Um estudo recente aponta que cidades da costa leste dos Estados Unidos enfrentam riscos elevados de inundações capazes de provocar danos extremos, com destaque para Nova York e Nova Orleans. A análise,
publicada na revista Science Advances, indica que milhões de pessoas podem ser diretamente impactadas por eventos de grande escala.
De acordo com o levantamento, oito cidades apresentam níveis alto ou altíssimo de risco. Entre elas estão Houston, Miami, Norfolk, Charleston, Jacksonville e Mobile. No entanto, os dados mostram que Nova York concentra o maior número absoluto de pessoas potencialmente afetadas.
Segundo o estudo, cerca de 50% da população nova-iorquina — aproximadamente 4,4 milhões de pessoas — e 47% das construções da cidade estão atualmente em áreas com alto risco de sofrer danos extremos em caso de grandes enchentes. Já em Nova Orleans, o risco proporcional é ainda mais elevado: 98% da população, equivalente a cerca de 375 mil pessoas, e 99% da infraestrutura urbana estão expostos ao mesmo tipo de ameaça.
Os pesquisadores atribuem esse cenário a uma combinação de fatores estruturais e ambientais. A baixa altitude dessas cidades, aliada à alta densidade populacional, à drenagem insuficiente, à proximidade com corpos d’água e aos níveis de precipitação, contribui para ampliar a vulnerabilidade. A configuração urbana, incluindo a altura e a distribuição dos edifícios, também influencia diretamente o impacto potencial das enchentes.
"As políticas devem restringir o desenvolvimento urbano em zonas de alto risco, promovendo ao mesmo tempo a incorporação sistemática de soluções baseadas na natureza", escreveram os autores do estudo ao destacar a necessidade de ações preventivas. Entre as medidas sugeridas estão a adoção de infraestruturas como diques, comportas e barragens, combinadas a estratégias naturais de mitigação.
As inundações já são consideradas o desastre natural mais caro dos Estados Unidos, gerando prejuízos bilionários todos os anos. O cenário tende a se agravar nas próximas décadas. Projeções indicam que, até 2050, o nível do mar ao longo da costa continental do país pode subir até 30 centímetros, enquanto eventos extremos associados a furacões têm se tornado mais frequentes, impulsionados pelas mudanças climáticas.
Mais detalhes do estudo
Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram técnicas de aprendizado de máquina combinadas a dados históricos da Agência Federal de Gestão de Emergências. As informações incluíram registros visuais de danos causados por grandes inundações, como os provocados pelo furacão Isaac, em 2012, e pelo furacão Irma, em 2017. Propriedades completamente destruídas nesses eventos foram classificadas como tendo sofrido “danos extremos por inundação”.
A equipe analisou 16 fatores de risco, que abrangem desde condições naturais — como altitude e distância da água — até aspectos sociais, como densidade populacional e níveis de vulnerabilidade econômica. A partir desses dados, foi criado um índice que classifica o risco de inundações em diferentes níveis, de “muito baixo” a “muito alto”.
Os resultados reforçam o que os autores descrevem como uma “triste realidade”: grandes centros urbanos costeiros enfrentam ameaças crescentes e exigem respostas urgentes. Além de Nova York e Nova Orleans, cidades como Houston e Mobile também foram apontadas como prioritárias para a implementação de políticas públicas de mitigação, repercute o Live Science.
Entre as soluções sugeridas, estão mudanças no uso do solo urbano, como a substituição de superfícies impermeáveis por áreas que permitam a absorção da água, além da restauração de áreas úmidas e planícies aluviais. Essas medidas, segundo o estudo, podem reduzir significativamente os impactos das enchentes e aumentar a resiliência das cidades diante de eventos extremos.












