Quando reprimimos sentimentos, seja para nos preservar ou aos outros, os impactos podem ir além da saúde mental. É o que revela um estudo publicado no Journal of Psychosomatic Research, que associou o ato
de guardar emoções a um maior risco de doenças graves e até de morte prematura.
"Negar emoções não significa que elas desaparecem. Pelo contrário, elas continuam agindo internamente e podem se manifestar de formas indiretas ou através de sintomas diversos",
explicou a psicóloga Melissa Almeida dos Santos, que não participou da pesquisa.Relação entre sentimentos e saúde
Os cientistas analisaram 729 pessoas nos Estados Unidos ao longo de 12 anos. Entre as informações investigadas, com base em estatísticas, estavam itens básicos como idade, sexo, nível de escolaridade e origem étnica, além de dados sobre comportamentos e o estado mental dos voluntários. Dessa forma, foi possível compará-los e relacioná-los a quadros clínicos ou causas de falecimentos.
No decorrer do estudo, houve registros de 111 óbitos, sendo 34 por câncer e 37 por doenças cardiovasculares. Esses eventos, segundo os especialistas, demonstraram que aqueles mais habituados a reprimir sentimentos apresentaram maior risco de morte, principalmente por tumores.
Para os autores do levantamento, apesar dos resultados, ainda são necessárias mais análises para comprovar a relação entre a repressão emocional e as enfermidades. Já existem, contudo, outros estudos que relacionam não somente o estado psicológico a condições cardiovasculares, ao enfraquecimento do sistema imunológico e enfermidades diversas.
"O sistema nervoso autônomo, que regula respostas automáticas como batimentos cardíacos e respiração, é constantemente ativado em estados emocionais reprimidos. Então, isso pode levar a doenças cardiovasculares, distúrbios gastrointestinais, tensão muscular crônica e dores sem causa física identificável. Gripes frequentes, infecções e dificuldades de recuperação podem ser sinais de que o corpo está sobrecarregado por emoções não expressas", apontou Melissa Almeida, em um artigo publicado no site 'Psicólogos Berrini'.
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