Enquanto muita gente associa aposentadoria a descanso e rotina tranquila, um casal britânico decidiu seguir por um caminho bem diferente e inspirador. Ann e Alan Cooper transformaram o desejo de conhecer
o mundo em um estilo de vida e, ao longo de quase seis décadas, já passaram por 95 países.
Hoje, aos 78 e 85 anos, eles seguem viajando com a mesma curiosidade de quando começaram. Mais do que destinos, acumulam histórias, encontros e aprendizados que mostram que viver bem pode ser muito mais simples do que parece.
Tudo começou com um plano - e virou propósito de vida
A jornada teve início no fim dos anos 1960, pouco depois do casamento. A ideia inicial era emigrar para outro país, como Austrália ou Canadá. Para isso, economizaram dinheiro, compraram uma van e decidiram atravessar parte da Europa e da Ásia por terra.
No caminho, passaram por países como Irã, Afeganistão e Paquistão, além de viverem cerca de seis meses na Índia. A chegada à Austrália, que fazia parte do plano original, acabou acontecendo apenas anos depois, por conta de conflitos que interromperam rotas na época. O que era para ser uma mudança de vida virou, na verdade, o começo de uma longa história de viagens.
Viajar virou prioridade, mesmo com rotina e filhos
Com o nascimento dos filhos, o ritmo desacelerou, mas nunca parou. O casal encontrou formas de adaptar o sonho à realidade, usando férias do trabalho para fazer viagens mais curtas, muitas vezes acampando ou explorando destinos de bicicleta. A lógica era simples: manter a experiência viva, independentemente das circunstâncias.
Anos depois, ao celebrarem o aniversário de 25 anos de casamento, decidiram retomar as aventuras com mais intensidade. Desde então, passaram a viajar com mais frequência e por períodos mais longos, mantendo uma média de duas viagens internacionais por ano.
O segredo? Simplicidade e planejamento
Ao contrário do que muitos imaginam, a vida de viagens não foi construída com luxo - mas com escolhas conscientes. Ann trabalhou como conselheira e assistente social, enquanto Alan atuou na indústria e no sistema prisional. Ao longo dos anos, o casal priorizou direcionar grande parte da renda para as viagens, abrindo mão de gastos considerados desnecessários no dia a dia.
“Tudo o que ganhamos foi, em grande parte, destinado às viagens”, contou Ann. “A ideia sempre foi manter um padrão simples em casa para viabilizar os deslocamentos”. Essa escolha permitiu que eles sustentassem o estilo de vida por décadas, sem abrir mão do que realmente valorizam.
Destinos fora do óbvio e experiências marcantes
Ao longo dos anos, Ann e Alan optaram por sair do circuito turístico tradicional. Em vez de roteiros mais populares, escolheram conhecer países com histórias complexas e culturas menos exploradas. Bangladesh, Ruanda, Mali, Sri Lanka e diversas regiões da África e da América do Sul fazem parte do percurso. Em muitas dessas viagens, o interesse por história e política guiou as decisões.
“Muitos lugares visitados tinham passado recente de conflitos, e havia interesse em entender os processos de reconstrução”, explicou Ann. Essa curiosidade transformou cada viagem em uma experiência mais profunda - não apenas de lazer, mas de aprendizado.
Uma forma leve de viajar
A logística também segue o princípio da simplicidade. O casal costuma planejar apenas o básico, como a primeira noite de hospedagem, e deixa o restante do roteiro acontecer ao longo do caminho.
Ônibus, trens, hostels, campings e pequenas pousadas fazem parte da rotina. O importante, para eles, é ter o essencial - e liberdade para explorar. “Se houver um quarto com itens básicos, já é suficiente”, disse Ann. Essa flexibilidade, além de reduzir custos, torna cada viagem mais espontânea e cheia de surpresas.
O tempo como maior riqueza
Após a aposentadoria, o casal intensificou ainda mais o ritmo de viagens. Mesmo com o passar dos anos, continuam explorando novos destinos e não pensam em parar. Mais do que colecionar países, eles construíram uma nova forma de enxergar a vida.
Para Ann e Alan, o verdadeiro luxo não está em hotéis sofisticados ou roteiros exclusivos, mas na possibilidade de viver experiências, aprender com o mundo e compartilhar momentos. E talvez seja exatamente essa a grande lição: quando se trata de viver bem, o essencial pode ser muito mais simples (e muito mais acessível) do que parece.
Leia também: "Acompanhada do gato, mulher cruza Oceano Pacífico em veleiro"









