O governo da Rússia teria consumido quase totalmente suas reservas financeiras, e a economia do país estaria entrando em uma fase crítica, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (11/06) pelo Instituto
Kiel para a Economia Mundial (IfW, na sigla em alemão), na Alemanha, e o Instituto de Estocolmo para Economias de Transição (SITE, na sigla em inglês), na Suécia.
"Nos primeiros anos da guerra contra a Ucrânia, a economia russa se mostrou mais resiliente do que muitos esperavam, mas agora as reservas estão esgotadas", afirma o presidente do IfW, Moritz Schularick.
O crescimento econômico praticamente parou, enquanto a dependência da China aumenta. Segundo Schularick, preços mais altos do petróleo devido aos conflitos no Golfo Pérsico devem ter apenas efeitos temporários.
De acordo com relatório do IfW, os ativos líquidos do fundo soberano russo caíram de 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no início da guerra para apenas 1,8% em abril. O déficit do orçamento federal já teria superado, no primeiro trimestre, a meta prevista para todo o ano.
Já as receitas de petróleo e gás teriam caído 45% no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Limitações estruturais
A Rússia, diz o estudo, enfrenta não apenas desafios financeiros, mas também estruturais. "A principal restrição hoje não é o acesso a dinheiro, mas sim a mão de obra, tecnologia e capacidade produtiva", diz o coautor Matthew Klein.
Embora o governo possa mobilizar mais recursos financeiros, o aumento dos gastos tende a elevar o risco de inflação, especialmente diante de um mercado de trabalho em nível recorde de escassez e de sanções internacionais.
Crescente dependência da China
O país liderado por Xi Jinping já responde por cerca de 35% do comércio exterior russo, além de fornecer a maior parte dos bens críticos e componentes com uso civil e militar que ainda chegam.
A China foi responsável por cerca de três quartos do aumento das importações russas de componentes militares sancionados desde 2022. "A Rússia encontrou um porto seguro econômico, mas a China ganhou influência", aponta a coautora Alicia Garcia-Herrero.
Para a pesquisadora, enquanto Moscou precisa cada vez mais de Pequim para comércio, tecnologia e finanças, os chineses mantêm liberdade para definir os termos da relação.
Um tarifaço da UE contra a Rússia?
A crescente vulnerabilidade econômica da Rússia abre espaço para ações mais eficazes por parte de países ocidentais.
Entre as medidas sugeridas estão restrições adicionais à chamada "frota fantasma" da Rússia, uma rede de antigos petroleiros usados para exportar petróleo bruto ao exterior, contornando sanções internacionais.
Também são recomendados controles mais rígidos de exportação, especialmente voltados a fornecedores chineses, além de iniciativas para reduzir as receitas russas com exportações.
O IfW propõe ainda tarifar o comércio remanescente entre União Europeia (UE) e Rússia, que em 2025 somou 57,2 bilhões de euros. A arrecadação seria destinada ao apoio à Ucrânia e para aumentar a pressão sobre Moscou.
Segundo o relatório, uma "tarifa de apoio à Ucrânia" poderia gerar entre 11 e 16 bilhões de euros por ano.
"A ideia central é simples: enquanto houver comércio com a Rússia, a Europa deve usá-lo para apoiar a Ucrânia", afirma Julian Hinz, chefe do grupo de pesquisa em política comercial do IfW.
A proposta inclui tarifas de 30% a 50% tanto sobre importações quanto sobre exportações entre os dois lados.
A Rússia iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022. O conflito segue sem perspectiva de término, e Moscou controla atualmente cerca de um quinto do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.
ht/ra (Reuters, dpa, ots)
---------
Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.













