Nos últimos anos, o uso de whey protein, creatina e outros suplementos alimentares se tornou um dos assuntos mais comentados quando o tema é nutrição e estilo
de vida. Mas, na última semana, o debate voltou ao centro das atenções após a influenciadora fitness Carol Borba afirmar, em entrevista ao PodShape, que inclui os produtos na rotina da filha de apenas três anos.
“Vira e mexe, faço o whey para mim e para ela. E aí, na internet, o povo cai matando em cima de mim. Dou whey, dou creatina para ela. Já pesquisei e já me falaram”, contou.
O perigo da banalização
O relato rapidamente repercutiu nas redes sociais e dividiu opiniões, reacendendo discussões sobre o uso precoce desses produtos e os excessos envolvendo suplementação. O assunto ganhou tamanha proporção que levou até mesmo a Sociedade Brasileira de Pediatria a se manifestar.
“O whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes, impulsionados por estratégias de marketing e pela influência das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem orientação profissional”, afirmou a entidade em nota.
A nutricionista e diretora executiva da Associação Brasileira de Suplementos Alimentares (BASNUTRI), Aline Goettet, explica que o principal problema está na banalização desses produtos, que possuem finalidades nutricionais específicas e não devem ser tratados apenas como alternativas “mais saudáveis” para o cotidiano infantil.
“Entendo que muitos pais vejam o whey como uma opção mais proteica ou prática no dia a dia, especialmente diante do excesso de açúcar presente em alguns produtos infantis. Mas é importante lembrar que whey protein e creatina não são equivalentes a alimentos comuns do cotidiano infantil e não devem ser vistos simplesmente como substitutos de achocolatados”, destaca.
A ideia que se constrói sobre o corpo
Mais do que as questões nutricionais, o tema também levanta um alerta sobre a forma como crianças e adolescentes estão construindo a relação com o próprio corpo.
“Existe hoje uma cultura de hiperperformance que chegou muito cedo aos adolescentes. Muitas vezes, vemos jovens preocupados com suplementos antes mesmo de consolidarem hábitos básicos”, relata a nutricionista.
Principalmente durante essa fase de formação da autoestima e da identidade, especialistas alertam para o perigo da ideia de que “mais é sempre melhor”. Entre os principais riscos estão:
- excesso de proteínas sem necessidade;
- substituição de refeições completas;
- relação inadequada com alimentação e imagem corporal;
- consumo influenciado por redes sociais e padrões estéticos;
- uso precoce sem avaliação individualizada.
“Crianças e adolescentes devem construir uma relação saudável com alimentação, corpo e saúde — e não antecipar a lógica da performance e da suplementação. A relação saudável com a comida é um dos maiores patrimônios que uma criança pode desenvolver. A adolescência não deveria ser marcada por pressão estética ou performance a qualquer custo”, afirma Aline.
Quando a suplementação pode ser indicada
Mas a ideia aqui não é transformar os produtos em grandes vilões. Afinal, eles também possuem aplicações importantes quando utilizados corretamente.
“Na prática clínica, o whey protein pode eventualmente ser utilizado em adolescentes em situações específicas, principalmente quando existe dificuldade de atingir as necessidades proteicas apenas pela alimentação”, explica a especialista.
O whey também pode ser recomendado para adolescentes atletas que necessitam de melhor recuperação muscular.
“Mas é importante reforçar que os benefícios não vêm apenas do suplemento. Eles dependem de uma combinação de alimentação equilibrada, sono adequado, atividade física e acompanhamento profissional”, pontua.
Além disso, as necessidades proteicas dessa fase da vida costumam ser atingidas por meio da alimentação natural, especialmente considerando que muitos suplementos são produtos ultraprocessados. Entre os principais alimentos ricos em proteína estão leite e derivados, ovos, carnes, iogurtes, queijos e leguminosas.
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