Começar a correr é um passo importante para quem busca saúde e bem‑estar, mas envolve mais do que calçar o primeiro par de tênis que encontrar. O calçado
certo ajuda a reduzir o impacto nas articulações, evita dores e aumenta a durabilidade do treino. A seleção, no entanto, não depende apenas da cor ou do preço; fatores como o tipo de pisada, a diferença de altura entre calcanhar e antepé (drop), o nível de amortecimento e o ajuste do número são determinantes. Este guia explica de forma simples como avaliar cada um desses aspectos antes de investir em um modelo novo.
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Entenda o seu tipo de pisada
A pisada se refere à forma como o pé toca o solo durante a corrida. Existem três tipos principais:
- Neutra – o pé aterrissa de forma equilibrada, sem rotação excessiva. Quem tem pisada neutra pode escolher entre uma grande variedade de modelos.
- Pronada – o pé gira para dentro ao tocar o chão. Nesses casos, especialistas recomendam tênis com suporte medial para controlar o movimento e distribuir melhor a carga.
- Supinada – o pé gira para fora. Para esse grupo, calçados com amortecimento neutro e flexível ajudam a absorver o impacto e favorecer a estabilidade.
A forma mais precisa de identificar sua pisada é realizar um teste em lojas especializadas ou consultar um fisioterapeuta. Observar o desgaste da sola do tênis antigo também dá pistas: desgaste mais acentuado na parte interna indica pronação; na externa, supinação; e desgaste uniforme aponta para pisada neutra. Conhecer a própria pisada permite escolher calçados que corrijam ou acomodem a mecânica do pé, reduzindo o risco de dores e lesões.
O que é drop e por que ele importa
O drop é a diferença de altura entre o calcanhar e o antepé. Esse fator influencia a forma como o pé pousa no chão e como a força se distribui ao longo da passada. Um drop alto (entre 10 e 12 mm) favorece a aterrissagem com o calcanhar e é comum entre iniciantes. Já um drop baixo (entre 0 e 6 mm) estimula o contato do mediopé e costuma agradar corredores mais experientes. Não existe drop “certo” ou “errado”; o ideal é avaliar sua técnica de corrida e conforto. Se você costuma pousar com o calcanhar, um drop mais alto pode ser benéfico. Se corre com o mediopé ou antepé, experimentar drops menores pode proporcionar uma sensação mais natural. O importante é fazer a transição gradualmente para evitar sobrecarga nos músculos e tendões.
Amortecimento: macio, responsivo ou firme?
Além do drop, o nível de amortecimento deve estar alinhado aos objetivos e ao tipo de treino. Espumas macias, como as de modelos com placas de ar ou espuma extra, oferecem conforto e são ideais para treinos longos ou recuperação. Espumas responsivas, que retornam parte da energia da passada, são indicadas para treinos de ritmo ou provas de média distância. Já os calçados com amortecimento firme — geralmente com placas de carbono — oferecem máxima propulsão e são pensados para provas rápidas. Para iniciantes ou quem ainda está adaptando o corpo ao impacto da corrida, amortecimentos macios ou intermediários proporcionam proteção extra; atletas experientes podem alternar entre diferentes tipos conforme o ciclo de treinos.
Ajuste e tamanho corretos
Um detalhe simples, mas frequentemente negligenciado, é o ajuste do número. Durante a corrida, os pés podem inchar e se movimentar dentro do tênis. Por isso, é recomendado deixar uma pequena folga entre o dedo mais longo e a ponta do calçado, geralmente perto de 1 cm. O ideal é experimentar os tênis no final do dia, quando os pés estão mais dilatados, ou após uma pequena caminhada. Além disso, verifique se o calcanhar está estável (sem escorregar) e se o meio do pé não está comprimido. Uma amarração firme, mas não apertada, ajuda a manter o pé seguro sem impedir a circulação.
Considere a superfície e o seu peso
O terreno em que você pretende correr também influencia a escolha. Para correr no asfalto, modelos com solado de borracha durável e boa absorção de impactos costumam ser suficientes. Trilhas exigem solados com travas e reforços para proteger contra pedras e irregularidades. Na esteira, qualquer modelo funciona, mas corredores que buscam velocidade podem preferir tênis mais leves. Outro ponto é o peso do corredor: pessoas com peso corporal mais elevado se beneficiam de calçados com mais estrutura e amortecimento, enquanto corredores mais leves podem usar modelos minimalistas sem problemas.
Dicas finais e quando trocar o tênis
Escolher o tênis certo envolve experimentar diferentes modelos e ouvir o próprio corpo. O processo pode incluir visitar lojas com análise de pisada, pesquisar avaliações de usuários e consultar profissionais de educação física ou fisioterapia. Vale lembrar que os tênis têm vida útil limitada; sinais de desgaste na sola, perda de amortecimento e desconforto indicam que é hora de trocá‑los. Em média, a vida útil varia de 500 a 800 quilômetros, mas depende da qualidade do material e da forma de uso. Manter um diário de corridas ou aplicativo com registro das distâncias ajuda a controlar a quilometragem e planejar a substituição.
Conclusão
Investir em um bom par de tênis é investir na própria saúde. Identificar seu tipo de pisada, entender o significado de drop, escolher o nível de amortecimento adequado e garantir um ajuste confortável são passos básicos para correr com mais segurança. Considerar a superfície onde você treina e seu peso corporal complementa essa análise, permitindo encontrar o modelo que melhor se adapta às suas características. Com o calçado certo, o corredor iniciante ganha mais confiança e conforto, e reduz o risco de lesões. Lembre‑se de que as orientações são gerais; em caso de dúvidas ou dores persistentes, consulte um profissional especializado para avaliar sua pisada e orientar na escolha.










