Popularizados como ferramentas de relaxamento, aromatização de ambientes e até conexão espiritual, velas perfumadas e incensos se tornaram parte da rotina
de muitas pessoas. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com os possíveis impactos desses produtos na saúde, especialmente em relação ao risco de câncer. Mas, afinal, quais são os perigos?
Embora não sejam totalmente proibitivos, esses itens podem causar problemas. “Incensos e velas aromáticas, ao queimar, liberam material particulado fino e gases irritantes que podem piorar sintomas respiratórios, especialmente em pessoas com asma, rinite ou doença pulmonar obstrutiva crônica”, explica o pneumologista Ernando Sousa, pesquisador colaborador do Laboratório da Respiração da UFC.
Incenso e velas aromáticas aumentam o risco de câncer?
O maior estudo já realizado para analisar a relação entre uso de incenso e câncer acompanhou a saúde de 61 mil pessoas em Singapura. Nesse levantamento, o Singapore Chinese Health Study mostrou que o uso de incenso é seguro em quantidades normais e que o risco de câncer é muito pequeno, praticamente inexistente.
Outras pesquisas indicam que a queima de incenso em ambientes fechados pode aumentar a presença de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), substâncias químicas associadas ao risco de câncer.
A queima de qualquer tipo de material orgânico, como tabaco e carvão, libera HAPs. A existência dessas substâncias no ar não representa, por si só, um perigo imediato. O fator decisivo é a quantidade e o tempo de exposição.
“Há estudos que sugerem uma associação entre o uso frequente de incenso e um maior risco de câncer de pulmão, embora essa relação ainda não seja definitiva”, diz Ernando. "No caso das velas aromáticas, as evidências são mais limitadas, embora também possam impactar negativamente a qualidade do ar interno."
O que você respira ao acender incenso e velas?
A queima de incensos e velas libera uma mistura de substâncias potencialmente tóxicas. “Libera material particulado fino, que são compostos orgânicos voláteis, além de gases irritantes e hidrocarbonetos potencialmente cancerígenos”, de acordo com o médico.
Essas partículas são pequenas o suficiente para penetrar profundamente nos pulmões. “As substâncias alcançam os alvéolos pulmonares, gerando inflamação crônica e estresse oxidativo” A longo prazo, esse processo pode contribuir para doenças como bronquite crônica e para o agravamento de quadros respiratórios já existentes.
Frequência de uso e ventilação da casa influenciam o risco
Frequência de uso, ambientes fechados e mal ventilados e o tipo de produto aumentam o risco. “Quanto mais frequente e prolongada a queima, maior a exposição acumulada a partículas e gases irritantes. Ambientes fechados ou mal ventilados concentram esses poluentes, aumentando o impacto respiratório.” Ele ressalta que “o uso ocasional em ambientes bem ventilados tende a ser seguro”.
Os tipos de incenso e velas fazem diferença para a saúde?
A composição dos produtos altera o perfil das emissões. “Incensos industrializados costumam conter aglutinantes, combustíveis e corantes artificiais que liberam substâncias mais irritantes”, diz ele.
No caso das velas, também há diferenças. “Aquelas feitas de parafina, um derivado do petróleo, tendem a liberar mais resíduos químicos e fuligem do que opções feitas de ceras vegetais ou de abelha.”
As versões aromáticas ainda contêm fragrâncias que, ao serem aquecidas, liberam substâncias adicionais e aumentam o potencial de sensibilização das vias aéreas.
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