O cineasta Luiz Carlos Barreto morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos. Ele estava internado desde segunda-feira (20) no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para tratar
uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia.
O Barretão, como era conhecido pelos colegas, ajudou a revolucionar a forma de financiar, realizar e distribuir filmes no Brasil por meio da produtora LC Barreto. Responsável por mais de 100 títulos, ele esteve à frente de sucessos gigantescos de público e crítica, como
Bye Bye Brasil (1979), de Cacá Diegues, Memórias do Cárcere (1984), de Nelson Pereira dos Santos, e o fenômeno Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto, que por mais de três décadas ostentou o título de maior bilheteria do cinema nacional.Barreto nasceu em Sobral, no Ceará, em 20 de maio de 1928. Antes de se tornar um dos maiores produtores do país, trabalhou como fotógrafo da revista “O Cruzeiro”. Foi numa viagem à Bahia pela revista que conheceu Glauber Rocha, durante as filmagens de seu primeiro longa-metragem, Barravento (1962). A partir daí, Barretão se tornou peça fundamental do Cinema Novo no Brasil.
Ele produziu filmes essenciais desse período do cinema brasileiro – considerado o mais importante da trajetória da sétima arte nacional. Entre eles, estão: Vidas Sescas (1963), de Nelson Pereira dos Santos; O Padre e a Moça (1966), de Joaquim Pedro de Andrade; e Terra em Transe (1967) e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), de Rocha.
Levou o Brasil a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional em duas ocasiões: com O Quatrilho (1995) e com O Que É Isso, Companheiro? (1997). Este último, dirigido por seu filho, Bruno Barreto.
Ele ainda colaborou com o diretor Andrucha Waddington no filme Casa de Areia (2005). É de Barretão a ideia original que deu origem à história protagonizada por Fernanda Torres e Fernanda Montenegro.
O velório de Luiz Carlos Barreto será realizado nesta quinta-feira (23), às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo, seguido de cerimônia de cremação no Memorial do Caju. Barreto deixa a esposa, a também produtora Lucy Barreto, com quem dividiu a vida por 71 anos, dois filhos, nove netos e oito bisnetos.











