“Quando a vida pede outro ritmo” foi o último talk da Casa Clã Mama 2026, evento organizado pela revista CLAUDIA para promover conversas sobre o câncer
de mama. A mesa reuniu a modelo Fernanda Motta, a influenciadora e maratonista Raquel Castanharo e Solange Pace, diretora de RH e comunicação da Medley.
Como as empresas podem acolher funcionários em momentos difíceis
Solange Pace ocupava um cargo regional quando seu pai foi diagnosticado com leucemia. “Naquele momento, saí do emprego para cuidar dele”, conta. Ao retornar ao mundo corporativo, trouxe essa experiência pessoal para pensar nas relações de trabalho. “Em uma empresa, somos pessoas cuidando de pessoas.”
Para muitas companhias, porém, colocar essa perspectiva em prática ainda é um desafio. “Às vezes, no mundo corporativo, as pessoas têm medo de falar que não estão bem. É como se fosse preciso mostrar que está tudo certo o tempo inteiro.” Oferecer um espaço seguro é o primeiro passo para resolver a questão. “As pessoas têm ritmos diferentes ao longo da vida. Se o ritmo mudou porque algo aconteceu, a empresa precisa acompanhar isso”, diz Solange.
Câncer de mama e trabalho: o medo de perder oportunidades profissionais
A influenciadora e maratonista Raquel Castanharo é paciente oncológica e acredita que é preciso mudar a forma como as pessoas diagnosticadas com câncer de mama são vistas no ambiente profissional. “Tenho medo de mostrar como estou frágil, performar menos do que antes, e uma empresa não querer contratar meus serviços”, diz.
A preocupação também está relacionada à responsabilidade financeira com a família. “Sustento minha casa. Se paro de trabalhar, não tem escola para meus filhos, água, luz. Meu marido trabalha comigo e diz que eu não preciso ficar desesperada, mas eu tenho medo”, conta.
Durante a conversa, Raquel também chamou a atenção para as desigualdades que impactam a experiência do adoecimento e a possibilidade de descanso. “Se você tem o privilégio de descansar, descanse. Se tem o privilégio de se exercitar, se exercite. Tem muita gente que não tem esse privilégio.”
Fernanda Motta fala sua prioridade durante tratamento contra câncer de mama
Fernanda Motta foi diagnosticada com câncer de mama em 2019. Ao receber a notícia, a modelo buscou compreender o quadro e as etapas do tratamento. “No dia em que recebi o diagnóstico, pedi para meu médico explicar o que estava acontecendo. Queria saber qual era meu cenário e o que precisava fazer”, conta.
A modelo também relembrou o que outras pessoas esperavam sobre como ela lidaria com as transformações físicas provocadas pela doença e pelo tratamento. “Achavam que eu ia me desesperar depois do câncer de mama por conta da beleza, mas essa não foi minha prioridade. A minha prioridade era ser curada.”
Naquele momento, seguir o tratamento era sua principal preocupação. “A beleza não foi a coisa mais importante depois de receber o diagnóstico de câncer de mama. Queria estar viva, queria seguir o tratamento, sabia que depois resolveria as outras questões. Queria estar aqui hoje.”
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