Em novo estudo, publicado no último dia 25 na revista Microbiome, cientistas investigaram as estratégias adotadas pelas esponjas marinhas para sobreviverem em águas profundas. O trabalho analisou como
esses organismos conseguem prosperar em um ambiente considerado hostil, longe da luz e onde as temperaturas podem chegar a 0 °C , e revelou a importância dos microrganismos associados às esponjas para a manutenção da vida.
Grande parte do oceano permanece mergulhada na escuridão. Os cientistas destacam que cerca de 95% das águas oceânicas correspondem às profundezas marinhas, regiões onde a luz solar praticamente não chega. Ainda assim, diferentes formas de vida conseguiram se adaptar a essas condições extremas. É o caso das esponjas marinhas, que são capazes de formar extensos ecossistemas ao servirem de abrigo para outras espécies no fundo do mar. Também é importante mencionar que elas desempenham papel importante na reciclagem de nutrientes ao filtrar a água ao redor. As informações são do portal Galileu.
Quimiossíntese e heterotrofia
O estudo investigou esponjas do gênero Calyx encontradas a cerca de 830 metros de profundidade e destacou que, embora a luz do Sol possa atingir até aproximadamente mil metros no oceano, a região onde esses animais vivem, chamada zona crepuscular, já é escura demais para permitir o crescimento de plantas.
Segundo os pesquisadores, cerca de 16% dos microrganismos associados às esponjas realizam quimiossíntese, processo em que compostos químicos substituem a luz solar como fonte de energia. Utilizando amônia e dióxido de carbono dissolvido na água, esses micróbios conseguem produzir biomassa, garantindo a sobrevivência em um ambiente onde a fotossíntese é inviável.
Os outros 84% dos microrganismos analisados utilizam heterotrofia, estratégia baseada no consumo de matéria orgânica para obtenção de energia e crescimento. Humanos e muitos outros animais também dependem desse processo.
O grande desafio
O desafio, conforme a fonte, é que a quantidade de matéria orgânica disponível nas profundezas oceânicas é bastante limitada. Boa parte do plâncton e das algas mortas que afundam no oceano já é consumida por bactérias e pequenos crustáceos antes de alcançar o fundo do mar.
Os cientistas descobriram, porém, que os restos dessa matéria orgânica ainda podem ser aproveitados. Enzimas produzidas pelos microrganismos quebram esses resíduos em compostos menores, permitindo que os próprios micróbios se alimentem deles. Em troca, esses organismos produzem nutrientes que também servem de alimento para as esponjas hospedeiras.
Segundo os autores, essa biomassa acaba sustentando outros animais das profundezas, como estrelas-do-mar quebradiças e peixes, contribuindo para toda a cadeia alimentar do fundo oceânico.











