Nem sempre existiu o Dia das Mães - comemorado neste domingo (10). Uma mulher foi a responsável pela criação da data, após muita luta e insistência no
início do século 20: Anna Jarvis. Mas o que ela fez - e por que acabou se arrependendo da atitude?
Geralmente celebrado no segundo domingo de maio na América - países como México, Guatemala e El Salvador antecipam a celebração em alguns dias - o Dia das Mães surgiu oficialmente nos Estados Unidos. Em 1905, Anna lamentou a morte da mãe, Ann Reeves Jarvis, e decidiu criar uma campanha para que todas fossem homenageadas ainda em vida.
A motivação veio de uma oração que ouvia da matriarca, cujas palavras eram: "Espero e rezo para que alguém, um dia, reconheça um dia em memória das mães, para celebrar o serviço incomparável que elas prestam à humanidade em todas as áreas da vida".
Outra inspiração para Anna foi a história da própria mãe que, em 1850, organizou no estado da Virgínia Ocidental, durante a Guerra Civil Americana, um grupo de mulheres para cuidar dos soldados e trabalhar por melhorias na saúde pública. Ela mesma batizou os dias nesse trabalho como "Dia das Mães".
Com tudo isso em mente, Anna Jarvis decidiu agir, enviando cartas todos os anos para congressistas, governadores, celebridades e outras pessoas importantes pedindo que fosse reservado um dia especial para as mães no calendário.
Alguns políticos não levaram a sério sua reivindicação, argumentando que teriam de criar também o "Dia da Sogra" caso atendessem ao pedido. Em 1908, ainda sem ser ouvida, organizou uma homenagem para Ann.
Anna não desistiu e, em 1911, todos os Estados reconheceram que o Dia das Mães deveria existir - inicialmente como um feriado e, três anos depois, transferido definitivamente para o segundo domingo de maio. No Brasil, a data chegou em 1932, após um decreto do então presidente Getúlio Vargas.
Arrependimento
Anna Jarvis vibrou com sua conquista, mas a felicidade durou pouco: ao perceber o viés comercial que a data, ela ficou profundamente incomodada, passando a boicotar o Dia das Mães.
No livro "A Comemoração da Maternidade: Anna Jarvis e a Luta pelo Controle do Dia das Mães", a autora Katharine Lane Antolini afirma que "Jarvis considerava o Dia das Mães sua 'propriedade intelectual e legal', não parte do domínio público".
"Ela aspirava que este dia fosse um 'dia sagrado' que homenageasse a mãe que colocava as necessidades de seus filhos acima das suas próprias. Ela nunca quis que o Dia das Mães se tornasse um dia para presentes caros, como aconteceu com alguns outros feriados no início do século XX", diz a publicação.
A revolta fez com que Anna chamasse os comerciantes locais de "violadores de direitos autorais, vândalos comerciais e aproveitadores descarados". Também protestou contra floriculturas, que aumentaram seus preços nessa época do ano de olho nos lucros, e ameaçou processar muitas empresas que faturavam com o Dia das Mães.
Até os cartões impressos a incomodaram: Anna acreditava que as mães mereciam mensagens escritas à mão. Desgostosa com tudo, com dívidas e depressão, teria dito a um jornalista antes de morrer, em 1948: "Lamento profundamente ter criado o Dia das Mães."
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