Inspirar na descida e expirar na subida é uma das orientações mais repetidas nas academias. A regra pode ajudar iniciantes a coordenar a respiração e evitar
que segurem o ar sem perceber. No entanto, ela não precisa ser aplicada de forma rígida em todos os exercícios.
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Uma orientação prática é soltar o ar durante a parte mais difícil da repetição e inspirar durante a etapa mais fácil. No agachamento, por exemplo, a pessoa pode inspirar enquanto desce e expirar durante a subida. Na puxada, pode soltar o ar ao aproximar a barra do corpo e inspirar ao retornar.
O ponto mais importante para a maioria dos praticantes não é acertar uma divisão perfeita entre inspiração e expiração. É manter a respiração fluindo, sem permanecer vários segundos com o ar preso durante uma série comum.
É obrigatório soltar o ar na subida?
Não. Expirar durante a fase de maior esforço é uma orientação simples, mas não existe uma única sequência obrigatória para todos os movimentos.
Um estudo comparou diferentes padrões durante exercícios de força e observou respostas semelhantes da pressão arterial quando os participantes inspiravam ou expiravam durante a fase concêntrica. A elevação foi maior quando eles realizaram a manobra de Valsalva, caracterizada pela tentativa de expirar mantendo a passagem do ar fechada.
Isso indica que, em séries convencionais, evitar prender a respiração por muito tempo pode ser mais relevante do que tentar sincronizar cada segundo da repetição. A pessoa também precisa conseguir manter a postura e executar o movimento sem ficar excessivamente preocupada com a contagem do ar.
O que é a manobra de Valsalva?
A manobra de Valsalva acontece quando a pessoa inspira, fecha a glote e tenta expulsar o ar sem permitir que ele saia. Na musculação, isso costuma ocorrer junto de uma contração forte dos músculos do abdômen e do tronco.
A estratégia aumenta as pressões dentro do tórax e do abdômen. Esse efeito pode contribuir para a rigidez do tronco e para a estabilidade durante levantamentos com cargas muito altas. Por isso, a manobra aparece principalmente no levantamento de peso, no powerlifting e em tentativas próximas da carga máxima.
Ela não é, porém, apenas uma versão mais intensa de “prender a barriga”. O bloqueio da respiração também altera temporariamente a circulação e a resposta cardiovascular.
Prender a respiração aumenta a pressão arterial?
O treino de força já provoca elevações temporárias da pressão arterial, especialmente com cargas altas, esforço próximo da falha e participação de grandes grupos musculares. Segurar o ar pode acentuar essa resposta.
Em um experimento com dez homens treinados, a pressão arterial foi medida diretamente por um cateter durante o leg press. A manobra de Valsalva produziu valores maiores do que a expiração lenta durante o levantamento. O estudo avaliou esforços muito pesados e não representa uma série comum realizada por toda a população, mas demonstra como a técnica respiratória pode modificar a resposta aguda.
O Colégio Americano de Medicina do Esporte recomenda que pessoas com hipertensão evitem inspirar e segurar o ar durante o levantamento. A entidade alerta que a prática pode gerar respostas muito elevadas da pressão, além de tontura e desmaio.
A retenção do ar durante exercícios resistidos também pode acentuar alterações temporárias da pressão dentro dos olhos. Uma revisão sistemática encontrou variações maiores quando os exercícios envolviam apneia ou manobra de Valsalva.
Então a manobra de Valsalva deve ser proibida?
Não existe uma resposta única para todas as pessoas e situações. Atletas experientes podem usar uma retenção breve e planejada para estabilizar o tronco em levantamentos pesados. Isso é diferente de um iniciante segurar o ar involuntariamente durante uma série longa.
Uma revisão sobre o tema concluiu que a manobra aumenta a pressão intra-abdominal e pode ajudar na rigidez do tronco, mas ressaltou a necessidade de considerar as respostas cardiovasculares e as características individuais.
Para a maior parte das pessoas que treina por saúde, condicionamento ou ganho de massa muscular, não é necessário recorrer à técnica em todas as repetições. A atualização de 2026 do ACSM reforça que o treinamento progressivo melhora força, hipertrofia e função física, mas não estabelece que prender a respiração seja requisito para alcançar esses resultados.
Quem tem hipertensão, doença cardiovascular, histórico de desmaios ou alguma condição ocular deve conversar com um profissional de saúde antes de utilizar técnicas que envolvam esforço máximo e retenção deliberada do ar.
Como respirar durante os exercícios?
Para séries com cargas moderadas, uma sequência simples pode ajudar:
- inspire antes ou durante a fase mais fácil;
- solte o ar gradualmente durante o esforço;
- evite esvaziar completamente os pulmões logo no começo da repetição;
- volte a inspirar antes da repetição seguinte;
- diminua a carga se não conseguir respirar sem perder a técnica.
Não é necessário fazer uma inspiração exageradamente profunda em todas as repetições. Respirar de maneira forçada demais também pode atrapalhar o ritmo e causar sensação de falta de ar.
Em séries longas, a pessoa não deve tentar completar todas as repetições com uma única inspiração. O ideal é permitir que novos ciclos respiratórios aconteçam durante o exercício.
O que fazer quando aparece tontura?
Tontura, visão escurecida ou sensação de desmaio são sinais para interromper a série e colocar o peso em segurança. A pessoa deve sentar ou permanecer apoiada até se recuperar.
Esses sintomas podem aparecer após retenção prolongada do ar, esforço excessivo ou mudança rápida de posição. Quando se repetem, surgem com dor no peito, palpitações ou falta de ar intensa, precisam de avaliação profissional.
A respiração deve colaborar com o exercício, e não virar mais uma fonte de tensão. Para quem está começando, soltar o ar no momento de maior esforço é uma referência útil. Conforme as cargas aumentam, a técnica pode ser ajustada com orientação, mas prender a respiração não deve acontecer de forma automática ou descontrolada.











