A Academia, responsável pelo Oscar, divulgou que a próxima premiação dará a chance para os dubladores uma oportunidade de concorrer. Porém, nem todos foram a favor e na última noite de premiação (10),
o debate ganhou um capítulo de peso. Tom Hanks, um dos nomes mais respeitados de Hollywood, posicionou-se contra a criação de uma categoria exclusiva para premiar atuações de voz.
O ator veterano se prepara para dar vida novamente ao querido cowboy Woody em Toy Story 5. Apesar de acumular elogios por suas performances em animações ao longo das décadas, o astro não acredita que seja necessário um prêmio à parte para o setor.
O critério da emoção
Para o ator, o impacto da atuação nas telas deve falar mais alto do que o formato em que ela é entregue. Nesse sentido, Hanks, em entrevista ao Gold Derby, expressou sua opinião de forma direta:
“Acho que já existem categorias suficientes. A verdade é que um dublador pode ganhar o prêmio de Melhor Ator. O critério é: 'qualquer atuação que te emocione'. Já falamos sobre Andy Serkis (franquias 'O Senhor dos Anéis' e 'Planeta dos Macacos'). Mesmo que ele não apareça como Andy Serkis, ele entrega todo o material necessário para a indicação. Houve pessoas que estiveram perto de serem indicadas sem aparecerem em frente às câmeras. Isso pode acontecer com um ator que só dubla.”
@gold_derby #ToyStory stars Tom Hanks and Tim Allen aren't so sure about a Best Voiceover category at the #Oscars. #tomhanks #timallen #woody ♬ original sound - Gold Derby
O histórico de Hollywood
Por outro lado, o argumento de Hanks ganha força quando olhamos para o passado recente do cinema. O reconhecimento de atuações sem presença física na tela já esteve muito perto de acontecer na premiação máxima do cinema, impulsionado por grandes nomes da indústria.
Veja alguns exemplos marcantes de atores que desafiaram as regras tradicionais, segundo avaliação do portal 'Termômetro Oscar':
-
Andy Serkis: Aclamado mundialmente por dar vida ao Gollum na trilogia 'O Senhor dos Anéis' e ao chimpanzé César na franquia 'Planeta dos Macacos' através da captura de movimentos.
-
Scarlett Johansson: Fez uma campanha expressiva para o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante ao dar voz à inteligência artificial Samantha no longa 'Her' (2013). A performance rendeu uma indicação ao Critics Choice Awards.
-
Eddie Murphy: Conquistou uma indicação histórica ao BAFTA de Melhor Ator Coadjuvante em 2002 por seu trabalho icônico como o Burro no primeiro filme da franquia 'Shrek'.
Caminhos diferentes na indústria
Contudo, nem todas as premiações compartilham da mesma visão que o astro. O Emmy seguiu uma estratégia oposta e optou por dividir o trabalho de voz em duas categorias específicas: Melhor Dublagem de Personagem e Melhor Narrador. Curiosamente, o próprio Tom Hanks foi indicado nesta última categoria pela produção The Americas.
Em suma, quando o assunto é o cinema e a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o posicionamento do ator é firme. A essência do cinema, para ele, está na conexão humana que o artista consegue transmitir para quem assiste.
“Se eles se emocionarem — ou seja, se forem tocados pela atuação de um ser humano — isso é tudo o que importa”, concluiu Tom Hanks.











