O texto a seguir é parte de uma reportagem em sete capítulos:
O último soviético - e outras histórias do programa espacial da URSS
AAlexei Leonov estava brincando quando disse aos americanos que havia vodka
na despensa da Soyuz
Alexei Leonov estava brincando quando disse aos americanos que havia vodka na despensa da Soyuz [leia no texto "O aperto de mãos"]. Mas os cosmonautas degustaram bebida alcoólica no espaço em várias ocasiões. Em 1984, Igor Volk embarcou rumo à estação espacial Salyut-7 levando uma garrafa de conhaque (segundo ele, escondida dentro da roupa). Esse hábito começou antes, e virou uma certa tradição – a ponto de causar pelo menos uma divertida surpresa.
O cosmonauta Georgy Grechko, que esteve em três estações da série Salyut durante os anos 1970, contou que, ao inspecionar um traje usado para a prática de exercícios físicos no espaço, encontrou uma garrafa de 500 ml com um tônico natural de ginseng (planta medicinal). Mas, quando abriu o frasco, viu que era conhaque, deixado por outro cosmonauta.
Bebeu um golinho por dia, até matar a metade da garrafa, mas aí não conseguiu mais. O problema era que, na microgravidade do espaço, ar e líquido têm o mesmo “peso", ou seja, quase nenhum. Por isso, o que sobrou de conhaque ficou preso dentro do frasco e não saía de jeito nenhum. Segundo Grechko, os tripulantes que o sucederam bolaram um jeito, fazendo movimentos bruscos com a garrafa.
Valery Ryumin, que participou de três Soyuz e esteve duas vezes nas estações Salyut, disse ter levado ao todo 6 litros de conhaque armênio para suas missões.
A prática nem sempre era escondida. O cosmonauta Valeri Polyakov abriu uma garrafa de champanhe para celebrar o Ano-Novo a bordo da estação Mir, em 1995. Dois anos mais tarde, um veículo não tripulado colidiu com a Mir, abrindo um buraco na fuselagem. Uma situação bem grave, que os cosmonautas conseguiram contornar isolando a área afetada.
Um deles, Alexander Lazutkin, contou ter tomado conhaque para acalmar os nervos após resolver o problema – e disse que a bebida fazia parte da alimentação oficial. Atualmente, a Roscosmos (agência espacial russa) não permite o consumo de álcool no espaço.
É a mesma política adotada pela Nasa. Mas Buzz Aldrin bebeu um golinho de vinho, como parte de uma cerimônia religiosa a bordo da Apollo 11, logo após pousar na Lua, em 1969. Ao voltar à Terra, Aldrin passou uma década lutando contra o alcoolismo, até alcançar a sobriedade em 1978.











