O número de mortes por câncer colorretal no Brasil deve sofrer um aumento drástico e pode quase triplicar até o final desta década. Segundo um estudo publicado na prestigiada revista 'The Lancet Regional
Health – Americas', a estimativa é que o câncer de intestino cause cerca de 127 mil óbitos apenas entre 2026 e 2030. O salto é assustador quando comparado ao início dos anos 2000, quando o país registrou 57,6 mil mortes em um período similar.
O peso dos hábitos modernos
Especialistas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que esse avanço está diretamente ligado ao estilo de vida da população. O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, o sedentarismo e a ingestão de álcool são os principais vilões. A pesquisadora Marianna Cancela, do INCA, explica que esses riscos começam cada vez mais cedo. “A gente vê não só o aumento dos casos de câncer colorretal, como também o crescimento de casos em pacientes mais jovens”, alerta a especialista.
[caption id="attachment_127768" align="alignnone" width="746"]
Diagnóstico tardio é risco para o câncer de intestino
Outro obstáculo grave para a saúde brasileira é o momento da descoberta da doença. Atualmente, cerca de 65% dos casos só são diagnosticados em estágios avançados, o que reduz drasticamente as chances de cura. O câncer de intestino costuma ser silencioso e não manifestar sintomas no início, o que torna os exames preventivos fundamentais para detectar sinais de alerta antes que o quadro se torne crítico.
[caption id="attachment_127770" align="alignnone" width="760"]
O câncer de intestino costuma ser silencioso e não manifestar sintomas no início, o que torna os exames preventivos fundamentais para detectar sinais de alerta antes que o quadro se torne crítico - mi-viri/iStock / Getty Images Plus[/caption]
Impacto econômico e social
Além das vidas perdidas, a doença gera um prejuízo bilionário ao país. Entre 2001 e 2030, a estimativa é que as mortes por este tipo de câncer resultem em uma perda de produtividade equivalente a 22,6 bilhões de dólares internacionais. As mulheres que morrem pela doença perdem, em média, 21 anos de vida, enquanto os homens perdem 18 anos. Esses dados reforçam a urgência de políticas públicas voltadas para o rastreamento e tratamento oncológico.
Desigualdades regionais e prevenção
Embora o Sul e o Sudeste concentrem o maior número absoluto de mortes, as regiões Norte e Nordeste apresentam os maiores crescimentos relativos da doença. Para os pesquisadores, a solução passa pela redução das desigualdades no acesso à saúde e pela promoção de hábitos saudáveis. “O país está perdendo por não conseguir avançar na prevenção”, conclui Cancela, destacando que a alimentação saudável e a atividade física são as melhores armas contra o câncer.
Ver essa foto no Instagram











