A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) divulgou a lista atualizada de 100 filmes brasileiros essenciais segundo os profissionais filiados à organização. Em comemoração aos seus 15 anos
— a Abraccine foi fundada em 2011 — a entidade volta a eleger os 100 filmes brasileiros mais importantes de todos os tempos, dez anos após a primeira votação.
Além de incluir filmes lançados no período de 2016 a 2026, como o vencedor do Oscar
Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, e o indicado ao Oscar O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, a nova listagem traz mais filmes dirigidos por mulheres e pessoas negras e está organizada por ordem de lançamento.A associação reúne mais de 180 críticos e busca um olhar mais diverso sobre a produção nacional. Durante as votações, foram citados 1 169 títulos de diversas épocas, entre curtas e longas-metragens, até chegar na lista definitiva de 100 nomes.
Os escolhidos vão de 1931 a 2025 e passam por movimentos do cinema brasileiro como a chanchada, o Cinema Novo, o Cinema Marginal e a Retomada. A maioria dos filmes mais antigos da lista está disponível gratuitamente no YouTube. Vale conferir.
O período de maior destaque
Filmes lançados nos anos 60 são maioria na lista da Abraccine. No total, 27 longas lançados de 1960 a 1969 figuram entre os 100 filmes brasileiros mais importantes.
O período inclui o lançamento de clássicos como O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte; Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos; À meia noite levarei sua alma (1964), de José Mojica Marins; Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha; São Paulo Sociedade Anônima (1965), de Luiz Sergio Person; e O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla, apenas para citar alguns.
A importância dos anos 60 pode ser entendida pela explosão de movimentos cinematográficos importantes que, em comum, tinham o combate à Ditadura Militar, como o Cinema Novo, que surgiu como uma resposta aos filmes comerciais que faziam sucesso no Brasil. Sob o lema “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, cineastas como Glauber e Pereira dos Santos buscaram uma arte engajada, movida pelas preocupações sociais e enraizada na cultura brasileira.
Ainda no final dos anos 60, explode também o Cinema Marginal, de Sganzerla e Mojica, caracterizado por filmes experimentais à margem dos circuitos de exibição, em geral de baixo orçamento, produzidos principalmente na Boca do Lixo, centro de São Paulo. Os cineastas se diziam insatisfeitos com os rumos que o Cinema Novo havia tomado.
Os 100 filmes brasileiros essenciais segundo a Abraccine
Os anos 80 são o segundo período com mais filmes na lista, dezoito, seguido pela década de 70, com dezesseis longas. Há cinco dos anos 90, doze dos anos 2000, doze lançados a partir de 2010, sendo quatro desde 2022. Há ainda dois filmes da década de 30 e da de 40.
A lista será lançada em forma de livro, com textos críticos dedicados a cada um dos 100 filmes, numa publicação que será lançada no final do ano, pela editora Letramento, com organização de Ivonete Pinto, Danilo Fantinel e Paulo Henrique Silva.
Confira abaixo os 100 filmes brasileiros essenciais segundo a Abraccine.
1. Limite (1931), Mário Peixoto
2. Ganga bruta (1933), Humberto Mauro
3. O ébrio (1946), Gilda de Abreu
4. Também somos irmãos (1949), José Carlos Burle
5. Carnaval Atlântida (1952), José Carlos Burle
6. O cangaceiro (1953), Lima Barreto
7. Rio, 40 graus (1955), Nelson Pereira dos Santos
8. Rio, Zona Norte (1957), Nelson Pereira dos Santos
9. O grande momento (1958), Roberto Santos
10. O homem do Sputnik (1959), Carlos Manga
11. Aruanda (1960), Linduarte Noronha
12. O assalto ao trem pagador (1962), Roberto Farias
13. O pagador de promessas (1962), Anselmo Duarte
14. Os cafajestes (1962), Ruy Guerra
15. Porto das caixas (1962), Paulo Cezar Saraceni
16. Vidas secas (1963), Nelson Pereira dos Santos
17. À meia noite levarei sua alma (1964), José Mojica Marins
18. A velha a fiar (1964), Humberto Mauro
19. Deus e o diabo na terra do sol (1964), Glauber Rocha
20. Noite vazia (1964), Walter Hugo Khouri
21. Os fuzis (1964), Ruy Guerra
22. A falecida (1965), Leon Hirszman
23. A hora e vez de Augusto Matraga (1965), Roberto Santos
24. São Paulo Sociedade Anônima (1965), Luiz Sergio Person
25. A entrevista (1966), Helena Solberg
26. O padre e a moça (1966), Joaquim Pedro de Andrade
27. Todas as mulheres do mundo (1966), Domingos de Oliveira
28. A margem (1967), Ozualdo Candeias
29. Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967), José Mojica Marins
30. O caso dos irmãos Naves (1967), Luiz Sergio Person
31. O menino e o vento (1967), Carlos Hugo Christensen
32. Terra em transe (1967), Glauber Rocha
33. O bandido da luz vermelha (1968), Rogério Sganzerla
34. A mulher de todos (1969), Rogério Sganzerla
35. Macunaíma (1969), Joaquim Pedro de Andrade
36. Matou a família e foi ao cinema (1969), Julio Bressane
37. O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969), Glauber Rocha
38. O despertar da besta (Ritual dos sádicos) (1970), José Mojica Marins
39. Sem essa, Aranha (1970), Rogério Sganzerla
40. Um é pouco, dois é bom (1970), Odilon Lopez
41. Bang bang (1971), Andrea Tonacci
42. S. Bernardo (1972), Leon Hirszman
43. Toda nudez será castigada (1972), Arnaldo Jabor
44. Alma no olho (1973), Zózimo Bulbul
45. Compasso de espera (1973), Antunes Filho
46. Os homens que eu tive (1973), Tereza Trautman
47. A rainha diaba (1974), Antonio Carlos da Fontoura
48. Iracema, uma transa amazônica (1975), Jorge Bodanzky e Orlando Senna
49. Dona Flor e seus dois maridos (1976), Bruno Barreto
50. Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), Hector Babenco
51. Mar de rosas (1977), Ana Carolina
52. A lira do delírio (1978), Walter Lima Jr.
53. Tudo bem (1978), Arnaldo Jabor
54. A mulher que inventou o amor (1980), Jean Garrett
55. Bye bye Brasil (1980), Carlos Diegues
56. O homem que virou suco (1980), João Batista de Andrade
57. Pixote, a lei do mais fraco (1980), Hector Babenco
58. Eles não usam black-tie (1981), Leon Hirszman
59. Os saltimbancos trapalhões (1981), J.B. Tanko
60. Das tripas coração (1982), Ana Carolina
61. Pra frente Brasil (1982), Roberto Farias
62. Onda Nova (1983), Ícaro Martins e José Antonio Garcia
63. Amor maldito (1984), Adélia Sampaio
64. Cabra marcado para morrer (1984), Eduardo Coutinho
65. Memórias do cárcere (1984), Nelson Pereira dos Santos
66. A hora da estrela (1985), Suzana Amaral
67. A marvada carne (1985), André Klotzel
68. Filme demência (1986), Carlos Reichenbach
69. Ilha das Flores (1989), Jorge Furtado
70. Que bom te ver viva (1989), Lúcia Murat
71. Superoutro (1989), Edgard Navarro
72. Alma corsária (1993), Carlos Reichenbach
73. Carlota Joaquina, princesa do Brazil (1995), Carla Camurati
74. Terra estrangeira (1995), Daniela Thomas e Walter Salles
75. Baile perfumado (1996), Lírio Ferreira e Paulo Caldas
76. Central do Brasil (1998), Walter Salles
77. O auto da compadecida (2000), Guel Arraes
78. Bicho de sete cabeças (2001), Laís Bodanzky
79. Lavoura arcaica (2001), Luiz Fernando Carvalho
80. Cidade de Deus (2002), Fernando Meirelles e Kátia Lund
81. Edifício Master (2002), Eduardo Coutinho
82. Madame Satã (2002), Karim Aïnouz
83. Cinema aspirinas e urubus (2005), Marcelo Gomes
84. O céu de Suely (2006), Karim Aïnouz
85. Serras da desordem (2006), Andrea Tonacci
86. Jogo de cena (2007), Eduardo Coutinho
87. Saneamento básico, o filme (2007), Jorge Furtado
88. Santiago (2007), João Moreira Salles
89. Trabalhar cansa (2011), Juliana Rojas e Marco Dutra
90. O som ao redor (2012), Kleber Mendonça Filho
91. O menino e o mundo (2013), Alê Abreu
92. Branco sai, preto fica (2014), Adirley Queirós
93. Que horas ela volta? (2015), Anna Muylaert
94. Aquarius (2016), Kleber Mendonça Filho
95. Arábia (2017), Affonso Uchoa, João Dumans
96. As boas maneiras (2017), Juliana Rojas e Marco Dutra
97. Marte Um (2022), Gabriel Martins
98. Mato seco em chamas (2022), Adirley Queirós e Joana Pimenta
99. Ainda estou aqui (2024), Walter Salles
100. O agente secreto (2025), Kleber Mendonça Filho











