Ataques de drones ucranianos provocaram incêndios em instalações industriais nas regiões russas de Tula e Yaroslavl, segundo os respectivos governadores. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou
neste domingo (14/06) que os ataques foram uma resposta à recusa da Rússia em encerrar a guerra.
Na região de Tula, ao sul de Moscou, o governador Dmitry Milyaev relatou que destroços de um drone abatido caíram nas instalações de uma fábrica de produtos químicos em Novomoskovsk.
Vídeos e relatos não confirmados surgiram nas redes sociais mostrando um incêndio, sugerindo que a instalação Azot – uma das maiores fábricas de produtos químicos da Rússia – havia sido atingida.
Local importante para economia de guerra
O local é importante para a economia de guerra russa. A fábrica produz principalmente fertilizantes, mas também componentes para a produção de munições na indústria de defesa.
Inicialmente, o governador não forneceu detalhes sobre a extensão dos danos ou possíveis riscos à saúde da população.
Em Oryol, a cerca de 350 quilômetros a oeste de Moscou, um drone atingiu um edifício residencial de vários andares, informou o governador Andrei Klychkov. Uma pessoa morreu no ataque e outras oito ficaram feridas, disse ele. A autoridade também publicou fotografias dos danos.
Na região de Yaroslavl, o governador Mikhail Yevrayev relatou um ataque de drone contra instalações industriais usadas para armazenamento de combustível. Um incêndio começou, mas não houve feridos, afirmou.
Depósito de combustível
O serviço de inteligência ucraniano (SBU) informou, mais tarde no domingo, que vários drones atingiram um depósito de combustível em Rybinsk, utilizado como reserva estatal.
O SBU declarou que o combustível armazenado no local, incluindo gasolina e diesel, estava sendo usado para abastecer o exército russo e, portanto, constituía um alvo legítimo.
Um vídeo divulgado por Zelenski mostrava um grande incêndio, com nuvens de fumaça negra e drones sobrevoando a área.
"A Ucrânia está executando seu plano de sanções de longo alcance contra a Rússia", escreveu Zelenski na rede social X. "Oferecemos à liderança russa todos os formatos possíveis de negociação, e a única resposta foi a continuidade da agressão e tentativas de expandi-la."
"É lógico que a guerra esteja retornando à sua origem", acrescentou.
"Alertas em 28 regiões russas"
O Ministério da Defesa da Rússia informou, na manhã de domingo, que um total de 249 objetos aéreos foram abatidos em várias regiões. O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, informou que vários ataques com drones foram repelidos.
O Aeroporto Zhukovsky, na capital, teve de ser fechado devido a um alerta de ataque aéreo. Restrições também foram impostas no Aeroporto Domodedovo.
Zelenski elogiou as ações, afirmando que os ataques dispararam alertas aéreos em 28 regiões russas.
Restrições de voo foram aplicadas em seis aeroportos, escreveu o presidente ucraniano.
Ucrânia intensifica ataques de longo alcance
A Ucrânia vem resistindo à invasão russa em larga escala há mais de quatro anos. Nos últimos meses, intensificou ataques com drones de longo alcance contra instalações industriais e refinarias na Rússia, visando empresas vitais para o esforço de guerra do país.
Houve relatos de escassez de combustível em postos de gasolina em Moscou e São Petersburgo, bem como na república central do Tartaristão.
A situação é particularmente difícil na península da Crimeia, no Mar Negro, anexada pela Rússia em 2014. No entanto, o governo russo insiste que a situação está sob controle.
A Rússia tem respondido os ataques ucranianos com drones e mísseis direcionados a vários pontos da Ucrânia. No entanto, analistas afirmam que, no campo de batalha, a ofensiva russa apresenta sinais de perda de fôlego.
Moscou diz que avança em Kostiantynivka
As forças russas estão avançando nos combates urbanos na cidade de Kostiantynivka, no leste da Ucrânia (região de Donetsk), informou o Ministério da Defesa em Moscou neste domingo.
As forças colocaram mais de 100 edifícios adicionais da cidade sob controle russo, disse o ministério de Moscou. No sudoeste da cidade, unidades cercadas das Forças Armadas ucranianas foram destruídas, acrescentou a pasta.
Os militares ucranianos haviam reconhecido recentemente que enfrentavam uma situação difícil na cidade.
O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), sediado em Washington, afirmou em uma análise que a capacidade da Ucrânia de defender Kostiantynivka estava se deteriorando. Ao mesmo tempo, especialistas apontaram que Moscou utilizava declarações detalhadas para criar uma impressão de presença russa maior do que a que realmente existia.
A liderança de Kiev vinha afirmando recentemente que havia detido o avanço russo e retomado territórios. No entanto, até mesmo mapas ucranianos mostram forças russas avançando pela cidade industrial – que sofreu grande destruição –, embora em ritmo mais lento do que durante os meses de inverno.
Rússia quer controle do Donbass
Observadores militares independentes consideram possível que Kostiantynivka caia nos próximos meses. Putin ficaria, então, mais próximo de seu objetivo de colocar o Donbass totalmente sob controle russo. Das maiores cidades da região de Donetsk, apenas Sloviansk, Kramatorsk e Druzhkivka permaneceriam, então, sob controle ucraniano.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que o avanço das forças de Moscou em direção a Kostiantynivka levou a Ucrânia a evacuar instalações estratégicas nas cidades vizinhas de Kramatorsk e Druzhkivka.
Putin declarou que o controle total da região de Donetsk é um objetivo central da guerra e uma pré-condição para negociações de cessar-fogo.
Reino Unido intercepta navio-tanque da frota fantasma russa
Em outra notícia relacionada à guerra, forças britânicas interceptaram neste domingo um navio-tanque de petróleo sujeito a sanções e pertencente à "frota fantasma" da Rússia, enquanto a embarcação atravessava o Canal da Mancha, informou o Ministério da Defesa.
"Na primeira operação desse tipo liderada pelo Reino Unido, a embarcação SMYRTOS foi abordada por comandos da Marinha Real (Royal Marines) e agentes da Agência Nacional de Combate ao Crime", dizia o comunicado do ministério.
A Rússia depende de sua frota fantasma para vender petróleo e, ao mesmo tempo, contornar sanções – o que, por sua vez, financia o conflito na Ucrânia.
"Esta operação bem-sucedida desfere mais um golpe contra a Rússia e lembra àqueles que alimentam a guerra de Putin na Ucrânia que não permitiremos que se escondam", afirmou o premiê britânico, Keir Starmer, em uma publicação na rede social X.
md (DPA, AFP, Reuters)













