Tempestades com granizo extremo podem se tornar cada vez mais comuns ao redor do mundo devido ao avanço das mudanças climáticas. Um novo estudo publicado na revista Nature analisou milhares de tempestades
e concluiu que o aumento das temperaturas globais deve favorecer a formação de pedras de gelo muito maiores e mais destrutivas.
Segundo reportagem da Smithsonian Magazine, os pesquisadores descobriram que a frequência de granizo maior que uma bolinha de gude pode aumentar até 47% até o fim do século no pior cenário climático analisado. Mesmo em projeções mais otimistas, o crescimento ainda seria de 38%.
O estudo surge após uma série recente de tempestades severas atingirem os Estados Unidos. Durante a primavera deste ano, sistemas climáticos violentos avançaram sobre o centro-oeste do país trazendo tornados, ventos intensos e granizo de tamanho recorde.
Em Illinois, o meteorologista Victor Gensini encontrou uma pedra de granizo com cerca de 40 centímetros de diâmetro e mais de meio quilo. Após a tempestade registrada em março, ele afirmou que o fenômeno superou todos os registros conhecidos desde o início do monitoramento moderno do granizo.
Como o granizo se forma
O granizo é formado dentro de tempestades intensas quando fortes correntes de ar elevam a umidade para regiões extremamente frias da atmosfera. Nessas altitudes, o vapor d’água congela e cria partículas de gelo que continuam crescendo até ficarem pesadas demais para permanecer suspensas.
Os pesquisadores explicam que o ar mais quente consegue armazenar maior quantidade de umidade, aumentando a matéria-prima disponível para tempestades severas. Ao mesmo tempo, temperaturas mais elevadas também fazem com que pedras menores derretam antes de atingir o solo.
Por isso, tempestades mais fracas podem produzir menos granizo visível, enquanto sistemas mais poderosos conseguem gerar pedras suficientemente grandes para sobreviver à queda.
O principal autor do estudo, Qinghong Zhang, afirmou que granizos maiores ainda conseguem atingir o solo mesmo sofrendo derretimento durante a descida, enquanto pedras menores podem desaparecer completamente antes de chegar à superfície.
Simulações com milhares de tempestades
Para chegar às previsões, os cientistas criaram uma simulação computacional baseada em fatores como temperatura, vento e umidade dentro das nuvens.
O modelo foi então comparado com condições observadas em aproximadamente 14 mil tempestades reais registradas entre 2014 e 2021. Depois de confirmar que a simulação reproduzia corretamente os eventos do passado, os pesquisadores aplicaram o sistema em cenários climáticos futuros.
Os resultados mostraram que regiões de latitudes mais altas, como partes dos Estados Unidos e da Europa, podem enfrentar crescimento significativo no potencial de tempestades capazes de produzir granizo gigante.
Prejuízos podem crescer
As tempestades de granizo já provocam prejuízos bilionários todos os anos. Segundo os pesquisadores, os danos anuais causados pelo fenômeno nos Estados Unidos chegam a cerca de US$ 10 bilhões.
Após tempestades severas registradas na França no ano passado, cientistas europeus concluíram que eventos de granizo intenso atualmente têm 30% mais chance de ocorrer do que antes do aumento das emissões humanas de carbono.
Especialistas também alertam que os impactos futuros dependerão não apenas do clima, mas da forma como cidades e construções são planejadas. Estruturas pouco resistentes podem ampliar ainda mais os danos provocados por tempestades severas.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes











