A maternidade é uma jornada de constantes desapegos. Desde o primeiro passo até a escolha da profissão, criar um filho é, essencialmente, um exercício diário de prepará-lo para o mundo. No entanto, quando
a maioridade se aproxima e o momento da partida real bate à porta, muitos pais deparam-se com um misto de orgulho e melancolia. Esse é um território emocional complexo conhecido como a síndrome do ninho vazio.
Recentemente, a apresentadora Astrid Fontenelle trouxe luz a esse tema de forma muito humana e sincera durante o Festival da Cunhã, em Manaus. Ao refletir sobre o crescimento do filho, Gabriel, que está prestes a completar 18 anos, Astrid revelou como se divide entre o dever cumprido e o receio da ausência. “Eu preparei ele para isso, sabe? Está preparado para conviver, para dividir casa, para cuidar de uma casa”, afirmou. Mesmo segura da educação que ofereceu, ela não escondeu a vulnerabilidade: “A gente fica feliz porque criou bem criado, mas fica com a tal da síndrome do ninho vazio”.
A dor da transição: o que acontece com a mente dos pais?
A psicologia explica que a síndrome do ninho vazio não é uma doença, mas um período de transição identitária. Durante quase duas décadas, a rotina, as preocupações e a própria identidade dos pais foram profundamente moldadas pelas demandas dos filhos. Quando o silêncio ocupa os quartos antes cheios de vida, o cérebro pode interpretar essa calmaria repentina como uma perda de propósito, gerando sentimentos de solidão e ansiedade.
Astrid rebateu as críticas que recebe nas redes sociais por manter uma relação muito próxima e de companheirismo com o filho: “As pessoas falam: ‘Esse garoto não tem amigo?’. Tem. Mas eu sou uma boa companhia para o meu filho. Ele gosta porque eu tenho muitas coisas parecidas com ele”, comentou. Esse vínculo forte e saudável, baseado em interesses compartilhados, torna a transição ainda mais sensível, mas também deixa claro que a distância física não rompe os laços de afeto construídos.
3 caminhos para acolher o vazio e redescobrir o foco
Para atravessar essa fase com mais leveza e preservar a saúde mental, é preciso redirecionar o olhar e a energia que antes eram dedicados exclusivamente à rotina materna ou paterna:
1. Permita-se vivenciar o luto do ciclo antigo
Não invalide a sua tristeza. Sentir falta da movimentação, das conversas diárias e da presença física é natural. Acolha esse sentimento com gentileza. Escrever sobre suas emoções ou praticar a meditação ajuda a acalmar a mente e a processar a saudade sem transformá-la em apego excessivo ou controle.
2. Resgate a sua individualidade
Quem era você antes de os filhos ocuparem o centro do seu palco? O ninho vazio é uma oportunidade única para retomar antigos hobbys, investir na carreira, planejar viagens ou iniciar novas práticas de bem-estar, como a hortoterapia ou atividades criativas. Cuidar de si mesmo agora é o seu projeto principal.
3. Transforme a relação em parceria adulta
A saída de casa não é o fim do amor, mas a evolução dele. A relação de dependência dá lugar a uma conexão madura, de adulto para adulto. Celebrar a independência do filho - sabendo que ele está pronto para os desafios da vida graças à base que você construiu - é a maior prova de amor e resiliência que um pai ou uma mãe pode dar.
O recomeço das próprias asas
Como bem pontuou Astrid Fontenelle, dar asas é o objetivo final de uma criação bem-sucedida. O espaço vazio que fica na casa não precisa ser um vácuo de solidão, mas sim um espaço sagrado preenchido por novas possibilidades e pelo orgulho de ver a sua própria história continuar navegando por rios mais distantes, com sotaques novos, mas mantendo a mesma raiz de amor e respeito.
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