácteas ou outros ingredientes podem apresentar outra composição. Por isso, não é seguro presumir que o iogurte mais concentrado terá automaticamente mais cálcio.
Quando o cálcio estiver declarado na tabela nutricional, compare a quantidade por 100 g ou por porção. Caso esse mineral seja uma prioridade, o valor do rótulo é mais confiável do que a textura ou o nome do produto.
Leia a lista de ingredientes
Os ingredientes aparecem em ordem decrescente de quantidade. Os primeiros itens, portanto, representam as maiores proporções da fórmula.
Um iogurte natural simples pode apresentar leite e fermentos lácteos, embora algumas versões também utilizem leite em pó. Já os gregos podem conter creme de leite, concentrado proteico, leite em pó, açúcar, preparados de frutas, amido, gelatina, estabilizantes, aromatizantes ou adoçantes.
Uma lista maior não transforma automaticamente o produto em uma escolha inadequada. Ela ajuda a entender de onde vêm a cremosidade, o sabor doce e o aumento da proteína.
Também é importante verificar a denominação de venda. Produtos visualmente parecidos podem ser classificados como iogurte, leite fermentado, bebida láctea ou sobremesa láctea, categorias que não possuem necessariamente a mesma composição. A legislação brasileira estabelece requisitos específicos para iogurtes e outros leites fermentados.
Iogurte natural é sempre a melhor escolha?
O natural sem açúcar costuma facilitar a identificação dos ingredientes e permite que a pessoa acrescente frutas, aveia ou outros acompanhamentos. Isso não significa que seja obrigatoriamente superior para qualquer situação.
Um iogurte grego com maior concentração de proteína pode ser conveniente para um lanche, principalmente quando a pessoa busca um produto mais consistente. Uma versão adoçada também pode caber na alimentação, desde que o açúcar e o tamanho da porção sejam considerados.
A comparação prática pode seguir esta ordem:
- confirme a denominação do produto;
- compare a proteína por 100 g;
- observe os açúcares adicionados;
- confira gordura saturada e calorias;
- procure o valor de cálcio;
- leia os primeiros ingredientes;
- considere o tamanho do pote;
- compare o preço por porção.
O iogurte grego pode ter mais proteína, mas isso não acontece em todos os casos. O natural pode ter uma fórmula mais simples, mas também varia entre marcas. No fim, a tabela nutricional revela mais do que o nome escrito na frente da embalagem.










