O disco de estreia de Céu, que colocou o seu nome no mapa da música brasileira e internacional em 2005, virou livro pelas mãos da jornalista Fabiane Pereira, com lançamento nesta sexta-feira (24) na Flip
2026.
É o mais novo capítulo da coleção O Livro do Disco, da editora Cobogó, que desde 2014 convida críticos, pesquisadores e músicos a analisar álbuns importantes de artistas nacionais.
Em Céu: Céu (Cobogó, R$ 75,00), a autora mergulha no primeiro passo fonográfico da carreira da cantora e compositora paulistana, que trazia hits como Malemolência e Lenda.
"Eu apresentava o programa Faro na MPB FM, que lançava artistas da nova cena. Lembro do disco já chegar com um burburinho. Não consegui ir ao show de lançamento, e dias depois as pessoas continuavam comentando sobre. Foi quando decidi ouvir com atenção, e me encantei", conta Fabiane, que também é radialista, apresentadora e mestre em Comunicação pelo Instituto Universitário de Lisboa.
O livro se soma a um movimento de publicações da coleção sobre discos mais recentes, vide Letrux: Em noite de climão (Cobogó, 2025), de Roberta Martinelli.
Um disco que abriu caminhos
O álbum Céu (2005) une MPB à linguagem do hip-hop, com samples e batidas, mistura que ainda tinha cheiro de novidade. "Naquele momento, era quase um disco único. Os outros artistas contemporâneos não conversavam exatamente com o que ela estava fazendo", diz a autora.
Em 2007, o trabalho foi lançado nos Estados Unidos pelo selo Starbucks Hear Music Debut — foi a primeira artista estrangeira a entrar no projeto —, em que os CDs podiam ser comprados nas próprias cafeterias da marca.
A obra foi indicada ao Grammy como Melhor Álbum de World Music Contemporânea, em 2008. "Esse disco é muito contemporâneo e extremamente pioneiro em muitos aspectos, mas também revisita a MPB tradicional. Tanto que tem uma releitura de Ronco da Cuíca, de João Bosco e Aldir Blanc", destaca Fabiane.
Os caminhos que o álbum abriu na cena musical foram importantes para artistas que apareceram depois, como Maria Gadú, Ana Cañas, Tiê e Tulipa Ruiz. "Estamos falando de uma época em que poucas mulheres cantavam o que escreviam. Esse disco inaugurou muitas questões", afirma a jornalista.
O livro também destaca a relação de Céu com a black music, a importante vivência em Nova York, no fim dos anos 1990, e sua timidez. "Em 2005 ela era um bichinho do mato mesmo, era muito difícil para ela estar em cima de um palco. Uma menina criada em São Sebastião, no litoral de São Paulo, jogada em Nova York. E de repente vira a musa da nova MPB. Isso gerou um desconforto muito grande", conta.
Lançamento em Paraty
O lançamento oficial do livro (que já pode ser adquirido no site da cobogo.com.br) acontece nesta sexta-feira (24), ao meio-dia, durante a 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).
A mesa acontece na Casa Sete Selos + Gama, Megafauna e Supersônica (Loja Flavia Aranha, Rua Dona Geralda, 302), com mediação de Laura Capanema e participações da própria Céu e de Mateus Baldi, que escreveu livro sobre o disco Transa, de Caetano Veloso.







