Ficar sentado por muito tempo parece inofensivo. O corpo relaxa, o trabalho anda e a rotina segue. O problema é que, enquanto a cadeira vira o centro do dia,
alguns músculos trabalham menos do que deveriam. Entre eles estão os glúteos, responsáveis por estabilizar a pelve, sustentar o quadril e ajudar em movimentos como caminhar, subir escadas, correr e levantar da cadeira.
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Quando essa musculatura passa horas pouco ativa, o corpo pode compensar com outras regiões. A lombar, os flexores do quadril, os posteriores da coxa e até os joelhos podem acabar assumindo funções que não eram para eles. É daí que vem a expressão popular “glúteos inativos”, às vezes chamada de “amnésia glútea”. O termo não deve ser entendido como diagnóstico, mas como uma forma simples de explicar baixa ativação muscular e perda de eficiência no movimento.
Por que os glúteos importam
Os glúteos são um grupo muscular poderoso. O glúteo máximo ajuda na extensão do quadril, importante para levantar, subir degraus e impulsionar o corpo. O glúteo médio e o glúteo mínimo participam da estabilidade lateral da pelve. Eles impedem que o quadril “caia” demais durante a caminhada, a corrida ou o apoio em uma perna só.
Essa estabilidade é essencial para distribuir melhor as forças entre coluna, quadril, joelhos e tornozelos. Um estudo publicado na Scientific Reports destaca que os músculos glúteos têm papel importante na transmissão de força entre membros inferiores e pelve, além de contribuírem para o suporte da coluna lombar.
O que acontece quando você passa horas sentado
Na posição sentada, os glúteos ficam apoiados e pouco exigidos. Ao mesmo tempo, os flexores do quadril permanecem encurtados. Quando essa postura se repete por muitas horas, o corpo pode se adaptar a ela. Algumas pessoas sentem rigidez na frente do quadril, dificuldade para ativar os glúteos em exercícios e maior tendência a sobrecarregar a lombar.
Pesquisas sobre dor lombar mostram relação importante entre quadril, pelve e região lombar. Uma revisão sistemática publicada em 2023 apontou que exercícios de fortalecimento do quadril aparecem associados à melhora de dor e incapacidade em pessoas com dor lombar não específica. O estudo não diz que todo desconforto vem dos glúteos, mas reforça a ligação biomecânica entre quadril e lombar.
Sinais de que vale prestar atenção
Glúteos inativos não são algo que se confirme apenas pela sensação. Ainda assim, alguns sinais podem indicar que a região merece mais cuidado. Dificuldade para sentir os glúteos trabalhando em agachamentos, pontes ou subidas de escada é um deles. Cansaço rápido nas pernas, rigidez no quadril depois de longos períodos sentado e dor lombar recorrente também merecem atenção.
Outro sinal comum é compensar movimentos com a lombar. Por exemplo: ao levantar do sofá, a pessoa sente mais a parte baixa das costas do que pernas e quadril. Ao subir escadas, sente esforço nos joelhos, mas quase nada nos glúteos. Isso não significa automaticamente lesão, mas pode indicar necessidade de melhorar controle e ativação.
Pausas simples já ajudam
O primeiro cuidado é quebrar longos blocos sentado. A cada 50 ou 60 minutos, levante-se por dois ou três minutos. Caminhe, fique em pé, suba um lance de escada ou faça alguns movimentos leves. Essas pausas não precisam virar treino. Elas servem para lembrar o corpo de sair da posição fixa.
Outra estratégia é incluir movimentos de ativação. A ponte de glúteos é simples: deite-se de barriga para cima, flexione os joelhos, apoie os pés no chão e eleve o quadril, contraindo os glúteos no alto. Faça de 8 a 12 repetições, sem arquear demais a lombar.
A abdução de quadril deitado de lado também pode ajudar. Deite-se lateralmente, mantenha a perna de baixo flexionada e eleve a perna de cima com controle. O movimento trabalha a lateral do quadril. Subir e descer de um degrau baixo, com atenção ao alinhamento do joelho, também ativa glúteos e pernas.
Não é só fortalecer: é aprender a usar
Treinar glúteos não significa apenas fazer exercícios pesados. Para muita gente, o primeiro passo é recuperar consciência corporal. Sentir a contração, controlar a pelve e evitar compensar com a lombar são detalhes importantes.
Um ensaio clínico de 2024 observou que treinamento de controle glúteo foi mais eficaz do que treino regular para melhorar dor lombar e disfunções em pacientes com dor lombar crônica e alteração funcional de comprimento dos membros. O resultado reforça que controle de movimento pode ser tão importante quanto força bruta em alguns casos.
Quando procurar ajuda
Se houver dor persistente, formigamento, perda de força, dor irradiando para a perna ou limitação importante para caminhar, subir escadas ou treinar, procure um fisioterapeuta ou médico. Glúteos fracos ou pouco ativos podem fazer parte do problema, mas não explicam tudo sozinhos.
No dia a dia, a mensagem principal é simples: sente menos tempo seguido, movimente o quadril com frequência e inclua exercícios básicos de ativação. Seus glúteos não precisam de um treino extremo para voltar a participar da rotina. Eles precisam ser chamados para trabalhar.
Fontes científicas: revisão sistemática sobre fortalecimento de quadril e dor lombar não específica; ensaio clínico sobre treinamento de controle glúteo em dor lombar crônica publicado na Scientific Reports.











