Embora muitas pessoas associem o câncer de mama a um único diagnóstico, são os subtipos da doença que ajudam a definir o tratamento, os efeitos colaterais
e a qualidade de vida das pacientes. A compreensão sobre essas diferenças avançou: 94% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama sabem qual é o seu subtipo , segundo pesquisa do Datafolha encomendada pela AstraZeneca. No levantamento anterior, o índice era de 44%.
“Se eu disser que meu nome é Cris, você não sabe nada sobre mim. Existem milhares de Cris. Quando eu digo Cris Bartis, fica mais fácil me rastrear. Com câncer de mama funciona igual. Câncer de mama é o nome, e o subtipo é o sobrenome”, diz Cris Bartis, apresentadora do Mamilos Podcast e do talk sobre o assunto na Casa Clã Mama 2026, evento da Revista CLAUDIA para estimular conversas sobre o assunto.
Apesar do avanço demonstrado na pesquisa, a comunicação com as pacientes ainda apresenta falhas. No estudo, 33% das entrevistadas sentiram falta de clareza nas informações sobre exames e tratamento, e 35% disseram que faltou atenção para ouvir suas dúvidas e preocupações. Além disso, 43% sentiram falta de espaços para trocar experiências com outras mulheres na mesma situação.
Por que entender o subtipo do câncer de mama é necessário?
O subtipo ajuda a orientar o tratamento e a prever possíveis efeitos colaterais. Outros fatores também são importantes para as decisões médicas, como o tipo e o grau do tumor, que fornecem informações sobre as características das células cancerígenas.
“O tipo do câncer ajuda a entender como as células estão se organizando no corpo”, explica Solange Sanches, mestra em oncologia pela USP e coordenadora da Equipe Mama. “O grau vai de 1 a 3 e indica o quanto elas se diferenciam das células da mama. Quanto maior o grau, maior a diferença em relação a essas células.”
Rede de apoio ajuda mulheres a enfrentar o câncer de mama
Helena Galante, diretora da Revista CLAUDIA, compartilhou sua experiência após receber o diagnóstico de câncer de mama, em 2025. Durante o tratamento, contar com pessoas próximas nas consultas foi importante para lidar com o processo.
“Sempre fui para todas as consultas acompanhada, e isso me tranquilizava. Sou uma pessoa do laço, gosto de ter gente querida por perto. É uma sorte”, afirmou. Ela também contou que costumava anotar dúvidas e fazer perguntas para sua médica. “Não ia fazer faculdade de medicina depois de descobrir o câncer, então precisava confiar nela.”
Para Helena, expressar o que sentia era fundamental. “Entrei numa jornada desconhecida para mim. O que precisava fazer era dizer o que estava sentindo, e eu disse. Teve consulta em que chorei, em que disse que estava doendo a articulação. Meu papel como paciente era dar a informação sobre o que sentia.”
Fertilidade deve ser discutida antes do tratamento do câncer
Outro tema abordado foi a fertilidade. Solange destacou a importância de discutir o desejo reprodutivo da paciente desde o início do tratamento, uma vez que terapias oncológicas podem comprometer a fertilidade.
“O peso sobre a fertilidade não tem que cair sobre a paciente. O médico que está falando com ela precisa conversar. Precisamos saber qual é o desejo reprodutivo dessa mulher, porque [ser mãe] pode ser o desejo dela”, afirmou.
De acordo com Solange, embora nem todas as pacientes tenham a fertilidade comprometida, o assunto precisa ser discutido. “Às vezes, a paciente está tão concentrada no tratamento do câncer de mama que ela nem quer saber da fertilidade, mas a gente precisa conversar, mesmo que seja na consulta seguinte.”
Fim do tratamento não significa recuperação imediata
Ainda que uma pessoa se informe sobre a doença, a chegada do diagnóstico pode trazer dúvidas. “Mesmo jornalistas, que estão acostumados a fazer pesquisas, nesse contexto estão imersos em questões complexas sobre a própria saúde”, comentou Juliana Wallauer, também apresentadora do Mamilos Podcast e mediadora do talk.
A médica também chamou a atenção para o período após o tratamento. O fim das sessões não significa recuperação imediata da saúde física e emocional, e a rede de apoio precisa compreender esse processo.
“As pessoas terminam o tratamento e as que estão ao redor acreditam que, no dia seguinte, tudo vai voltar a ser como era. É preciso um tempo. E as pessoas também precisam ir além do ‘se precisar de algo, me avisa’”, afirmou Solange.
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