Uma cerimônia organizada pelo governo da Alemanha para marcar o 82º aniversário da fracassada tentativa do oficial alemão Claus von Stauffenberg de assassinar Adolf Hitler terminou em confusão nesta segunda‑feira
(20/07).
Tobias Korenke, sobrinho‑neto do teólogo Dietrich Bonhoeffer, figura ligada à resistência ao nazismo, tentou retirar uma coroa de flores colocada pela bancada da ultradireitista Alternativa para Alemanha (AfD) no memorial do Bendlerblock, em Berlim.
A ação foi registrada por um fotógrafo da agência dpa, e seguranças intervieram. Durante o confronto, a coroa acabou danificada.
O Bendlerblock, que hoje abriga o Memorial da Resistência Alemã, foi o centro da conspiração de 20 de julho de 1944, quando oficiais liderados por Stauffenberg tentaram assassinar Hitler com uma bomba e derrubar o regime nazista. Quatro pessoas morreram no atentado. Hitler sofreu queimaduras, mas sobreviveu. Stauffenberg foi executado no pátio do próprio complexo.
A data passou a ser lembrada como símbolo daqueles que se opuseram ao nazismo.
"Muitos descendentes, e eu me incluo entre eles, sentem uma grande indignação quando vemos a AfD depositando coroas de flores aqui. Não vamos aceitar isso", disse Korenke à dpa.
Na Alemanha, as políticas defendidas pela AfD recebem críticas frequentes de opositores ao autoritarismo, que veem em parte de sua agenda um risco aos princípios democráticos.
A bancada da AfD no Bundestag (Parlamento alemão) confirmou ter enviado a coroa, sem esclarecer se membros do partido estiveram presentes. Götz Frömming, chefe do Grupo de Trabalho de História da legenda, disse que a participação em cerimônias oficiais é comum devido à representação parlamentar.
Bonhoeffer foi figura proeminente contra o nazismo
Há consenso entre historiadores que Bonhoeffer, tio-avô de Tobias Korenke, compôs a rede de resistência que apoiava o plano de derrubar Hitler e aprovava o complô como parte desta estratégia.
Contudo, Bonhoeffer não participou diretamente da execução do atentado. A partir de 1940, passou a atuar na Abwehr, o serviço de inteligência militar alemão, onde se formou um núcleo da resistência ao nazismo. Integrou círculos de oposição a Hitler e apoiou atividades clandestinas, incluindo auxílio a perseguidos pelo regime. Em abril de 1943, antes do atentado, foi preso por seu envolvimento nessas atividades.
Após o fracasso da conspiração, documentos encontrados pela Gestapo (a polícia secreta nazista) revelaram suas ligações com os conspiradores, o que levou a sua execução em 1945, poucas semanas antes do fim da Segunda Guerra Mundial.
Nesta segunda-feira, a ministra da Família, Karin Prien (CDU), relatou que sua bisavó foi assassinada no campo de extermínio de Sobibor e destacou que a resistência de 20 de julho lembra que a democracia depende da responsabilidade cidadã. "As pessoas não nascem heroínas; aprendem a assumir responsabilidades muito antes de a liberdade e a dignidade humana estarem em jogo", disse.
No mesmo local, onde funciona o Ministério Federal da Defesa, houve uma cerimônia solene de juramento de 240 recrutas em homenagem à data.
gq/ra (dpa, OTS)
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