Poucas figuras da televisão brasileira construíram uma trajetória tão autêntica quanto Ana Paula Renault. Desde que ganhou projeção nacional, a jornalista
transformou a franqueza em uma de suas principais características.
Agora, ela empresta sua personalidade à campanha de Rancho Dutton, série do Paramount+ derivada do universo de Yellowstone. A produção trata dos conflitos, alianças e dinâmicas familiares que tornaram a franquia um fenômeno global. Ela entra nesse universo como amiga da protagonista Beth Dutton, personagem que, assim como ela, construiu sua trajetória sem abrir mão das próprias opiniões.
Abaixo, confira a entrevista completa:
O que é mais difícil: ser você mesma ou lidar com a reação das pessoas a isso?
É uma pergunta que acaba se entrelaçando. Ser eu mesma leva à essa reação das pessoas. Agindo do jeito que eu sou, me valorizando, ou entendendo que eu tenho uma personalidade que vale a pena mostrar, automaticamente, provoco reações nas pessoas.
Acho que está tudo muito intrínseco e é por isso que é tudo tão difícil. Porque não é fácil ser a gente mesmo, e também não é fácil receber essa opinião das pessoas, da sociedade, em relação a nós mesmos. Mas, ao invés de nos ferir, essas dificuldades podem acabar nos impulsionando. A gente aprende a nos moldar, inclusive, na diversidade. Assim, é na dificuldade que a gente entende o quanto é importante ser quem nós somos.
Hoje, o que você não abre mão de jeito nenhum, seja na vida pessoal ou profissional?
Não abro mão de escutar os outros e ser escutada. Não tem mais como abrir mão disso! Inclusive, para a coisa funcionar melhor para ambos os lados.
Para eu entender o que o outro pensa, o que o outro quer de mim e também para que o outro entenda o que eu quero e o que eu penso. Então, acho que ninguém poderia abrir mão dessa troca genuína, dessa troca verdadeira, porque o combinado não sai caro.
Quais são os planos para o futuro? Pretende voltar a fazer algo na Televisão?
O que tenho realmente muita vontade é de deixar as mulheres à vontade. Só que, ao mesmo passo, sinto que falta na televisão programas que informem, que tenham credibilidade, mas que, ao mesmo tempo, sejam bem-humorados.
Eu adoro ver alguma coisa (na televisão) e, ao mesmo tempo, pesquisar para ampliar o meu conhecimento naquela área. É complicado, mas acho possível de fazer! Se eu conseguisse alinhar isso tudo, seria incrível.
Beth Dutton é uma personagem muito intensa, direta e sem filtros. Você acredita que esse tipo de personalidade ainda incomoda as pessoas?
Ah, sem dúvida, incomoda muito! Inclusive, ela incomoda as pessoas desde a hora que ela pisou lá, ela não precisou nem abrir a boca, né?! Eu acho que acontece muito isso porque a imagem dela transparece muita segurança. E uma mulher segura não é algo que todo mundo aceita muito bem, ainda mais na sociedade de lá, em que ela saiu de Montana e foi pro Texas, uma região mais conservadora, que está acostumada a ver homens em postos de comando.
Aí, veem lá uma mulher que é casada, sim, tem um filho, tem sua própria família, mas que também exerce o poder. Que é escutada pelos homens da família, e que de certa forma, às vezes, até se torna a liderança. Isso incomoda, mas não deveria! Muitas vezes, as decisões partem dela, e vocês têm que entender que, hoje em dia, grande parte das famílias é chefiada por mulheres, mães solo. Essa força sempre esteve aí, só não era reconhecida.
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