Se você é atleta, ou pelo menos mantém uma rotina de exercícios, provavelmente já ouviu falar sobre os benefícios do banho gelado no pós-treino. Nas redes
sociais, não faltam vídeos e relatos exaltando a prática, mas, no meio de tanta informação, também surgem muitos mitos. Afinal, será que faz bem mesmo? E será que todo mundo pode aderir?
Diante de tantas dúvidas, conversamos com o Dr. Wandyk Allison, médico integrativo e pós-graduado em endocrinologia, para desvendar os reais efeitos do banho gelado no corpo.
O que acontece no corpo com o banho gelado
Antes de tudo, é importante entender quais são os efeitos reais dessa prática no organismo.
- Ativação do sistema nervoso simpático, aumentando o estado de alerta, foco e energia.
“O banho gelado ativa mecanismos fisiológicos muito específicos. Isso acontece porque o frio estimula a liberação de noradrenalina e adrenalina”, explica Wandyk.
- Aumento da dopamina, hormônio que está diretamente ligada à motivação e disposição.
- Efeito anti-inflamatório.
“O frio provoca uma vasoconstrição, reduzindo processos inflamatórios e ajudando na recuperação muscular”, afirma.
- Impacto metabólico indireto, com ativação do tecido adiposo marrom, aumentando o gasto energético e melhorando o metabolismo da glicose.
- Maior resiliência ao estresse.
“Quando você expõe o corpo a um estímulo desconfortável, mas controlado, melhora a capacidade de adaptação ao estresse no dia a dia”, pontua.
Quem deve evitar o banho gelado
Mas, apesar dos benefícios, o banho gelado não é indicado para todos. Pessoas com doenças cardiovasculares instáveis, como hipertensão não controlada ou arritmias, devem evitar a prática, já que o choque térmico pode sobrecarregar o sistema cardiovascular.
Também é preciso cautela em casos de doenças vasculares periféricas e em indivíduos com hipotireoidismo descompensado, que apresentam menor tolerância ao frio.
“Nesses casos, não é apenas uma questão de resistência mental, mas de segurança fisiológica”, reforça o especialista.
Quanto tempo para sentir os efeitos?
Existe a ideia de que quanto maior o tempo de permanência debaixo da água gelada, maiores são os benefícios. Mas, segundo Wandyk, acima de cinco minutos raramente há ganhos adicionais.
“O impacto está mais na intensidade do estímulo do que na duração prolongada. Para iniciantes, de 30 segundos a um minuto já é suficiente para gerar efeito. Com o tempo, entre dois e três minutos é um período eficiente.”
Nesse contexto, o ideal é tomar o banho normalmente primeiro — com água morna ou em temperatura ambiente — e deixar a água fria para o final. “Isso reduz bastante o desconforto e diminui a chance daquele ‘susto’ mais intenso do corpo”, explica.
Também não é recomendado entrar diretamente em água extremamente fria, para evitar o risco de choque térmico. Especialmente para quem está começando, o melhor é seguir algumas etapas:
- começar com água fresca, e não congelante;
- reduzir a temperatura gradualmente;
- controlar a respiração antes de entrar no frio, evitando prender o ar;
- iniciar a exposição pelas pernas e braços, antes de levar ao peito e à cabeça;
- limitar o tempo inicial a 20 a 30 segundos.
Não faz milagre, mas ajuda
O médico reforça que o banho gelado, mesmo com tantos benefícios, não substitui outros pilares da saúde. “Ele não substitui estratégias metabólicas, hormonais ou nutricionais, mas é uma ferramenta poderosa de regulação do sistema nervoso e adaptação ao estresse. No final, ensina o corpo a responder ao desconforto, em vez de viver condicionado ao conforto. E isso, quando bem aplicado, muda a forma como corpo e mente operam”, conclui.
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