Ao revelar que convive há anos com a queda das pálpebras, Cindy Crawford trouxe para o debate uma mudança que muitas pessoas começam a notar ainda antes
dos 50 anos: a região dos olhos costuma envelhecer antes do restante do rosto. Basta uma perda discreta de firmeza para que o olhar passe a transmitir cansaço, mesmo após uma boa noite de sono.
Embora rugas sejam o sinal mais lembrado, o envelhecimento dessa área envolve um conjunto de alterações que vão além das linhas de expressão. A pele fica mais fina, perde sustentação, pode apresentar manchas e, em alguns casos, as pálpebras passam a recobrir mais os olhos. Hoje, a dermatologia já dispõe de tratamentos capazes de atuar em diferentes aspectos desse processo ao mesmo tempo, em vez de corrigir apenas um sinal isolado.
Segundo o médico Guilherme Triches, da Onne Clinic (RJ), essa vulnerabilidade tem explicação anatômica.
"A pele das pálpebras é a mais fina do corpo. Além disso, ela possui menos colágeno e fibras elásticas do que outras regiões da face, fazendo com que a perda dessas estruturas se torne mais evidente ao longo dos anos", explica.
O especialista acrescenta que a musculatura da região trabalha constantemente para permitir os movimentos dos olhos. Esse uso contínuo favorece o aparecimento da flacidez e das linhas de expressão.
"Também existe um acúmulo importante dos danos provocados pela exposição solar. Com o envelhecimento, ainda ocorre uma reabsorção do osso da órbita enquanto o globo ocular perde volume, criando um espaço maior que contribui para a aparência de olhos mais fundos e reduz a sustentação das pálpebras."
Nem toda mudança está relacionada apenas às rugas
Embora as linhas de expressão sejam um dos sinais mais conhecidos, elas representam apenas uma parte do processo de envelhecimento da região dos olhos.
Ao longo dos anos, a pele perde elasticidade, a sustentação diminui e alterações estruturais passam a influenciar a aparência do olhar. O resultado pode ser uma combinação de flacidez, retração das pálpebras, pequenas manchas e perda de firmeza.
Por isso, segundo Guilherme Triches, os tratamentos também evoluíram.
"Hoje conseguimos abordar diferentes alterações ao mesmo tempo, tratando tanto a qualidade da pele quanto aspectos estruturais da região."
Como o laser atua no rejuvenescimento das pálpebras?
Entre as tecnologias utilizadas atualmente está o laser de CO₂ híbrido, indicado para melhorar diferentes aspectos da pele ao redor dos olhos.
Segundo o médico, o equipamento promove pequenas colunas microscópicas de ablação que removem tecido danificado e estimulam a produção de novo colágeno.
"O laser permite tratar simultaneamente as camadas mais superficiais da pele, melhorando rugas finas e pequenas manchas, enquanto também atua em camadas mais profundas relacionadas à flacidez."
Como parte da pele permanece preservada durante o procedimento, o processo de cicatrização tende a acontecer de forma mais rápida.
Por que combinar tecnologias?
Em vez de apostar em um único tratamento, a dermatologia estética tem investido na associação de diferentes tecnologias para potencializar os resultados.
No caso do rejuvenescimento da região dos olhos, uma das combinações reúne o laser de CO₂ com a tecnologia Fiber, que atua em profundidades diferentes da pele.
"O CO₂ trabalha principalmente na superfície, promovendo remodelação da pele, enquanto a tecnologia Fiber alcança camadas mais profundas sem provocar dano superficial, estimulando a formação de novo colágeno", explica Guilherme Triches.
Segundo ele, essa combinação permite tratar diferentes aspectos do envelhecimento ao mesmo tempo.
"Os estudos mostram que essa associação pode proporcionar recuperação mais rápida, menor desconforto e resultados mais precoces quando comparada ao uso isolado do laser de CO₂."
O tratamento é igual para todo mundo?
Apesar dos avanços tecnológicos, o especialista ressalta que não existe um procedimento único capaz de atender todos os pacientes.
A escolha do tratamento depende da idade, das características da pele, do grau de flacidez e dos objetivos de cada pessoa.
"Hoje o foco não é apenas tratar um sinal isolado do envelhecimento, mas avaliar o rosto de forma global para oferecer um resultado natural e respeitar as características individuais de cada paciente", afirma.
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