Começo com uma pergunta que costumo fazer nas minhas consultas: "As mudanças hormonais na pele só aparecem na menopausa?" A maioria das mulheres responde
que sim. E a maioria está errada.
Essas mudanças começam quatro a oito anos antes, silenciosamente, enquanto a vida segue normal, os ciclos ainda existem e a última menstruação está longe de acontecer. A menopausa tem uma definição técnica precisa: 12 meses consecutivos sem menstruar. Mas o corpo feminino não chega até lá de repente. Ele se prepara. E a pele é uma das primeiras a avisar
Por que a pele resseca antes de qualquer outra coisa
Aqui tem uma informação que surpreende muitas das minhas pacientes: o primeiro hormônio a cair na perimenopausa não é o estrogênio. É a progesterona. E ela é responsável pela produção de sebo, aquela oleosidade natural que, quando equilibrada, protege e hidrata a pele. Com menos progesterona, a pele começa a ressecar de um jeito diferente, que a hidratante de sempre não resolve mais.
Depois vem o estrogênio, que tem um papel enorme: estimula a produção de colágeno, elastina e ácido hialurônico, e ainda ativa os fibroblastos da derme, aquelas células que literalmente sustentam a arquitetura da pele. Sem estrogênio, a barreira cutânea fica comprometida: perde ceramidas, não retém água como antes, fica mais permeável e sensível.
E tem mais um personagem nessa história que pouca gente conhece: a ocitocina, o mesmo hormônio do afeto e da amamentação, que ajuda a pele a reter água na derme. Ela também cai. É por isso que a pele de uma grávida tem aquele brilho úmido característico. Na perimenopausa, ela vai embora junto com os outros.
Para completar, o cortisol, hormônio do estresse também sobe nessa fase. E a ocitocina era exatamente o que bloqueava o efeito do cortisol na pele. Sem esse escudo, a inflamação e a vermelhidão aumentam. Daí a rosácea que aparece do nada, a pele que fica mais reativa, o flushing que ninguém entende.
O que as mulheres sentem — e o que elas fazem
Em uma pesquisa global com mais de 4.300 mulheres, a maioria entre 45 e 49 anos, justamente a faixa da perimenopausa, e os resultados foram reveladores. A queixa número um das mulheres nessa fase? Ressecamento. (Nas que já estavam na menopausa estabelecida, vinham as rugas e a flacidez.)
Mas o dado que mais me tocou foi outro: essas mulheres relataram se sentir menos atraentes, menos confiantes, mais ansiosas e com humor mais baixo por causa das mudanças na pele. A pele afeta como nos sentimos por dentro.
E o que elas estavam fazendo a respeito? Muitas recorriam a suplementos alimentares mais do que a qualquer cuidado específico com a pele. Apenas 15% buscaram procedimentos estéticos. Mesmo assim, quando perguntadas sobre o que trouxe mais satisfação entre todas as intervenções, os procedimentos estéticos lideraram acima até da terapia hormonal.
O que você pode fazer agora
É bom saber que existe muito espaço de atuação e que começar cedo faz diferença. Não espere a menopausa para prestar atenção nesses sinais. Se a sua pele começou a ressecar de forma diferente, se apareceu uma acne que não tinha antes, se os cabelos ficaram mais finos ou se a pele está mais vermelha e reativa sem explicação aparente, vale conversar com sua dermatologista sobre onde você está nessa transição hormonal.
A abordagem mais eficaz é aquela que olha para o todo: cosméticos que fortalecem a barreira, tratamentos que estimulam o colágeno, e, quando pertinente, uma conversa com ginecologista sobre sua saúde hormonal. Um cuidado personalizado para o momento específico que você está vivendo.
A sua pele é um espelho muito mais sofisticado do que parece. Ela fala antes. Vale muito a pena aprender a ouvi-la.
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