Vivemos em um tempo em que a sociedade nos cobra presença constante. Queremos dar conta de todos os projetos de trabalho, comparecer a todos os eventos sociais e consumir cada nova informação que surge
nas redes. Essa pressão invisível tem nome: FOMO (“fear of missing out” , ou o medo de ficar de fora). Mas será que a verdadeira felicidade não está justamente no caminho inverso? Veja só a reflexão de Cillian Murphy sobre o assunto:
Durante uma entrevista que repercutiu no universo do entretenimento, o ator nos deu uma lição preciosa sobre saúde mental e desapego. Logo após vencer o Oscar por 'Oppenheimer', ele foi questionado se não sentia pontadas de ansiedade por estar fora do novo e estrelado filme do diretor Christopher Nolan, intitulado 'A Odisseia'. Com a serenidade de quem sabe blindar a própria mente, o ator rebateu com uma nova filosofia de vida: “Não, eu tenho ROMO. Alívio de Perder Algo.”
Nesse sentido, a expressão ROMO (“relief of missing out”) surge como um verdadeiro bálsamo para os dias atuais. Ela celebra o prazer de escolher o descanso, a quietude e o recolhimento em vez da eterna busca por validação externa.
O peso de carregar as próprias cobranças
Depois de emendar seis longas-metragens com o mesmo diretor, Murphy revelou que se sentia feliz em ocupar a poltrona de mero espectador. Da mesma forma, ele trouxe uma reflexão bem-humorada sobre como a autocrítica pode ser exaustiva.
Ao comentar sobre o assunto, o ator explicou que ver a nova produção do lado de fora era “um verdadeiro presente”, pois o poupava do “terrível fardo de olhar para a minha própria cabeça idiota”.
Quantas vezes nós também não nos sobrecarregamos com a cobrança de sermos os protagonistas perfeitos de nossas vidas, esquecendo o prazer de apenas contemplar o redor?
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O aprendizado: Olhar para os nossos processos com menos cobrança diminui o peso dos nossos julgamentos diários.
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O ganho: Quando abrimos mão da necessidade de controle, sobra espaço para apreciar o sucesso dos outros sem inveja ou ansiedade.
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Depois de emendar seis longas-metragens com o mesmo diretor, Murphy revelou que se sentia feliz em ocupar a poltrona de mero espectador - Photo by Theo Wargo/Getty Images[/caption]
Como aplicar o ROMO no seu dia a dia
Passados alguns meses daquela declaração, o conceito de ROMO continua mais atual do que nunca. Praticar o alívio de perder nada mais é do que estabelecer limites saudáveis para a nossa mente.
Contudo, para abraçar essa leveza, é preciso exercitar pequenos desapegos na rotina diária:
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Diga não sem culpa: Entenda que recusar um convite ou um projeto pode ser um ato de amor-próprio.
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Desconecte-se: Permita-se ignorar as notificações do celular para viver o momento presente.
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Celebre o ócio: Estar desocupado não é sinônimo de fracasso, mas sim de recarga essencial para o corpo e para a alma.
Em suma, a postura de Cillian Murphy nos convida a desacelerar. Que a gente possa, cada vez mais, trocar o medo de ficar de fora pelo profundo e acolhedor alívio de apenas ser e respirar.












