O ministro do Exterior da Alemanha, Johann Wadephul, afirmou nesta sexta-feira (22/05) que seu governo gastará mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em defesa em 2026 e já está a caminho de atingir
a meta de 5% acordada no ano passado pelos Estados-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Wadephul enfatizou a disposição de Berlim em assumir maiores responsabilidades de liderança na aliança militar do Ocidente, em meio aos planos dos Estados Unidos de retirar milhares de soldados americanos da Europa. Recentemente, Washington anunciou a retirada de 5 mil soldados de suas bases em solo alemão, o que gerou perplexidade entre os membros da aliança.
No entanto, nesta quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu de enviar mais 5 mil soldados americanos à Polônia, surpreendendo as nações aliadas. Trump justificou a medida citando suas boas relações com o presidente conservador nacionalista Karol Nawrocki.
O anúncio parece ser um recuo da decisão comunicada abruptamente no início de maio para retirar igual contingente de soldados americanos da Alemanha, após o chefe da Casa Branca se irritar com críticas do chanceler federal alemão, Friedrich Merz, sobre a guerra de EUA e Israel no Irã.
Berlim quer novo acordo de compartilhamento de encargos
Na reunião dos ministros do Exterior dos países da Otan, nesta sexta-feira, Wadephul afirmou que Berlim pretende assumir maiores responsabilidades dentro da aliança, o que poderá servir para apaziguar Washington. "Nosso objetivo é um novo acordo de compartilhamento de encargos que reflita o potencial econômico e militar da Alemanha e da Europa”, disse o ministro.
Nesta quinta-feira, antes do encontro na cidade sueca de Helsingborg, o ministro assegurou que "a Alemanha aceita sua responsabilidade de liderança", e pretende atingir a meta de gastos equivalentes a 5% do PIB e fortalecer as capacidades de defesa” o mais rápido possível.
Na cúpula da Otan de 2025, os Estados-membros concordaram que todos deveriam, no futuro, investir pelo menos 3,5% de seus respectivos PIBs em gastos com defesa. Outros 1,5% devem ser destinados a gastos relacionados à defesa, como infraestrutura, elevando a meta total para 5% ao ano até 2035.
Interesses em comum dos dois lados do Atlântico
Wadephul também expressou otimismo quanto à possibilidade de se chegar a um acordo com os EUA sobre um futuro compartilhado para a Otan durante a cúpula da aliança militar do Atlântico Norte, em julho, em Ancara, na Turquia.
A insatisfação de Trump com a aliança poderá acabar se tornando uma questão central na cúpula. Wadephul, no entanto, aposta em interesses em comum dos dois lados do Atlântico.
Nesta sexta-feira, Wadephul disse que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, "enfatizou fortemente os pontos em comum da Otan" durante o encontro na Suécia.
Segundo o ministro, Rubio "se expressou no mesmo espírito que todos nós, de que queremos e vamos enviar um sinal de unidade e coesão em Ancara". Também ficou claro "que agora é preciso trabalhar juntos de forma construtiva para resolver os desafios do futuro", acrescentou.
Por fim, Wadephul também propôs intensificar a cooperação em defesa entre a Otan e a Ucrânia com o objetivo de acelerar a produção de armamentos.
rc (DPA, Reuters)















