Fazer acompanhamento ginecológico apenas quando surge algum incômodo pode estar deixando de ser a regra. Cada vez mais mulheres têm procurado consultas
preventivas voltadas à saúde íntima mesmo sem apresentar sintomas, em busca de mais conforto, qualidade de vida e bem-estar ao longo do envelhecimento.
A mudança acompanha uma transformação mais ampla na medicina, que passou a olhar não apenas para o tratamento de doenças, mas para a preservação da saúde antes que elas apareçam. Na ginecologia, esse conceito também ganha força e amplia a discussão sobre função hormonal, saúde dos tecidos e sexualidade feminina em diferentes fases da vida.
Segundo o ginecologista Guilherme Henrique Santos, da Onne Clinic (RJ), esse movimento está alinhado ao conceito de Healthspan, que propõe aumentar não apenas a expectativa de vida, mas principalmente o tempo vivido com autonomia e qualidade.
"O conceito de Healthspan nos convida a olhar para a saúde além da expectativa de vida. Não basta viver mais; é importante viver com qualidade, autonomia e bem-estar", explica.
Na prática, isso significa adotar um cuidado preventivo também na saúde íntima, preservando o funcionamento dos tecidos, o conforto e o equilíbrio hormonal antes mesmo que surjam alterações relacionadas ao envelhecimento.
"Deixamos de atuar apenas quando aparecem sintomas e passamos a investir em estratégias que favorecem um envelhecimento mais saudável em todas as fases da vida da mulher", afirma.
Por que mulheres mais jovens estão procurando esse tipo de cuidado?
A busca por esse acompanhamento deixou de estar restrita à menopausa. De acordo com o especialista, muitas pacientes chegam ao consultório interessadas em preservar a saúde íntima, e não necessariamente para tratar alguma doença.
"As mulheres estão cada vez mais informadas e compreendendo que a prevenção costuma trazer melhores resultados do que tratamentos iniciados apenas quando os sintomas já estão instalados", diz.
O que realmente significa prevenção na saúde íntima?
Quando se fala em prevenção, a proposta vai muito além da realização de exames periódicos. O acompanhamento ginecológico busca identificar precocemente alterações naturais do organismo e orientar estratégias capazes de preservar funções importantes durante o envelhecimento.
"Quando falamos em prevenção, pensamos na preservação da função e não apenas na ausência de doenças", explica Guilherme Henrique Santos.
Segundo ele, esse cuidado pode contribuir para manter a saúde dos tecidos íntimos, o conforto vaginal, a função hormonal e o bem-estar ao longo dos anos.
"Mais do que tratar sintomas, a proposta é favorecer uma melhor qualidade de vida em todas as fases da mulher, respeitando suas necessidades individuais e promovendo um envelhecimento mais saudável."
Como separar ciência de modismos?
Ao mesmo tempo em que cresce o interesse pelo tema, aumentam também os conteúdos nas redes sociais que prometem rejuvenescimento íntimo e tratamentos milagrosos. Para o especialista, esse é justamente o momento em que as pacientes precisam buscar orientação médica.
"O principal critério deve ser sempre a evidência científica. Nem toda novidade que ganha repercussão nas redes sociais possui estudos suficientes que comprovem sua segurança, eficácia e indicação para diferentes perfis de pacientes."
Ele ressalta que medicina preventiva não significa seguir tendências, mas construir um plano de cuidado individualizado.
"A medicina preventiva não se baseia em promessas de rejuvenescimento, mas em uma avaliação individualizada, considerando histórico clínico, idade, sintomas, fatores hormonais e objetivos de cada mulher. O tratamento ideal é aquele que faz sentido para aquela paciente, no momento certo, e não necessariamente o que está em evidência nas redes sociais."
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