Receber o diagnóstico de um mioma uterino costuma gerar preocupação e, muitas vezes, a impressão de que a cirurgia será inevitável. No entanto, especialistas alertam que nem todo caso exige intervenção
cirúrgica. Na prática, a decisão depende de uma série de fatores, como os sintomas apresentados, a localização do tumor e os planos reprodutivos da paciente. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 2 milhões de brasileiras desenvolvem miomas uterinos todos os anos. Apesar de tumores benignos serem bastante comuns, ainda existe a ideia de que sua presença, por si só, já justifica uma cirurgia. Para o ginecologista Dr. Thiers Soares, especialista em cirurgia robótica e no tratamento de miomas, endometriose e adenomiose, essa visão precisa ser revista.
"Não operamos exames de imagem, operamos mulheres. O achado isolado de um mioma em uma rotina ginecológica nunca deve ser uma sentença de cirurgia imediata. A indicação cirúrgica depende de sintomas, planos reprodutivos e da localização exata do tumor, e não apenas do seu tamanho", afirma. Segundo o médico, a avaliação deve considerar não apenas o aspecto do mioma nos exames, mas também o impacto que ele causa na vida da paciente. Além disso, em muitos casos, o monitoramento regular é suficiente para garantir segurança e qualidade de vida.
Quando o mioma uterino pode ser apenas acompanhado?
Mioma sem sintomas
Muitas mulheres descobrem um mioma uterino durante exames de rotina e sequer apresentam sintomas. Nesses casos, quando não há dor, sangramento intenso, sensação de pressão abdominal ou alterações em órgãos próximos, geralmente não existe indicação para cirurgia.
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Tumor pequeno
Em geral, miomas menores que 4 centímetros costumam ser acompanhados periodicamente. Entretanto, existe uma exceção importante: os miomas submucosos, que se desenvolvem dentro da cavidade uterina. Mesmo pequenos, eles podem afetar a fertilidade e, por isso, exigem uma avaliação mais cuidadosa.
Localização favorável
A posição do mioma dentro do útero também influencia diretamente a decisão médica. Tumores localizados na parte externa do órgão ou na camada muscular, sem deformar a cavidade uterina, frequentemente não exigem tratamento cirúrgico. Segundo o ginecologista, a localização pode ser tão importante quanto o tamanho do mioma na hora de definir a melhor estratégia de tratamento.
Sem impacto na qualidade de vida
Quando a mulher consegue manter suas atividades normalmente e o mioma não interfere no bem-estar físico ou emocional, o acompanhamento costuma ser a alternativa mais segura. Dessa forma, a paciente evita riscos cirúrgicos desnecessários e, ao mesmo tempo, mantém o controle da evolução do quadro.
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Preservação da fertilidade
Para mulheres que desejam engravidar, a cirurgia só costuma entrar em pauta quando o mioma representa um obstáculo para a concepção ou aumenta riscos durante a gestação. Por outro lado, quando o tumor não interfere na capacidade reprodutiva, a abordagem conservadora costuma ser considerada a opção mais adequada.
Proximidade da menopausa
Os miomas dependem do estrogênio para crescer. Por isso, com a redução hormonal que ocorre na menopausa, eles tendem a diminuir naturalmente. Assim, mulheres que estão próximas dessa fase e não apresentam sintomas importantes podem se beneficiar de uma estratégia baseada apenas no acompanhamento médico.
Preferência da paciente
A decisão da paciente também deve fazer parte da escolha do tratamento. Quando a mulher prefere evitar a cirurgia e entende os riscos e benefícios de cada abordagem, essa opção pode ser respeitada, desde que exista acompanhamento clínico adequado. "A autonomia da paciente é um pilar do cuidado", destaca o especialista.
Quando é preciso reavaliar o quadro de mioma uterino?
Mesmo quando a cirurgia não é necessária, o acompanhamento médico continua sendo fundamental. Geralmente, o controle inclui consultas periódicas e exames de imagem para acompanhar possíveis mudanças no mioma.
Ainda assim, alguns sinais exigem uma nova avaliação:
- Crescimento acelerado do tumor;
- Surgimento de dores ou piora dos sintomas;
- Sangramento mais intenso;
- Alterações no funcionamento da bexiga ou do intestino;
- Dificuldades para engravidar;
- Complicações durante a gestação.
A melhor decisão sobre a cirurgia do mioma uterino depende de cada caso
Para Dr. Thiers Soares, saber quando não operar também faz parte de um tratamento responsável. "A medicina entende que o tempo e o monitoramento correto são ferramentas terapêuticas poderosas. Tratar miomas com responsabilidade é saber quando intervir com a máxima precisão tecnológica, e quando ter a sabedoria clínica de apenas acompanhar. A melhor cirurgia ainda é aquela indicada na hora certa, para a paciente certa", conclui.
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