Responda rápido: repolho e couve têm o mesmo gosto? E que tal brócolis e couve-flor? São vegetais parecidos para você? Pois saiba que, para a ciência, todos esses são a mesma espécie de planta, a Brassica
oleracea.
O grupo inclui: repolho, brócolis, couve-flor, couve, couve-de-bruxelas, couve-galega, couve-de-savóia, couve-rábano e brócolis chinês, entre outras. Mas como pode ser tudo a mesma coisa? Bem, existe uma diferença.
O que muda entre esses alimentos não é a espécie, mas sim a variedade cultivada. Na ciência, “variedade” é um termo usado para descrever um grupo que possui características hereditárias distintas, mas que ainda pertence à mesma espécie. Por esse motivo, compartilham a maior parte do genoma e podem cruzar entre si.
As variedades podem surgir tanto espontaneamente na natureza como por meio de seleção artificial, como é o caso destes vegetais — inclusive, para produtos agrícolas que surgiram assim, o nome mais formal é “cultivar” em vez de variedade. Ao longo de milhares de anos, humanos selecionaram características específicas da Brassica oleracea, criando formas diferentes a partir do mesmo ancestral selvagem.
Por exemplo:
- o repolho foi selecionado por folhas compactas;
- o brócolis por flores imaturas aumentadas;
- a couve-flor por massas florais deformadas;
- a couve-de-bruxelas por gemas laterais grandes;
- a couve-rábano por um caule engrossado;
- a couve e a couve-galega por folhas grandes;
- a couve-de-savóia por folhas enrugadas;
- o gai lan (“brócolis chinês”) por folhas e talos tenros.
Embora apenas algumas dezenas sejam populares ao redor do mundo, cientistas já descreveram 332 cultivares diferentes de Brassica oleracea, a maioria delas cultivada apenas em alguns países ou comunidades.
O engraçado é que, mesmo esses vegetais sendo tão populares na culinária mundial, ainda não se sabe exatamente como tantas variedades surgiram.
É certo que os mecanismos foram os de sempre: domesticação, seleção artificial, mutações e cruzamentos. Mas como algumas linhagens se desenvolveram e quais ancestrais selvagens participaram do processo são pontos que ainda geram dúvidas.
Alguns pesquisadores sugerem que cruzamentos com outras espécies ou populações selvagens de Brassica podem ter contribuído para parte dessa diversidade. Este artigo científico tenta resumir a discussão, reunindo as hipóteses de vários autores. Sente só o drama:
“Por exemplo, Neutrofal (1927) sugeriu que B. montana era a progenitora do repolho e que B. rupestris era a progenitora do couve-rábano, enquanto Schulz (1936) identificou B. cretica como a progenitora apenas da couve-flor e do brócolis. Helm (1963) propôs uma origem tripla na qual uma única espécie progenitora deu origem à couve-flor, ao brócolis e ao brócolis de broto, enquanto a couve e a couve-de-bruxelas derivaram de outra espécie selvagem desconhecida.”
É realmente um assunto repolhoso, digno de novela. Felizmente, na hora do almoço, ninguém precisa se preocupar com que vegetal é filho de quem.











