Fones de ouvido fazem parte da rotina de milhões de pessoas. Eles acompanham o trajeto até o trabalho, as aulas, os momentos de lazer, os jogos eletrônicos
e até as atividades físicas. O problema não está simplesmente em usar fones, mas na combinação entre volume, tempo de exposição e frequência.
- SIGA O OTD NO WHATSAPP, YOUTUBE, TWITTER, INSTAGRAM, TIK TOK E FACEBOOK.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a exposição repetida a sons muito altos pode danificar estruturas responsáveis pela audição. O prejuízo pode aparecer inicialmente como zumbido ou sensação de ouvido abafado e, com exposições frequentes, evoluir para uma perda auditiva permanente.
No Brasil, o Ministério da Saúde também aponta o uso prolongado de fones em volume elevado como um dos fatores associados ao risco de perda auditiva, principalmente entre jovens.
[otd_relacionadas tag="treino" quantidade="4" titulo="Mais sobre treino"]
O problema é o fone ou o volume?
O principal fator de risco é a intensidade do som a que o ouvido fica exposto.
Um fone pode ser utilizado em volume relativamente baixo por determinado período sem representar o mesmo risco de uma exposição a volume elevado. Por isso, não existe uma regra simples dizendo que “usar fone por tantas horas faz mal”.
A OMS considera três fatores para avaliar a exposição: quanto mais alto o som, quanto maior o tempo de contato e quanto mais frequente a exposição, maior o risco.
Isso explica por que ouvir música muito alta durante várias horas todos os dias merece mais atenção do que uma utilização ocasional em volume confortável.
Como saber se o volume está alto demais?
Uma referência prática é observar se você precisa aumentar muito o volume para conseguir ouvir a música ou o podcast, especialmente em ambientes movimentados.
A OMS recomenda manter o volume do dispositivo em até 60% do máximo. Quando houver uma ferramenta capaz de medir a intensidade sonora, a organização recomenda manter a exposição média abaixo de 80 decibéis (dB).
Outra situação que merece atenção é quando uma pessoa próxima precisa falar muito alto para ser ouvida enquanto você está utilizando os fones.
O objetivo não é encontrar um número mágico no aparelho, já que diferentes dispositivos e fones podem produzir intensidades diferentes mesmo com a mesma porcentagem de volume.
Quanto tempo é seguro ouvir música?
O tempo considerado seguro diminui conforme aumenta a intensidade do som.
Segundo a OMS, uma exposição média de 80 dB pode chegar a 40 horas por semana. A 90 dB, esse tempo cai para aproximadamente quatro horas semanais. Em níveis ainda maiores, a margem diminui rapidamente.
A recomendação ajuda a entender por que volume e duração precisam ser considerados juntos.
Ouvir durante bastante tempo em volume baixo não equivale à mesma exposição de passar um período menor com o som muito elevado.
O cancelamento de ruído ajuda?
Pode ajudar, principalmente em ambientes barulhentos.
Quando há muito ruído ao redor, é comum aumentar o volume dos fones para conseguir ouvir a música ou a conversa. Fones bem ajustados e com cancelamento de ruído podem reduzir a necessidade de compensar o som externo aumentando o volume.
Isso não significa que um fone com cancelamento de ruído permita ouvir música em qualquer intensidade. O volume continua sendo importante.
A tecnologia deve ser usada como uma ferramenta para diminuir a exposição, e não como justificativa para aumentar o som.
Fazer pausas também importa
A exposição sonora não precisa ser contínua para merecer atenção.
Intercalar períodos de escuta com momentos em ambientes silenciosos reduz o tempo total de exposição. A OMS recomenda fazer pausas frequentes quando há contato com sons elevados. Em ambientes muito barulhentos, a organização sugere afastar-se das fontes sonoras e dar períodos de descanso aos ouvidos.
Essa recomendação também pode ser aplicada à rotina de quem passa várias horas por dia em reuniões, aulas, videogames ou chamadas utilizando fones.
Não é necessário esperar o ouvido apresentar algum sintoma para fazer uma pausa.
E se o ouvido começar a zumbir?
Zumbido depois de uma exposição a som alto pode ser um sinal de que os ouvidos foram submetidos a uma intensidade elevada.
A OMS recomenda atenção especial quando o zumbido é persistente ou quando surgem dificuldades para ouvir determinados sons ou acompanhar conversas. Nesses casos, é importante procurar avaliação profissional.
Outro sinal é perceber que passou a precisar aumentar cada vez mais o volume da televisão, do celular ou dos fones para ouvir.
A perda auditiva relacionada ao ruído pode acontecer gradualmente e não ser percebida imediatamente. O Ministério da Saúde também alerta que alterações auditivas podem passar despercebidas inicialmente.
Crianças e adolescentes também precisam de atenção
O cuidado não é exclusivo dos adultos.
A OMS recomenda que crianças utilizem dispositivos com recursos de escuta segura, como controle de volume e mecanismos que permitam aos responsáveis acompanhar a exposição. Quando possível, alto-falantes externos podem ser utilizados em vez de fones.
O Ministério da Saúde também chama atenção para o uso de fones em volume alto entre jovens e adolescentes.
Nesse grupo, o hábito pode se tornar parte da rotina durante estudos, jogos, vídeos e música. Por isso, ensinar desde cedo a controlar o volume pode ajudar na prevenção.
E em shows, festas e eventos esportivos?
O cuidado vale também para situações em que o som não vem dos fones.
Shows, boates, festivais, partidas esportivas e outros ambientes podem apresentar níveis elevados de ruído. A OMS recomenda manter distância de caixas de som e outras fontes muito intensas e utilizar proteção auditiva quando necessário.
Isso é especialmente importante para quem frequenta esses ambientes com frequência.
O risco não desaparece simplesmente porque o som não está vindo diretamente de um fone.
Cinco hábitos para ouvir com mais segurança
Algumas mudanças simples ajudam a diminuir a exposição sonora:
- Mantenha o volume abaixo de 60% do máximo sempre que possível.
- Faça pausas regulares durante períodos prolongados de uso.
- Prefira fones bem ajustados e com cancelamento de ruído em ambientes muito barulhentos.
- Use recursos de limite de volume e monitoramento de exposição disponíveis no celular ou no próprio fone.
- Dê atenção a zumbido, ouvido abafado ou dificuldade para acompanhar conversas.
Essas medidas não significam abandonar a música, os podcasts, os jogos ou as chamadas. A proposta é reduzir a exposição desnecessária a sons potencialmente prejudiciais.
O ouvido também precisa de descanso
O uso de fones não precisa ser encarado como um problema por si só. O cuidado está em evitar uma rotina de exposição excessiva.
Volume, tempo e frequência formam uma combinação que merece atenção. Quanto maior a intensidade do som, menor deve ser o período de exposição.
Por isso, diminuir o volume, fazer pausas e evitar compensar o barulho externo com som cada vez mais alto são atitudes simples para preservar a audição.
E se aparecer zumbido persistente, dificuldade para entender conversas ou qualquer mudança que não seja habitual, o caminho é procurar avaliação de um profissional de saúde. A perda auditiva relacionada ao ruído pode ser permanente, mas parte importante da exposição que aumenta esse risco pode ser evitada.











