“L” e “V”. Com certeza, você já se deparou com essa combinação de duas letras entrelaçadas, acompanhadas de motivos florais em tons da paleta marrom. Em
muitos casos — senão na maioria deles —, já desejou ter um acessório de couro macio coberto por esse padrão.
Trata-se do monograma da Louis Vuitton, que hoje aparece nas mais diversas combinações de cores, estampas e materiais. Das cerejas de Takashi Murakami aos poás de Yayoi Kusama, a assinatura já ganhou releituras criativas — e até inusitadas, como versões em chocolate.
Além da moda, o símbolo também ultrapassou as passarelas e passou a ocupar objetos de decoração e itens de lifestyle.
A origem do monograma
Por mais contemporâneo que pareça, o monograma foi criado há 130 anos por Georges Vuitton, filho do fundador da maison.
O que nasceu como uma maneira de diferenciar as peças e dificultar falsificações acabou se transformando em um símbolo universal de elegância, modernidade e desejo.
Mesmo com o passar das décadas, a assinatura segue se reinventando sem perder a força.
O nascimento de um clássico
Em 1896, diante do sucesso das malas artesanais da maison, Georges percebeu a necessidade de criar uma identidade visual única.
Assim surgiu a fusão entre as iniciais de Louis Vuitton e referências ao neogótico, ao japonismo e à Art Nouveau — movimentos que marcavam o cenário artístico parisiense do fim do século 19.
O resultado foi um tecido produzido em tear Jacquard, com fios de linho natural em tonalidade crua e o característico amarelo-terroso terre de Sienne: o primeiro canvas do monograma.
E esse foi apenas o começo.
A revolução das viagens de luxo
Foi em 1854 que Louis Vuitton redefiniu a arte de viajar ao apresentar os baús de tampa plana — e, portanto, empilháveis.
As peças eram produzidas em lona Gris Trianon, um tecido impermeável em tom cinza-claro, leve e resistente, criado para substituir o couro tradicional.
A origem da maison
Anos antes, ainda jovem, Louis Vuitton deixou a região de Jura, na Borgonha, e seguiu a pé até Paris.
O percurso antecipava o espírito aventureiro que marcaria sua trajetória e consolidaria seu nome entre os mais poderosos do universo do luxo.
Esse legado atravessou gerações — atualmente, já na sexta —, que deram continuidade à sua visão e ajudaram a preservar a excelência artesanal da maison.
O ateliê histórico
Até hoje, bolsas, baús e encomendas especiais continuam sendo produzidos no histórico ateliê de Asnières, na França.
O famoso monograma da Louis Vuitton, porém, só surgiria quatro anos após a morte do fundador.
O nascimento de um ícone
Em muitos casos, a herança vem dentro de uma caixa preciosa. Para Georges Vuitton, o legado deixado pelo pai foi um reconhecimento de excelência já consolidado — além, claro, dos famosos baús e malas de viagem da maison.
Foi justamente esse sucesso que despertou a necessidade de proteger as criações da Louis Vuitton, que começavam a ser copiadas.
O monograma como símbolo do futuro
Georges então criou algo capaz de traduzir a identidade única da maison sem abrir mão de uma visão voltada para o futuro.
O monograma nasceu como um símbolo de continuidade, inovação e luxo moderno. Desenhado pelo próprio Georges, ele foi pensado para ser aplicado em diferentes materiais e superfícies.
Segundo um documento oficial de 1897, a marca poderia ser “impressa ou gravada em relevo em qualquer cor, sobre qualquer superfície, como lona, couro, couro sintético ou papel”.
Ao perceber o potencial criativo dessa assinatura visual, Georges transformou um recurso de proteção em pura expressão artística — uma espécie de tela em branco marcada eternamente pelas letras “L” e “V”.
Cem anos depois
Como Georges previu, o monograma passou por inúmeras releituras ao longo das décadas.
Do olhar disruptivo de Marc Jacobs às colaborações artísticas mais emblemáticas da moda, o símbolo se consolidou como um espaço compartilhado de imaginação.
Em 2003, Takashi Murakami apresentou o caleidoscópico “Colourful Monogram”, enquanto Yayoi Kusama eternizou seus poás hipnóticos em duas coleções revisitadas pela maison.
As colaborações que marcaram época
Há três décadas, a Louis Vuitton foi além da moda ao convidar grandes nomes para reinterpretar o monograma durante as celebrações de seu primeiro centenário.
Entre eles estavam Vivienne Westwood, Azzedine Alaïa e Manolo Blahnik.
Já em 2014, o projeto Celebrating Monogram reuniu criadores como Rei Kawakubo, que desconstruiu radicalmente a bolsa tote, além de nomes como Karl Lagerfeld e Christian Louboutin.
O LV na beleza
Poucos sabem, mas a perfumaria da Louis Vuitton nasceu no fim da década de 1920.
A linha foi descontinuada em 1946, após o lançamento de Eau de Voyage, mas retornou em 2016 com sete novas criações assinadas pelo mestre perfumista Jacques Cavallier-Belletrud.
Todos os frascos trazem tampas magnéticas gravadas com o clássico LV — e podem ser carregados em cases especiais.
A chegada da maquiagem
Em 2025, a maison expandiu ainda mais sua presença no universo da beleza ao lançar sua primeira coleção de maquiagem.
A linha reúne mais de 50 batons, 10 lip balms e oito paletas com acabamentos brilhantes, cremosos e matte.
O monograma aparece não apenas nos estojos refiláveis, mas também gravado na superfície dos produtos.
E sim: dá pena ver o LV desaparecer conforme o uso. Mas faz parte da experiência.
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