A notícia da morte de Michael Jackson, na tarde de 25 de junho de 2009, abalou o mundo de forma como poucas vezes se viu. Afinal, o artista que havia redefinido a música pop, partira de forma repentina,
aos 50 anos de idade.
Aquele dia marcou o desfecho de uma trajetória que era, ao mesmo tempo brilhante e controversa. Desde muito jovem, o norte-americano esteve sob os holofotes. Nascido em 29 de agosto de 1958, em Gary, Indiana, ele cresceu em uma família musical. Ainda criança, integrou o grupo The Jackson 5 ao lado de seus irmãos, rapidamente assumindo o posto de vocalista principal. Sob a rígida supervisão do pai, Joe Jackson, o grupo alcançou enorme sucesso no início dos anos 1970, com hits como "I Want You Back" e "I’ll Be There".
Mas o talento de Michael logo ultrapassou os limites do conjunto e, em carreira solo, ele demonstrou grande versatilidade e ambição artística. Seu álbum "Off the Wall" (1979) já indicava um salto criativo, mas foi com "Thriller" que ele redefiniu os padrões da indústria musical. Lançado em 1982, o disco se tornaria o mais vendido da história, com 70 milhões de cópias comercializadas mundialmente. Aideoclipes inovadores, como o da faixa-título, ajudaram a consolidar a importância da estética visual na música pop, especialmente na era da MTV.
Surgem polêmicas
Com o sucesso estrondoso, veio também uma atenção cada vez mais invasiva. A aparência de Jackson passou a ser alvo constante de especulações, sobretudo por causa do clareamento progressivo de sua pele. Embora, em 1993, o astro tenha revelado ter vitiligo, em entrevista a Oprah Winfrey, dúvidas e teorias continuaram a circular.
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No mesmo período, acusações muito mais graves tomaram conta das manchetes e Jackson passara a ser investigado por supostos abusos contra menores. Segundo o portal All That's Interesting, o caso de 1993 terminou em acordo extrajudicial, sem julgamento criminal, mas deixou marcas profundas em sua imagem pública. Nos anos seguintes, novas denúncias surgiram e acabaram culminando em um julgamento em 2005. O artista foi absolvido. No entanto, sua reputação nunca mais se recuperaria por completo.
Como se isso não bastasse, sua vida pessoal também era marcada por instabilidade. Casamentos breves, como com Lisa Marie Presley — a filha do Rei do Rock — e relatos sobre comportamento excêntrico alimentavam o interesse da mídia. Paralelamente, cresciam indícios de dependência de medicamentos, que o cantor utilizava tanto para lidar com dores físicas quanto com insônia crônica.
Afastamento e retorno aos palcos
Tudo isso afetaria muito a figura de Michael, tanto que, finalizado o julgamento em 2005, o cantor se afastou em grande parte da vida pública. O anúncio de sua volta, em 2009, para a turnê "This Is It" encheria o público de expectativas: afinal, seriam 50 shows somente na cidade de Londres e muitos interpretaram esse retorno estrondoso como uma possível despedida dos palcos.
Nos bastidores, porém, sinais de alerta se multiplicavam. Pessoas próximas relataram mudanças preocupantes em seu comportamento. Mesmo profissionais que trabalhavam com ele notaram fragilidade física, ansiedade e episódios de paranoia. Mesmo assim, seu médico pessoal, Conrad Murray, assegurava que o artista estava apto para cumprir a agenda.
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Michael Jackson - Getty Images[/caption]
A morte de um ícone
Na noite de 24 de junho de 2009, Jackson participou normalmente de um ensaio em Los Angeles. Horas depois, já em sua residência, relatou dificuldades para dormir. Infelizmente, esse era um problema recorrente. Na tentativa de ajudá-lo, Murray administrou uma série de sedativos, entre os quais estavam substâncias como lorazepam e midazolam. No entanto, o ponto crítico veio com o uso de propofol, um anestésico potente normalmente restrito a ambientes hospitalares.
Segundo investigações posteriores, Jackson entrou em parada cardíaca após receber o medicamento. Murray tentou reanimá-lo, mas sem sucesso. Equipes de emergência também não conseguiram reverter o quadro. A causa da morte foi oficialmente determinada como intoxicação aguda por propofol.
A reação global foi imediata. Fãs se reuniram em diferentes partes do mundo, emissoras alteraram suas programações e artistas prestaram homenagens. A morte de Michael Jackson representava o fim de uma era cultural.
Meses depois, as consequências legais começaram a se desenhar e, em 2011, Conrad Murray seria condenado por homicídio culposo. Ele foi sentenciado a quatro anos de prisão, cumprindo metade desse tempo.











