Uma fuga de ar detectada recentemente na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) que obrigou cinco dos sete astronautas em órbita a se refugiarem temporariamente em uma área segura do complexo
voltou a alimentar temores sobre a segurança da estrutura.
Pequenos vazamentos na estação vêm sendo monitorados desde 2019. Segundo a Nasa, os vazamentos de ar têm sido relativamente pequenos nos últimos meses, mas se intensificaram na última sexta-feira (05/06).
Na ocasião, cinco astronautas chegaram a permanecer cerca de duas horas abrigados na cápsula Dragon "Freedom" da SpaceX, acoplada à estação — conhecida como um "refúgio seguro" — prontos para retornar à Terra caso a situação piorasse. A medida foi tomada como precaução após a detecção de um vazamento de ar na área russa da estação. Durante esse tempo, dois cosmonautas russos permaneceram na estação para fazer reparos.
A decisão da Nasa de encerrar o confinamento ocorreu depois que a agência espacial russa Roscosmos suspendeu temporariamente os trabalhos de reparo no túnel de transferência PrK, conectado ao módulo de serviço Zvezda, com a justificativa de que precisaria analisar novos dados e medições sobre o vazamento. Ainda não foi divulgado quando uma nova tentativa de reparo deve ser feita.
A Nasa informou que o problema já está presente nesse módulo "há algum tempo" e destacou que continuará colaborando com a agência russa para tratar o problema de forma conjunta.
"A segurança da tripulação e dos sistemas a bordo não está em risco; a pressão dentro da ISS é estável e se mantém no nível previsto", informou a Roscosmos.
Quão excepcional é uma fuga de ar na ISS?
Segundo especialistas do setor espacial, esse tipo de ocorrência não é tão surpreendente quanto parece. "É preciso sempre ter em mente o tamanho da ISS”, explica Jan Wörner, ex-diretor da Agência Espacial Europeia (ESA). "Em uma infraestrutura tão grande, sempre existem certas taxas de fuga nas conexões".
O risco maior surge quando há uma falha localizada em materiais, como selos oujuntas, o que pode fazer a perda de ar evoluir de maneira imprevisível. Nesses casos, evacuações temporárias fazem parte dos protocolos de segurança.
Desgaste após anos de uso
O módulo russo Zvezda, peça central do incidente, apresenta sinais de desgaste após décadas de uso. O especialista Georgi Trishkin aponta a presença de microfissuras em soldas antigas e outros defeitos estruturais.
"O principal problema é o desgaste da área de acoplamento", afirmou. O módulo já passou por 66 acoplamentos — mais do que qualquer outro na estação — e cada operação representa uma carga adicional sobre a estrutura.
Essas fugas vêm sendo registradas há aproximadamente sete anos, com resultados variáveis nos reparos. Desta vez, trata-se de uma nova fuga, não relacionada a consertos anteriores, o que torna a identificação da causa mais complexa.
Equipe a bordo e operações
Atualmente, a ISS abriga os quatro integrantes da missão SpaceX Crew-12 — entre eles o cosmonauta russo Andrey Fedyaev — , o astronauta da Nasa Chris Williams e outros dois cosmonautas russos. O módulo Zvezda, lançado em 2000, desempenha funções essenciais, como suporte à vida, controle de voo, fornecimento de energia e acoplamento de naves Soyuz e Progress.
Apesar das tensões geopolíticas, especialmente a guerra da Rússia contra a Ucrânia, a cooperação internacional na estação continua envolvendo Estados Unidos, Rússia, Canadá, Japão e a ESA.
Segundo a operadora SpaceX, a nave Dragon tem capacidade para até sete pessoas.
Futuro da estação
A Nasa planeja encerrar as operações da Estação Espacial Internacional até o final de 2030 e realizar sua desorbitação em 2031, depois de mais de três décadas de serviço desde o seu lançamento em 1998. A agência pretende substituir a ISS por plataformas comerciais em órbita terrestre baixa para continuar pesquisas em microgravidade e testes tecnológicos.
Enquanto isso, incidentes como este reforçam tanto os desafios quanto a robustez de uma das maiores realizações da colaboração científica internacional.
le (dpa, efe, ots)











