Nas academias e nas redes sociais, a discussão “LISS ou HIIT” ganha cada vez mais adeptos. De um lado, os defensores do cardio contínuo de baixa intensidade
argumentam que ele é mais sustentável e menos agressivo. Do outro, os fãs do treino intervalado de alta intensidade garantem que poucos minutos são suficientes para alcançar grandes resultados. A verdade é que os dois métodos têm papéis distintos dentro de um programa de exercícios, e a escolha depende do seu objetivo, condicionamento e disponibilidade de tempo.
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O que é LISS e quais são seus benefícios?
LISS é a sigla para Low‑Intensity Steady State, ou exercício contínuo de baixa intensidade. Na prática, significa manter o ritmo de atividade física em torno de 50% a 60% da sua frequência cardíaca máxima por um período prolongado. Esse tipo de treino inclui caminhadas longas, corrida leve ou pedaladas recreativas.
O LISS traz diversos benefícios. Por exigir menos esforço físico, ele reduz o estresse sobre o corpo e ajuda a remover metabólitos que causam dor muscular, contribuindo para a recuperação. Além disso, melhora a circulação, favorece a resistência cardiovascular e pode ser realizado em dias consecutivos, pois é de baixo impacto. Sessões típicas variam entre 30 e 45 minutos, mas podem chegar a 90 minutos, dependendo do objetivo. Por ser mais suave, o LISS é indicado para iniciantes, pessoas em reabilitação, fases de descanso ativo ou para quem busca um exercício relaxante ao ar livre.
O que é HIIT e quais são seus benefícios?
O HIIT, sigla em inglês para High‑Intensity Interval Training, consiste em alternar picos de atividade vigorosa — alcançando 80% a 100% da frequência cardíaca máxima — com períodos de recuperação ativa ou passiva. Uma metanálise publicada no Arquivos Brasileiros de Cardiologia afirma que o HIIT é igual ou superior ao treino contínuo de intensidade moderada em melhorar a aptidão cardiorrespiratória e a função vascular. Nos estudos analisados, o método foi capaz de reduzir a pressão arterial sistólica central em cerca de 3 mmHg e aumentar o VO₂ máximo em 2,5 mL/kg/min. Essa eficiência faz do HIIT um treino prático para quem tem pouco tempo, já que as sessões costumam durar de 10 a 30 minutos.
Apesar dos ganhos expressivos, o HIIT não é recomendado para todos. A própria definição de protocolo envolve atingir 80% a 100% do pico da frequência cardíaca, o que demanda preparo prévio e uma base cardiovascular sólida. Pessoas com doenças cardíacas, problemas articulares ou iniciantes devem buscar orientação profissional antes de tentar sessões de alta intensidade. Como a atividade é extenuante, o HIIT também exige mais tempo de recuperação e não deve ser realizado em dias consecutivos por iniciantes ou intermediários.
Vantagens e desvantagens de cada método
O grande trunfo do LISS é a acessibilidade. Por ser de baixo impacto e exigir menos esforço, ele pode ser praticado diariamente e durante períodos mais longos. Além de auxiliar na recuperação após treinos intensos, o LISS favorece a queima de gordura ao utilizar predominantemente a via aeróbica, sem o desconforto associado a picos de intensidade. A desvantagem é que o gasto calórico por minuto é menor e o tempo dedicado precisa ser maior para obter resultados comparáveis aos do HIIT.
O HIIT, por sua vez, promove adaptações rápidas. Estudos mostram que ele pode melhorar a capacidade cardiovascular e reduzir a pressão arterial com sessões curtas. A alternância de esforço e descanso acelera o metabolismo e mantém o consumo de oxigênio elevado por horas após o treino. Entretanto, por ser muito exigente, aumenta o risco de lesões musculares e de overtraining. O corpo precisa de dias de recuperação entre uma sessão e outra, o que limita a frequência do método. Além disso, sem orientação, muitas pessoas podem exagerar na intensidade e comprometer a execução correta dos exercícios.
Como escolher entre LISS e HIIT?
Não existe um “melhor” universal. A escolha deve considerar seu objetivo (perda de peso, ganho de condicionamento, manutenção da saúde), seu nível atual de condicionamento e o tempo disponível. Para iniciantes, indivíduos em reabilitação ou quem busca atividade de baixo impacto, o LISS é um ponto de partida seguro. Ele permite que o corpo se adapte ao esforço e cria uma base aeróbica sólida. Para praticantes mais avançados ou pessoas com agenda apertada, o HIIT oferece uma solução eficiente para melhorar a capacidade cardiorrespiratória e favorecer a perda de gordura.
A combinação dos dois métodos também é uma estratégia eficaz. É possível realizar uma sessão de LISS em dias de descanso ativo ou após um treino de força, e reservar o HIIT para 1 a 3 dias da semana, sempre respeitando a recuperação. Antes de iniciar qualquer programa, busque uma avaliação médica e acompanhe suas reações. Cada organismo responde de forma diferente, e a melhor escolha é aquela que se encaixa no seu estilo de vida e se mantém sustentável ao longo do tempo.










