Assim como o Japão o fez de modo mais diabólico e silencioso, o nazismo, como é sabido, implementou políticas baseadas em teorias raciais e eugênicas visando “purificar” a raça ariana e promover a sua
suposta “superioridade genética”.
Esses programas experimentais, que foram evoluindo ao compasso do conflito, incluíram temas que debatem ainda hoje a comunidade científica internacional, como quais são seus limites e para quais motivos usá-los; vejamos:
Eugenia Negativa: Visava eliminar características genéticas consideradas “indesejáveis” (não arianas, ou “defeituosas” como malformações de nascença), através da esterilização forçada e do extermínio de pessoas com incapacidades físicas ou mentais, doenças genéticas e outras condições “inferiores”.
Eugenia Positiva: Oposta à eliminação e extermínio, visava promover a reprodução de pessoas consideradas “racialmente puras”, como os teutônicos, mediante programas de incentivo à natalidade e ao casamento entre pessoas de “boa” origem racial (arianos).
Lebensborn: Foi o programa “Fonte da Vida” (na sua tradução) criado para propiciar a reprodução de crianças “geneticamente superiores” mediante a seleção de pais e mães considerados “ideais”, dentro dos padrões germanófilos, e do incentivo à adoção de crianças “arianas” por famílias alemãs que não podiam ter filhos ou queriam mais dos que já tinham.
Experimentação Médica: Os nazistas, como os nipônicos, realizaram procedimentos médicos utilizando como cobaias seres humanos, incluindo gêmeos, pessoas com deficiências e outras condições raras, para estudar o que dava certo e o que dava errado na genética; e, a partir dessas experiências, desenvolver teorias raciais e métodos que cumprissem com seus fins.
Esses testes, na maioria dos casos lindantes com a selvageria, tiveram suas consequências, começando com milhões de mortes e o sofrimento suportado pelos considerados “indesejáveis” ou “inferiores”.
Por outro lado, os especialistas coincidiram em que os programas genéticos do nazismo — também dos japoneses — contribuíram para o desenvolvimento de teorias raciais e eugênicas que puderam ser úteis para curar doenças, mas, infelizmente, só foram usadas na guerra, para justificar a perseguição e o extermínio de minorias arbitrariamente desdenhadas.
O legado de tais estudos, no fundo, mais macabros do que científicos, é negativo porque esses programas biológicos foram e são universalmente condenados. Eles são qualificados como “uma das mais graves violações dos direitos humanos e da dignidade das pessoas de toda a história”.
O que continua em debate é a importância da ética e da responsabilidade na pesquisa médica e genética, bem como a necessidade de proteger todas as pessoas; o bem comum não pode extrapolar o direito individual.
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O que segue é um registro de datas arquivadas pelo próprio nazismo:
01/10/1939 – Começa o programa de eutanásia alemão: doentes e fracos são as primeiras cobaias.
04/04/1940 – O programa Aktion 14F13, que selecionava prisioneiros aptos para trabalhar, documenta a primeira prova contra o regime alemão, exterminando em massa deficientes e incapazes. Até se usar a palavra Holocausto, o programa eutanásico se identificava como Aktion 14.
15/05/1941 – O Dr. Sigmund Rascher, médico pesquisador da SS ou Schutzstaffel, solicita por carta a Heinrich Himmler, que os prisioneiros que ele indique sejam colocados à sua disposição para experimentar com câmaras de descompressão que simulem ambientes de grande altitude; foi ele quem testou os efeitos da hipotermia
28/07/1941 – Himmler envia uma comissão especial até Auschwitz para selecionar 753 prisioneiros que sejam “úteis à estrutura experimental do Programa de Eutanásia” iniciado em 1940: devem ser “judeus doentes incuráveis”. A maioria é de poloneses enfermos do Bloco 15, aos quais se engana informando-os de que serão transferidos para campos melhores devido às suas condições de saúde. Dois criminosos alemães, Johann Siegruth e Ernst Krankemann são adicionados à lista.
29/07/1941 – Daqueles 753 selecionados, 178 são integrados ao programa Aktion 14F13 e os outros 575 prisioneiros, classificados “doentes psiquiátricos”, vão para o Castelo de Sonnenstein, sob a supervisão de Franz Hössler, que os envenena com monóxido de carbono em uma câmara de gás disfarçada de chuveiro. O grupo faz parte dos 13 mil judeus que perderam a vida no castelo.
7/07/1942 – Himmler autoriza oficialmente experimentos de esterilização em base à radiação, cirurgia e substâncias químicas, em Auschwitz.
10/10/1942 – O médico Sigmund Rascher relata, em detalhe, suas descobertas em experimentos feitos em Dachau, envolvendo prisioneiros vestidos em trajes de voo completos e “colocados em condições de congelamento”; ele conclui que “o aquecimento da cabeça e do pescoço dos sujeitos expostos é vital para sua sobrevivência, o que deve ser aplicado a soldados atuantes nesses climas, especialmente os da aeronáutica”.
26/11/1942 – Em Nuremberg, Alemanha, 95 cientistas se reúnem para revisar o “fascinante” resultado dos experimentos de congelamento do Dr. Sigmund Rascher.
28/12/1942 – Se informa ao Führer que no campo polonês de Birkenau começaram os experimentos de esterilização em prisioneiras.
06/02/1943 – Todas as mulheres prisioneiras de Auschwitz, só elas, são reunidas às 03h30 da gélida madrugada deste dia e obrigadas a marchar fora do campo, à intempérie, até as 17h00, quando lhes ordenam correr de volta para o campo. Quase mil mulheres morrem durante essa marcha forçada cujo propósito era “matá-las de frio”. As sobreviventes são enviadas para as câmaras de gás. Provavelmente tens sido um experimento de tolerância feminina ao frio em certo número de horas.
11/04/1943 – Todos os médicos da SS devem selecionar prisioneiros para enviar ao Castelo de Hartheim, em Alkoven, Áustria, onde serão sacrificados pelo bem dos experimentos de eutanásia e higiene racial.
17/01/1945 – Assustado, o médicomonstro Josef Mengele começa a destruir seus laboratórios no setor BIIf do campo de Birkenau; segundo o informe, “ele logo evacuaria o campo com registros de seus experimentos em gêmeos, anões e pessoas com deficiência”.
29/05/1945 – A equipe do Hadamar Euthanasia Center Aktion, no oeste da Alemanha, assassina sua última vítima, um garoto com deficiência mental (nome desconhecido).
30/05/1945 – Fim da loucura.
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