Cansaço, falta de disposição e queda no rendimento podem ter muitas causas. Sono ruim, estresse, excesso de treino, alimentação insuficiente e rotina corrida
estão entre as mais comuns. Mas um nutriente costuma entrar nessa conversa: o ferro. Essencial para a formação da hemoglobina, ele ajuda o sangue a transportar oxigênio pelo corpo.
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Quando falta ferro, o organismo pode ter dificuldade para levar oxigênio adequadamente aos tecidos. Em casos mais avançados, pode ocorrer anemia ferropriva, condição que precisa de diagnóstico e tratamento. Por isso, o objetivo não é sair tomando suplemento, mas entender o papel do mineral, melhorar a qualidade da alimentação e saber quando procurar avaliação.
Para que serve o ferro?
O ferro é um mineral essencial para a produção de hemoglobina, proteína presente nas hemácias e responsável pelo transporte de oxigênio. Também participa da mioglobina, que ajuda a levar oxigênio aos músculos, e de processos ligados à produção de energia.
É por isso que a falta de ferro pode afetar a disposição. Quando o corpo não consegue transportar oxigênio de forma eficiente, atividades simples podem parecer mais cansativas. Subir escadas, caminhar, treinar ou manter concentração por muitas horas pode ficar mais difícil.
O Ministério da Saúde lembra que as anemias podem ser causadas por deficiência de vários nutrientes, como ferro, zinco, vitamina B12 e proteínas, mas a anemia por deficiência de ferro é uma das mais comuns. Isso reforça a importância de não presumir o diagnóstico apenas pelos sintomas. Cansaço não é sinônimo automático de falta de ferro.
Ferro heme e não heme
O ferro dos alimentos aparece em duas formas principais. O ferro heme está presente em alimentos de origem animal, como carnes, aves, peixes e vísceras. Ele costuma ser melhor absorvido pelo organismo.
O ferro não heme está em alimentos de origem vegetal, como feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha, tofu, espinafre, couve, sementes e cereais fortificados. Ele também é importante, mas sua absorção pode variar mais. Isso não significa que vegetarianos ou veganos não consigam atingir boas quantidades. Significa que precisam combinar melhor os alimentos e, em alguns casos, acompanhar exames com orientação profissional.
No prato brasileiro, feijão com arroz, folhas verdes e uma fonte de vitamina C já formam uma boa base. A alimentação não precisa ser sofisticada.
Alimentos ricos em ferro
Entre as fontes de origem animal, carnes vermelhas, frango, peixe, ovos e fígado concentram ferro em diferentes quantidades. O fígado é muito rico no mineral, mas não precisa ser consumido por todo mundo e deve ser avaliado com cuidado em gestantes e pessoas com restrições específicas.
Entre as fontes vegetais, feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha, soja, tofu, sementes de abóbora, gergelim, castanhas, aveia, quinoa, couve e espinafre podem ajudar. Cereais enriquecidos também podem contribuir, mas é importante olhar rótulos e evitar versões com muito açúcar.
A ideia é variar. Um almoço com feijão, legumes, salada e uma fruta cítrica depois já ajuda. Um lanche com pasta de grão-de-bico, sementes ou iogurte com aveia também pode entrar na rotina, dependendo das escolhas alimentares de cada pessoa.
Vitamina C ajuda na absorção
A vitamina C melhora a absorção do ferro não heme, aquele presente nos vegetais. Por isso, combinar feijão com limão, lentilha com tomate, grão-de-bico com pimentão ou folhas verdes com laranja pode ser uma estratégia simples.
Frutas como laranja, acerola, kiwi, morango, goiaba, limão e tangerina são boas parceiras. Não é preciso tomar suco em toda refeição. Às vezes, uma fruta de sobremesa ou algumas gotas de limão na salada já ajudam.
Por outro lado, café, chá preto, chá mate, alguns chás ricos em taninos e grandes quantidades de cálcio junto da refeição podem reduzir a absorção do ferro não heme em algumas situações. Isso não significa proibir café ou laticínios. Uma alternativa prática é evitar café imediatamente junto das principais refeições quando há preocupação com ferro baixo.
Quem deve prestar mais atenção
Mulheres com fluxo menstrual intenso, gestantes, adolescentes em fase de crescimento, vegetarianos, veganos, atletas de endurance, pessoas com dietas muito restritivas e indivíduos com doenças gastrointestinais podem ter maior risco de deficiência de ferro.
Quem treina muito também deve observar sinais. Queda inexplicada no rendimento, cansaço persistente, falta de ar fora do padrão, tontura, palpitações, unhas frágeis, palidez e dificuldade de concentração merecem investigação. Mas esses sintomas podem ter várias causas. O diagnóstico exige exame de sangue e avaliação profissional.
Suplemento não é para usar por conta própria
Suplementos de ferro podem ser necessários em alguns casos, mas não devem ser tomados sem orientação. Ferro em excesso também pode fazer mal e causar efeitos como náuseas, constipação, dor abdominal e sobrecarga em pessoas predispostas.
Além disso, suplementar sem investigar pode mascarar a causa real do problema. Se existe perda de sangue, alteração intestinal ou outra condição por trás da deficiência, é preciso identificar.
Energia começa no prato, mas não termina nele
Ferro é importante para músculos, energia e transporte de oxigênio. Mas ele é apenas uma parte da rotina. Dormir bem, comer o suficiente, treinar com recuperação, controlar estresse e manter acompanhamento de saúde também são fundamentais.
A melhor estratégia é construir um prato variado, com feijões, verduras, frutas ricas em vitamina C e, para quem consome, fontes animais de qualidade. Se o cansaço persiste ou aparece com outros sintomas, procure avaliação. Cuidar da energia também é investigar quando o corpo insiste em dar sinais.










