Martinho da Vila, 88, gosta de jogar xadrez, compor sambas inesquecíveis, assistir aos shows da filha Mart’nália e beber cerveja. E, claro, de cantar, ofício que exerce há mais de cinco décadas e que o mantém
rodando o Brasil com vigor neste ano, em sua última grande turnê.
O cantor e compositor fluminense estreia o novíssimo show Pai e Filha, em que divide o palco com a parceira de sangue e samba, neste sábado (30), no Rio de Janeiro. As cidades de Campina Grande (3/7), Brasília (18/7), São Paulo (25/7), Belo Horizonte (4/9), Fortaleza (10/10), Recife (17/10) e Salvador (23 e 24/10) serão as próximas.
Desde o primeiro disco, homônimo, de 1969, o artista é patrimônio da música brasileira. Do hit inaugural, Casa de Bamba, a outros sucessos como Canta Canta, Minha Gente, Mulheres e Disritmia, Martinho tem uma das vozes e canetas mais importantes da história do samba.
A despedida dos grandes palcos não será uma aposentadoria. Ele prepara um disco de inéditas, que terá parcerias com nomes como Gilberto Gil. Nesta edição da coluna Atemporal da Bravo!, descubra curiosidades e memórias afetivas do bamba.
MEMÓRIAS DE DUAS BARRAS
Martinho da Vila nasceu em Duas Barras, na Região Serrana do Rio de Janeiro, e foi para a capital com apenas quatro anos. “A principal memória que tenho de lá é de brincar no terreiro. As crianças comiam terra naquele tempo. Agora ninguém come mais porque está tudo asfaltado e cimentado (risos).”
LEMBRANÇAS MILITARES
Martinho da Vila traçou carreira militar entre 1956 e 1969, antes de cair no samba. “Quando servia no Ministério do Exército, ali ao lado da Central do Brasil, eu era datilógrafo. Me davam ofícios para datilografar e eu batia sem ver. Às vezes o chefe dizia: "Martinho, bota o papel aí". Eu batia logo e retirava, sem nem saber o que eu datilografei (risos).”
AS COMIDAS FAVORITAS
Eu gosto de sopa. Minha mãe fazia umas sopinhas gostosas e me dava quando era bem novinho. A feijoada da Dona Limara, minha filha, é imbatível. E arroz com ovo é bom. Se tiver uma couve do lado, então…
E AS BEBIDAS…
Cerveja e chopp.
ÍDOLOS DO BAMBA
Quando se fala em samba-enredo, Martinho tem duas referências: os compositores Silas de Oliveira (1916-1972), do Império Serrano, e Walter Rosa (1925-2002), da Portela.
COMO NASCEU CANTA CANTA, MINHA GENTE?
A música Canta Canta, Minha Gente nasceu de um pedido em um programa de rádio. "Martinho, queria uma música para o pessoal cantar", disseram. Então fiz: "Canta, canta, minha gente, deixa a tristeza para lá, canta forte, canta alto, que a vida vai melhorar.”
E DISRITMIA?
Disritmia é uma doença, a pessoa é “disritmada”. Tem gente assim. E “disritmado” também é um cara que está bêbado. Conversando sobre isso com uma amiga psicóloga, resolvi fazer uma música. Não foi inspirada em ninguém, veio do ar.
UM HOBBY DIFERENTE
No início da entrevista, enquanto esperávamos mais uma pessoa chegar, Martinho aproveitou e praticou o seu passatempo favorito. “Eu gosto de jogar xadrez, mas é difícil achar parceiro. Então jogo no computador. Tinha uma amiga que gostava de jogar, ela disse que eu precisava aprender e me ensinou.”











