Uma intensa erupção vulcânica submarina no Mar de Bismarck, ao norte de Papua-Nova Guiné, pode dar origem a uma nova ilha no Oceano Pacífico. O fenômeno vem sendo monitorado por cientistas da NASA desde
8 de maio, quando satélites começaram a registrar sinais incomuns na superfície do oceano.
Desde então, imagens capturaram enormes plumas brancas de vapor, alterações na coloração da água e extensas faixas de pedra-pomes flutuando sobre o mar. Apesar da intensidade da atividade, os pesquisadores ainda enfrentam uma dúvida fundamental: ninguém sabe exatamente qual estrutura vulcânica entrou em erupção.
Mistério sob as águas
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Foto: Observatório da Terra da NASA por Michala Garrison[/caption]
Segundo comunicado da NASA Earth Observatory citado pela reportagem da Revista Galileu, a falta de mapas detalhados da região dificultou a identificação da origem exata da atividade.
Os cientistas acreditam que a erupção esteja ocorrendo na Dorsal de Titã, cerca de 16 quilômetros ao sudeste de uma área que registrou atividade vulcânica em 1972. Ainda assim, permanecem desconhecidas informações como a profundidade da cratera ativa e quando ela entrou em erupção pela última vez.
O fenômeno começou com um enxame de terremotos. Pouco depois, satélites passaram a detectar sinais cada vez mais evidentes da atividade vulcânica.
O nascimento de uma ilha?
Imagens obtidas pelos satélites Landsat 9 e Sentinel-2 revelaram intensa atividade próxima à superfície do oceano. Em 12 de maio, o sensor VIIRS identificou anomalias térmicas distribuídas por uma área de aproximadamente sete quilômetros quadrados.
“Deve haver muito material quente perto da superfície para gerar tantas anomalias térmicas”, afirmou o vulcanólogo Simon Carn, da Michigan Tech, em comunicado da NASA.
Para os pesquisadores, um dos aspectos mais fascinantes da erupção é a possibilidade de uma nova ilha emergir acima do nível do mar. “Agora, estamos ansiosos para ver se uma nova ilha está prestes a surgir — algo que raramente conseguimos observar com satélites em tempo real”, disse Jim Garvin, cientista-chefe do Centro Goddard da NASA.
Caso isso aconteça, os cientistas pretendem acompanhar cada etapa da formação da nova massa de terra. Dependendo da interação entre magma e água oceânica, a estrutura poderá se consolidar como um cone vulcânico estável ou desaparecer em poucos dias.
Apesar do espetáculo observado pelos satélites, especialistas acreditam que a atividade dificilmente alcançará a violência da erupção do Hunga Tonga-Hunga Ha'apai, registrada em 2022. Enquanto isso, a natureza segue escrevendo um capítulo geológico que cientistas observam praticamente em tempo real.
*Sob supervisão de Éric Moreira









