O parabadminton brasileiro vive um momento de crescimento e parte dessa evolução passa por histórias de atletas que decidiram recomeçar.
Na 1ª Etapa Nacional
de Parabadminton 2026, em São Paulo, nomes como Edwarda Oliveira, Amauri Viana e Maria Fernanda Garcia representam um movimento cada vez mais presente: a transição de carreira dentro do esporte paralímpico.
Vindos de modalidades como vôlei sentado, basquete em cadeira de rodas e tênis, eles encontraram no badminton não apenas um novo desafio competitivo, mas também uma nova forma de se reconectar com o alto rendimento.
Da zona de conforto para um novo desafio
Medalhista paralímpica no vôlei sentado, Edwarda Oliveira construiu uma carreira consolidada antes de decidir mudar de rumo. Foram duas medalhas de bronze nos Jogos Paralímpicos, Rio 2016 e Tóquio 2020+1, além do 4º lugar em Paris 2024 e do título mundial em 2022.
Após mais de uma década na modalidade, a atleta optou por recomeçar. “Sou muito ambiciosa e não gosto de comodismo. Já estava bem acomodada no vôlei, e quando encontrei o badminton, foi perfeito. Caí de cabeça nesse desafio gigantesco”, contou.
A transição, no entanto, exigiu adaptações importantes. “O começo exige muita dedicação. Tive que me adaptar a uma prótese esportiva melhor, algo que impacta diretamente na performance e na qualidade de vida”, explicou.
Mesmo com menos de dois anos focada exclusivamente na modalidade, os resultados já impressionam: hoje figura entre as melhores do mundo. “Sei qual é o gosto de estar no alto do pódio. Meu objetivo agora é evoluir no badminton e buscar a classificação para Los Angeles”, afirmou.
Experiência paralímpica e novos caminhos
Quem também carrega bagagem de alto nível é Amauri Viana, da classe WH2. Ex-integrante da seleção brasileira de basquete em cadeira de rodas, ele disputou os Jogos Paralímpicos Rio 2016 e construiu uma carreira sólida na modalidade, sendo sete vezes campeão brasileiro.
A relação com o esporte, no entanto, começou após o acidente que resultou na sua deficiência, ainda aos 16 anos, período em que enfrentou um quadro de depressão. Foi no esporte que encontrou um novo propósito. “Depois do acidente, o esporte foi o que me deu motivação para seguir. Foi ali que comecei a enxergar novas possibilidades”, relembra.
Após mais de uma década no basquete em cadeira de rodas, decidiu mudar o rumo da carreira em busca de um novo desafio. “Eu queria algo individual, que dependesse mais de mim. No coletivo, você depende de muita gente. No badminton, é você ali dentro”, explicou.
A transição trouxe obstáculos, principalmente financeiros e estruturais. “No basquete, a gente tinha estrutura. No badminton, muitas vezes você precisa bancar para competir e ganhar experiência”, destacou. Mesmo em início de trajetória na modalidade, Amauri já traça metas claras. “Meu foco é chegar entre os melhores do mundo e buscar uma vaga paralímpica”, completou.
Do tênis ao parabadminton em busca da igualdade competitiva
Já Maria Fernanda Garcia chega ao parabadminton após uma trajetória relevante no tênis em cadeira de rodas, com participações em importantes torneios internacionais, incluindo a conquista de medalha de prata no Parapan-Americano.
Sua história no esporte começou ainda na infância. Aos 4 anos, sofreu um acidente grave que quase tirou sua vida. Após a recuperação, encontrou no esporte um caminho para recomeçar. A decisão de migrar para o parabadminton veio a partir de uma questão técnica e estrutural.
No tênis, Maria Fernanda competia contra atletas com maior mobilidade de tronco, o que impactava diretamente seu desempenho. Com uma lesão medular que limita esse movimento, ela enfrentava desvantagens importantes, especialmente em bolas mais baixas.
“No tênis, muitas vezes eu não conseguia alcançar bolas mais rentes ao chão por conta da limitação do tronco. No badminton, sinto que é mais justo dentro da minha classe e consigo competir melhor”, explicou.
A identificação com o esporte também passa pelo estilo de jogo. “Eu sempre gostei de esportes de raquete e estratégia. Aqui consigo usar isso a meu favor”, completou. Mesmo ainda em início de trajetória, ela demonstra confiança na escolha. “Eu sinto que estou no caminho certo. Ainda tenho muito a evoluir, mas gostei muito da dinâmica e do nível do torneio”, afirmou.
A atleta também é apaixonada por halterofilismo, esporte que pratica há anos e segue praticando em paralelo ao badminton.
Recomeçar também é competir
Histórias como as de Edwarda, Amauri e Maria Fernanda ajudam a explicar o momento do parabadminton no Brasil. Mais do que novos atletas, a modalidade tem atraído nomes experientes, que trazem bagagem competitiva e elevam o nível técnico do cenário nacional.
Em comum, todos compartilham a mesma motivação: recomeçar sem abrir mão do alto rendimento.












